Oriol Rosell a marcar... Bas Dost
Oriol Rosell a marcar... Bas Dost

Ex-Sporting lembra: «Chamaram-me louco por trocar o Barça pela MLS aos 19 anos»

Em Portugal, Oriol Rosell ainda representou Vitória de Guimarães, Belenenses e Portimonense

Oriol Rosell, antigo jogador formado no Barcelona, passou em Portugal por Sporting, Vitória de Guimarães, Belenenses e Portimonense, recorda a sua carreira e a decisão pioneira de rumar aos Estados Unidos numa altura em que a MLS era vista como um destino para final de carreira. Atualmente retirado e a viver em Los Angeles, o ex-médio joga agora ao lado dos seus ídolos de infância nos Barça Legends.

Em 2012, quando atuava no Barça Atlètic, Rosell tomou uma decisão que muitos consideraram invulgar. Com apenas 19 anos, aceitou uma proposta do Kansas City, trocando a promissora formação de La Masia pela liga norte-americana, então conhecida por atrair estrelas como David Beckham, Thierry Henry e Rafa Márquez na fase final das suas carreiras.

Oriol Rosell com a camisola do Sporting
Oriol Rosell com a camisola do Sporting

«Foi curioso, porque quando estava no Barça B e tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos, em 2012, toda a gente me dizia: 'Estás louco, sair do Barça para ir para os Estados Unidos, para onde as pessoas vão para se retirar'», recordou o ex-jogador, em entrevista ao Sport. No entanto, para Rosell, a mudança representava mais do que futebol: «Para mim, era uma oportunidade para além do futebol: aprender inglês, viver uma experiência diferente. A MLS estava a crescer muito e eu via potencial.»

A aposta revelou-se um sucesso. «Acho que foi a melhor decisão da minha vida», afirma. Em apenas seis meses, sagrou-se campeão, tornando-se o primeiro espanhol a vencer a MLS. O bom desempenho abriu-lhe as portas de regresso à Europa, desta vez para representar o Sporting, onde disputou UEFA Champions League e UEFA Europa League.

Após terminar a carreira há dois anos, Oriol Rosell refletiu sobre a difícil transição para a vida pós-futebol. «A transição é sempre complicada, porque fazes algo durante tantos anos que se torna a tua identidade. Quando paras, tens de começar do zero», explicou. Consciente do desafio, preparou-se ativamente para o futuro, formando-se na área de negócios enquanto ainda jogava.

«Passas de estar no topo, sendo parte daquele 1% que consegue ser futebolista, para depois trabalhar num sítio onde, se entrares numa empresa, estás ao lado de pessoas que acabaram de sair da universidade. Essa mudança pode ser muito complicada», detalha Rosell, sublinhando a importância de planear o futuro para facilitar a adaptação.

Apesar da sua profunda ligação ao desporto, descarta a possibilidade de seguir uma carreira como treinador. «Acho que é preciso ter uma paixão extrema: chegar a casa e ver vídeos o dia todo. Eu não a tinha», admitiu. Rosell prefere um papel mais administrativo, longe da instabilidade associada ao cargo de treinador. «A vida tão volátil do treinador, que com quatro ou cinco maus resultados tem de mudar a família, não era um caminho que eu quisesse seguir», concluiu.

O crescimento da MLS e o «efeito Messi»

O regresso aos Estados Unidos, após a passagem por Portugal, foi motivado pela perceção do enorme crescimento da liga. «Vi que a liga crescia muitíssimo: investimento em campos, instalações, o show business… e pensei que era uma questão de tempo até isso explodir também no futebol», comentou. A MLS deixou de ser vista como uma «liga de reforma» para se tornar numa competição que «forma e vende jogadores».

Nesse crescimento, identifica dois momentos cruciais. O primeiro foi a chegada de David Beckham, que «mudou a situação da liga, fez com que deixasse de passar despercebida e a situou muito bem a nível mundial». O segundo ponto de viragem é, sem dúvida, Lionel Messi.

«A sua chegada gerou o contrato com a Apple TV e deitou gasolina no fogo. Fez com que a liga esteja no seu melhor momento e que as pessoas a considerem muito mais do que antes», analisa. O impacto é visível: «Quando o Inter Miami joga fora, já não usam os seus estádios habituais de 20.000 pessoas, mas alugam estádios de futebol americano para 60.000 ou 70.000 pessoas e enchem-nos. Isso diz o que Messi significa a nível global.»