Afinal o galo também sabe voar nas bolas paradas (crónica)
«Há um dia em que o processo vai fazer sentido e vai resultar, no que diz respeito às bolas paradas, hoje foi o dia». E foi mesmo. As palavras são de Luís Pinto, treinador do Gil Vicente, que viu a sua equipa voltar aos triunfos na Liga – não venceu os dois jogos anteriores – com dois golos ensaiados no laboratório.
O Santa Clara somou a segunda derrota na competição e deixou fugir o Sporting, com que partilhava, antes, a 3.ª posição. Os açorianos não conseguiram aguentar a vantagem que levaram para o intervalo, mas Petit viu a estratégia dificultada, quando Pedro Pacheco foi expulso aos 62 minutos.
Numa partida rija, para galos de crista dura e bravos açorianos, os duelos e bolas ganhas foram importantes para marcar posição, até porque não foram muitas as oportunidades para se visarem as balizas. Nesse capítulo, os gilistas foram mais assertivos, mas encontraram em Neneca – que voltou a ganhar pontos na ausência do titular Lucas França – um obstáculo na baliza açoriana. Que o diga Murilo, quando viu o guardião voar para desviar um tiro que levava a direção certa, ou na tentativa de Lausen, que teve o mesmo final.
O Gil Vicente desperdiçou, ao contrário do Santa Clara, que se colocou em vantagem na primeira ameaça: João Vasconcelos colocou em Fernando, com o avançado a ganhar a frente a Buatu e a rematar, surgindo Espigares a desviar para a própria baliza. Extrema eficácia açoriana, e azar para os minhotos.
Contudo, os gilistas não adormeceram nessa falta de sorte e foram à procura da felicidade. Antes do descanso Walace ficou a centímetros do golo – num disparo que rasou os ferros – e na segunda parte foi operada a reviravolta no marcador, através de bolas paradas, o que tem sido uma raridade nesta temporada.
O empate surgiu na sequência de um canto apontado por Murilo, que Walace, num movimento de rotação perfeito após ganhar posição na área, desviou sem hipótese de defesa para Neneca, com a cambalhota a ser operada pelo capitão (Murilo), que marcou num livre direto frontal, colocando a bola com precisão junto à base do poste esquerdo da baliza.
O segundo golo surgiu quando os açorianos já estavam reduzidos a dez, devido à expulsão de Pedro Pacheco - travou Walace junto à área – que abrandou a estratégia de Petit, obrigando o Santa Clara a defender, organizado em 4x4x1, e a explorar a velocidade dos homens da frente, em transições rápidas. Mas não foi o suficiente e o Gil vicente saiu de São Miguel com os três pontos na bagagem.
Velocista, o extremo brasileiro sempre que metia a 5.ª parecia uma moto a acelerar no corredor esquerdo, criando muito perigo, mas pecando apenas na finalização, quiçá, derrapando na velocidade a mais que imprimia, que não dava para definir com calma nas situações em que fugiu à defesa gilista e ficou com a baliza à mercê, como aos 61’ e 70’.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x2x3x1): Neneca (5), Lucas Soares (5), Pedro Pacheco (5), Emanuel Moreira (5), Kamika (5), Daniel Borges (6), Djé Tavares (5), Brenner Lucas (6), João Vasconcelos (5), Vinícius Lopes (5), Fernando (6), Henrique Silva (5), Sorriso (-), Gonçalo Paciência (-), Vitinho (-) e Léo Jacó (-).
Há um galo que canta mais alto na capoeira do Gil Vicente: Murilo. O capitão foi a figura maior do triunfo dos galos de Barcelos nos Açores, assumindo um papel decisivo na reviravolta minhota: assistiu Walace no empate, e assinou o golo da vitória. Como um verdadeiro galo, ergueu a crista e puxou pela equipa até ao triunfo, que fugia aos gilistas há duas jornadas.
As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Lucão (5), Ricardo Esgaio (6), Espigares (5), Buatu (5), David Moreira (5), Andreas Lausen (6), Diogo Prioste (5), Murilo (7), Santi García (6), Gil Martins (6), Walace França (7), Zé Carlos (5), Guilherme Gomes (-), Mohamed Kaba (-) e Agustín (-).