Amorim foi despedido por ser «demasiado rígido» e «encurralar-se a si próprio»
Omar Berrada, diretor executivo do Manchester United, revelou que a «rigidez» de Ruben Amorim foi a principal razão para o despedimento do treinador português. Segundo o CEO, o português «encurralou-se a si próprio» durante os 14 meses que passou em Old Trafford, antes de ser despedido em janeiro.
Falando no FT Weekend Festival, em Nova Iorque, Berrada explicou as dificuldades sentidas pelo novo treinador do Milan. «Penso que talvez o ponto onde ele ficou preso foi a dimensão do clube. O escrutínio das suas ideias e decisões é tão constante que talvez ele tenha tido dificuldades em gerir isso… Não que fosse demasiado grande para ele, mas talvez se tenha encurralado numa posição em que quis manter-se fiel às suas ideias de uma forma muito rígida, porque queria mostrar a toda a gente que ia resultar», afirmou Berrada.
O CEO acrescentou que a pressão inerente ao clube foi um fator decisivo. «No contexto da volatilidade de emoções que se vive no Manchester United, quando se perdem dois ou três jogos seguidos, é o fim do mundo. Por isso, penso que foi muito difícil de gerir», considerou.
Apesar do desfecho, Berrada defendeu a contratação inicial de Amorim, destacando as suas qualidades. «Penso que a lógica por trás da sua escolha foi sólida. Era um treinador que tinha tido muito sucesso em Portugal, no Sporting. Era jovem, dinâmico. Tinha uma forma muito clara de explicar os seus conhecimentos e ideias de futebol. Sentimos que ele era capaz de se relacionar e comunicar com os jogadores e com o balneário», insistiu.
O dirigente recordou ainda que o clube pretendia dar tempo ao projeto do português. «Depois de muitas trocas de treinadores nos últimos 10 anos, queríamos mesmo dar tempo a Ruben para desenvolver as suas ideias, os seus conceitos e dar-lhe a liberdade no campo de treinos para poder implementar as suas ideias.» Berrada detalhou também o percurso de Amorim, que chegou a meio da época.
«Ele não teve uma pré-época. Não teve tempo para implementar as suas ideias. Depois, quando chegou à segunda temporada, teve tempo para implementar as suas ideias durante o verão e, na verdade, vimos um início muito bom, jogámos muito bem em vários jogos, mas o peso da época anterior ainda estava lá. Talvez ele não tenha conseguido seguir em frente no momento certo, por isso sentimos que tínhamos de fazer uma mudança», explicou.
A solução encontrada foi Michael Carrick, que assumiu o cargo interinamente em janeiro e conduziu a equipa ao terceiro lugar, garantindo a qualificação para a UEFA Champions League com vitórias importantes sobre equipas como o Manchester City e o Arsenal. O seu desempenho valeu-lhe o lugar a título definitivo.
Para Berrada, a «calma» e o «entendimento do clube» foram cruciais para o sucesso de Carrick. «O que ele traz é uma compreensão da herança e do ADN do clube. Ele compreende os elementos de que falamos — acertar na comunicação com a imprensa, transmitir ideias, ligar-se à nossa academia, trabalhar com a equipa de operações de futebol em geral», explicou.
«E, mais importante, ele também trouxe uma sensação de calma. É alguém que, como jogador, ganhou tudo com o clube, por isso, para ele, ir ao Emirates e ganhar lá não é nada de especial, porque já o fez como jogador. Penso que ser capaz de transmitir isso a um grupo de jogadores que tem lidado com a pressão de que falámos, e simplesmente normalizar o facto de ir ao Emirates, ao Etihad, a Anfield e ter um desempenho ao seu melhor nível, tornou-se, creio eu, a sua principal contribuição», concluiu o CEO, que agora prepara com Carrick a próxima janela de transferências para reforçar a equipa.
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