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Ancelotti anuncia fim de ciclo para três jogadores e aponta a uma «nova geração»
Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil, anunciou o fim de ciclo para jogadores como Neymar, Casemiro e Danilo, admitindo erros no Mundial 2026 e definindo a Copa América de 2028 como o primeiro grande objetivo para uma equipa renovada.
24 dias após a eliminação do Brasil nos oitavos de final do Campeonato do Mundo frente à Noruega, o técnico italiano fez um balanço do seu primeiro ano no cargo. Ancelotti reconheceu ter cometido erros, nomeadamente nas substituições durante o jogo com os noruegueses, afirmando que a equipa perdeu «o controlo do jogo».
Após um período de reflexão de três semanas no Canadá, que descreveu como um «luto», o treinador regressou ao Rio de Janeiro para planear o futuro da seleção. A principal decisão é clara: iniciar uma renovação profunda, focada numa «nova geração».
«Com este Campeonato do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que no Mundial tinham mais de 30 anos», disse Ancelotti, em entrevista ao Globoesporte, confirmando que o ciclo desses jogadores na seleção chegou ao fim.
O foco está agora em preparar uma nova equipa competitiva para a Copa América de 2028. «Vamos localizar os novos jogadores que possam entrar, não digo no próximo Campeonato do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028», explicou. A renovação, no entanto, não será radical. Ancelotti pretende manter alguns elementos experientes para assegurar a transição, destacando a importância de um jogador em particular.
«Não vou dizer que vou mudar os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. Acho que é importante que ele fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é mudar, colocar uma nova geração», sublinhou.
Os próximos jogos particulares, contra a Austrália e a Índia em setembro, servirão para observar novos talentos. «Temos que aproveitar os particulares que vamos ter para ver os novos jogadores, que conhecemos menos», afirmou o selecionador, reforçando a necessidade de uma forte ligação com a seleção de sub-20.
Sobre o impacto pessoal da eliminação, Ancelotti confessou que foi uma derrota «diferente» e «dececionante». Questionado sobre o estilo de jogo da seleção brasileira, o técnico foi claro ao afirmar que este deve ser moldado pelas características dos jogadores disponíveis. A polémica em torno da baixa posse de bola no jogo contra a Noruega foi desvalorizada, com o selecionador a explicar a sua visão.
«Acho que a equipa tem que ter um estilo baseado nas características dos jogadores. A verdade é que se pode receber críticas, porque a equipa teve menos posse de bola do que a Noruega. A estrutura, as características dos jogadores não são de jogar um jogo de posse», defendeu.
Para o técnico, a presença de avançados como Vinícius, Endrick, Estêvão e Raphinha exige uma abordagem mais direta. «Quando se tem na frente jogadores como Vinícius, Endrick, Estêvão e Raphinha, não se tem de fazer um jogo de posse. Tem de se fazer um jogo mais vertical», acrescentou, contrastando com o modelo da Espanha, campeã do mundo. A derrota frente à Noruega, no entanto, continua a ser um ponto sensível. O selecionador admitiu que errou gestão do encontro.
«A autocrítica que posso fazer, que fiz depois do jogo, é que mudei a estrutura da equipa depois da paragem para hidratação e aí perdemos o controlo do jogo», confessou. A entrada de Neymar visava «retomar o controlo» e «colocar mais qualidade na frente para ganhar», mas a alteração tática não surtiu o efeito desejado. Apesar do resultado «muito mau para toda a gente, muito dececionante e triste», o técnico pediu para que o trabalho de um ano não seja avaliado apenas por um jogo, recordando as dificuldades sentidas, nomeadamente as oito lesões entre março e junho, que afetaram jogadores como Militão, Rodrygo e Estêvão.
Olhando para o futuro, o foco está na renovação, começando pela baliza. Apesar de reconhecer as qualidades de Alisson e Ederson, o selecionador aponta para a necessidade de observar novos talentos. «Acho que temos de observar novos guarda-redes. Há guarda-redes jovens que estão a jogar no Brasileirão. A ideia é fazer uma avaliação muito atenta dos novos guarda-redes», revelou.
Confrontado com o aumento das críticas após a eliminação, o selecionador mostra-se indiferente. «Eu não me importo. A crítica às vezes deixa-te mais desperto, deixa-te mais motivado», afirmou, sublinhando a importância de focar no futuro com base nos erros do passado. O técnico reitera a sua confiança no processo: «Estamos convencidos de que o trabalho feito em um ano foi um bom trabalho. Porque acho que os 26 jogadores que tinham que jogar o Mundial eram esses 26.»
A gestão do plantel também foi tema de conversa, nomeadamente a situação de Neymar, que chegou à competição com limitações físicas. O selecionador explicou que, apesar de o jogador não ter tido a mesma preparação que os colegas, a equipa técnica nunca ponderou a sua substituição. «Quando tivemos o comunicado do Santos, era problema do Santos até ao dia 27. Quando chega o dia 27, depois dos exames, ele não poderia estar pronto para o primeiro jogo, mas estaria no Mundial, como esteve», justificou, considerando a decisão de o manter como «correta» devido ao bom comportamento do jogador.
Por fim, abordou a polémica sobre o regresso dos jogadores ao Brasil, com apenas Danilo a viajar no avião da CBF. O técnico defendeu a liberdade de escolha dos atletas. «Quando se perde um Mundial, não podemos obrigar os jogadores a voltar. Quando o Mundial acaba, é o clube que tem o direito sobre o jogador», explicou, revelando que ele próprio optou por ir para o Canadá para refletir com mais tranquilidade.
O selecionador do Brasil confirmou ter sido contactado pela federação italiana, mas recusou a abordagem por lealdade ao projeto que abraçou na canarinha, revelando ainda planos para o futuro do futebol brasileiro e a sua admiração pelo país.
«Simplesmente houve contacto da federação, mas não é um problema de contrato, é de compromisso. Eu tenho um compromisso com o Brasil não por ter assinado o contrato. Tenho um compromisso pelo ano que passei aqui, fui muito bem recebido e não quero cortar esse compromisso. Quero seguir a trabalhar e seguir com a seleção», afirmou.
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