Alexandrina Cruz fez um balanço da temporada do Rio Ave - Foto: LUSA
Alexandrina Cruz fez um balanço da temporada do Rio Ave - Foto: LUSA

Alexandrina Cruz: «Sotiris Silaidopoulos continuará no Rio Ave»

Presidente do clube e da SAD fez um balanço da época no jantar comemorativo do 87.º aniversário dos vilacondenses. E garante que o treinador tem contrato e permanecerá no cargo

O Rio Ave realiza esta noite o jantar comemorativo dos 87 anos e a ocasião foi aproveitada para Alexandrina Cruz, presidente do clube e da SAD do emblema vilacondense, fazer um balanço da presente temporada e projetar já a próxima, assegurando que a intenção é manter o treinador Sotiris Silaidopoulos no comando da equipa principal.

— O mais importante deste evento é juntar a família rioavista no final da época...

— Exatamente isso. Juntar a família rioavista depois de uma época difícil, mas na qual, felizmente, tínhamos a convicção — e hoje temos a certeza — de que o caminho que estávamos a fazer é um caminho de fortalecimento para o Rio Ave. Por isso, estamos felizes, essencialmente felizes por festejar os 87 anos do Rio Ave.

— Sente-se realizada em relação a tudo o que pretendia no início do ano?

— Estes projetos têm exatamente uma palavra que eu costumo usar com alguma frequência, que é o caminho. Este projeto da Rio Ave SAD faz apenas dois anos no dia 31 de maio e, por isso, ainda estamos no início. Tivemos, efetivamente, muitos contratempos: o facto de a época passada termos ficado sem condições de jogo [interdição do estádio], termos ido jogar para fora, fazer uma pré-época fora de Vila do Conde... Foi uma pré-época complicada que também teve algumas consequências no início da temporada. Tivemos um mês de janeiro intenso e difícil, um mês de fevereiro também difícil, mas felizmente atingimos os nossos objetivos e agora é olhar para o futuro.

— Falou-se muito na possibilidade de o Sotiris Silaidopoulos sair. Vocês tiveram tempo para decidir, discutiram isso... que balanço faz também meramente desportivo?

— Esse assunto nunca esteve em cima da mesa — a saída do Sotiris. Naturalmente, depois de resultados menos positivos, conversámos bastante. Conversámos internamente e, quando digo internamente, refiro-me a toda a estrutura que está em Portugal, mas também ao proprietário. Isso nunca foi um desejo nosso. Felizmente, sabíamos que os resultados iam aparecer e foi o que aconteceu. Temos cá o Sotiris Silaidopoulos.

— Recentemente, numa conferência de imprensa, ele falou sobre o futuro e disse: 'Tenho mais um ano de contrato, adoro estar aqui no Rio Ave, adoro Vila do Conde, mas no futebol nunca se sabe'. A presidente sabe-nos dizer algo mais?

— Sei, essencialmente, que o Sotiris tem contrato e sei da nossa vontade na sua continuidade. É verdade que, quando ele diz que no futuro nunca se sabe... mas hoje o que sabemos é que queremos que ele fique. Ele tem contrato e o que percebemos é que há um projeto para dar continuidade com o Sotiris.

— Creio que foi não só uma época atípica desportivamente, mas também a nível financeiro, com uma reestruturação muito profunda. A presidente ainda não se tinha pronunciado publicamente sobre esse assunto. Era um mal necessário? Estabilizou por aqui? Consegue dar-nos uma ideia do que poderá acontecer na próxima época?

— O que aconteceu neste início de projeto é o que é normal acontecer: quando o investidor e proprietário maioritário chega, faz uma reestruturação profunda. Ele não a quis fazer de imediato; quis analisar em conjunto connosco porque éramos nós que estávamos cá, conhecíamos o Rio Ave e tínhamos a experiência do clube. Por isso, o que ele quis foi ouvir-nos e observar-nos. Cerca de um ano depois, fizemos uma reestruturação necessária, absolutamente necessária.

— É o rosto visível do Rio Ave, assumindo a presidência do clube e da SAD. Sente que usufrui da confiança necessária do investidor ou há que ressalvar que o Rio Ave é uma entidade diferente deste investimento?

— Eu costumo dizer muitas vezes que este início de projeto é normal; acontece noutras Sociedades Desportivas haver esta dúvida inicial. Por isso, ainda hoje alguns falam do Rio Ave FC e do Rio Ave Futebol Clube SAD separadamente. Tenho a plena convicção de que, em muito pouco tempo, falaremos apenas de Rio Ave. Estamos a crescer juntos e é normal que nestas relações nos conheçamos melhor ao longo do tempo. Há uma interligação e um querer muito grande em engrandecer o Rio Ave. Fruto disso é o que estamos a fazer com todo o património, que reverterá na totalidade para o Rio Ave. É um património que estamos a construir e que nem sequer estava estabelecido no contrato de venda. Estamos a fazer muito mais do que aquilo a que estávamos inicialmente obrigados em protocolo.

— Para muitos adeptos, o objetivo da permanência se calhar sabe a pouco, dado o passado recente. O que se pode prometer para o próximo ano? As ambições têm de ser maiores? A fasquia tem de subir?

— A nossa ambição é sempre grande. No entanto, temos de nos ajustar à realidade, olhar para o que temos e tomar as melhores decisões. Entendo que os sócios, os adeptos e eu própria queríamos que tudo acontecesse muito rápido, mas não é assim que o estamos a fazer. Estamos a fazer o caminho paulatinamente e com muita consciência para garantir o melhor futuro para o Rio Ave. Já estamos a iniciar a preparação da próxima época e sinto que estamos a fortalecer o clube. Não é possível fazer tudo o que queremos em muito pouco tempo. O que sentimos, apesar das dificuldades deste campeonato, é que não desistimos da nossa estratégia e estamos aqui para continuar.

— É expectável um aumento de investimento para, num futuro próximo, atacar os lugares europeus?

— É para isso que estamos a trabalhar. Exatamente para ter uma sustentabilidade grande e, num curto prazo, obtermos esses resultados.

— Para terminar, como viu a época desportiva do Rio Ave? Ficou satisfeita por garantir a segurança a duas ou três jornadas do fim? Certamente esperava alcançá-la mais cedo. Via a equipa com esse potencial ou sentiu sempre um nervosinho ao longo da época?

— Sou uma insatisfeita por natureza e acho que o Rio Ave e os clubes de futebol devem sê-lo. O que acho importante nestes projetos é perceber que, de vez em quando, surgem dificuldades e situações para as quais não estamos tão bem preparados, e temos de as enfrentar. Foi o que fizemos. Por isso, olho com muita positividade para o futuro.

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