O Benfica anda a fingir que não está aqui
O Benfica arrancou ontem com a nova época, mas não se deu muito por isso. Sabemos que é o Benfica, enfim, preferência de mais de metade dos portugueses do continente, das ilhas e do Mundo, mas foi maior a noção dos órgãos de Comunicação Social sobre isso do que propriamente a do clube.
É certo que vivemos ambiente de Campeonato do Mundo de seleções. Acontece que esta prova ainda vai no preâmbulo. Portugal está quase apurado sem ter disputado o terceiro jogo, três quartos das já de si exageradíssimas 48 seleções apura-se para a fase a eliminar, isto foi apenas o aquecimento, pouco entusiasmante, caro para quem o quer ver na TV e, para já, sem grande retorno.
Sabendo nós que o público dos clubes não é necessariamente o da Seleção — o público dos clubes, na verdade, dispensava bem a Seleção e só a quer para dizer mal — esta era a hora de o Benfica assumir a dianteira mediática sem equívocos. Sabemos que a tem, porque a maioria e o povo são quem mais ordena, mas também é preciso cultivá-la.
Aparentemente envergonhado por ter de começar a época tão cedo, o Benfica abdicou de colocar personalidades a falar no primeiro dia do resto da sua vida.
Barrado o acesso aos repórteres externos e independentes, não vão eles fazer mal a alguém ou retirar algum bocado ao Seixal, enviou umas fotos repetitivas de jogadores de tronco nu a fazerem exames médicos. Não importa se os sorrisos são mais ou menos mecânicos — para o que é bacalhau basta.
Quanto ao novo treinador, expectável âncora de esperança e depósito de desejos e afetos neste recomeço, nem uma foto, nem uma palavra, um sorriso, um aceno. Zero.
Marco Silva sai incógnito de um dia que os benfiquistas — e muitos deles querem mesmo saber mais deste reatamento que do Mundial — anseavam por sentir como o dia 1 de uma nova era.
Desde que se começou a pressentir que Mourinho ia sair e tudo voltaria atrás, o Benfica tem fingido que não está aqui. Entre silêncios e manobras de diversão, os dias foram passando.
Mas agora começou a época e há pouco tempo para pensar. Até ver, só chegou um reforço de 17 anos, mas o central que saiu tem 38 e deixou um enorme vazio.
Não tarda começam os jogos e já não vai dar para fingir que não se anda aqui.