Jorge Jesus à partida para o Dubai. Foto X/Al Nassr
Jorge Jesus à partida para o Dubai. Foto X/Al Nassr

Afinal, Jorge Jesus e Rui Vitória são amigos. São eles que o dizem

Elogios mútuos na antecipação da vista do Al Nassr ao Al Wasl. Há dez anos trocavam 'bocas' duras

O que dez anos não fazem… Depois das violentas bocas que trocaram em 2015/2016, quando Jorge Jesus rumou ao Sporting e Rui Vitória o substituiu no Benfica, os dois treinadores são agora amigos.

Foram eles próprios quem o garantiu, hoje, nas conferência de imprensa de lançamento do Al Wasl-Al Nassr, dos quartos de final da Liga dos Campeões Asiática 2, a segunda competição continental.

«Tenho uma amizade e memórias passadas com ele, mas agora enfrentamos um novo desafio no campo, e cada equipa vai lutar pela vitória», assumiu JJ, técnico dos sauditas do Al Nassr, que se desloca ao Dubai para um encontro a apenas uma mão.

«O Jesus é meu amigo, mas amanhã não haverá amizade. Queremos ganhar», avisou Vitória, cujo Al Wasl vive época dececionante – é apenas 5.º no campeonato dos Emirados Árabes Unidos, a 20 pontos do líder Al Ain.

Com Ronaldo

Já o Al Nassr lidera a liga saudita e luta para reconquistar um título que lhe escapa desde 2019, quando era treinado por Rui Vitória. Ainda assim, e apesar de na fase de grupos e de nos oitavos de final da Liga dos Campeões 2 ter rodado sempre a equipa (Cristiano Ronaldo jogou até agora 45 minutos, num desafio, dos oito que os sauditas disputaram), Jorge Jesus garante que não escolhe entre as competições.

«O meu foco é vencer o campeonato e a Liga dos Campeões, temos possibilidade de lutar pelas duas provas. O Al Wasl é uma equipa forte, vai ser um jogo difícil, mas temos potencial para nos qualificarmos e o nosso objetivo é chegar à final», afirmou Jesus – que confirmou a ideia com uma lista de convocados com todos os estrangeiros, incluindo Ângelo, que estava em dúvida, e Cristiano Ronaldo, afetado por uma gastroenterite que não lhe permitiu concluir a última partida do campeonato, tendo até vomitado ao intervalo, afirmou na altura o treinador.

O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão condicionaram o desenrolar da competição, cujo formato acabou por ser alterado – os quartos de final e a meia-final da região Oeste (na Este o Gamba Osaka, do Japão, já está apurado para a final) passaram a uma só mão, no Dubai, com o Al Wasl como anfitrião. «O jogo único beneficia-os, porque jogam em casa, mas aceitamos essa realidade», afirmou Jesus.

A melhor equipa da Ásia

Quanto a Rui Vitória, assumiu que o jogo de amanhã será especial, não só pela ligação que tem ao Al Nassr como pelo nível do adversário: «É um clube pelo qual tenho um carinho especial, porque treinei lá. Para mim é um prazer fazer este jogo. Será difícil, mas precisamos e gostamos deste tipo de jogos.»

O treinador do Al Wasl considerou mesmo a equipa saudita «a melhor do Médio Oriente e provavelmente da Ásia», mas isso não o impede de sonhar com o apuramento. «Eles têm uma equipa muito boa, grandes jogadores, um treinador muito bom, também, um clube organizado, mas nós somos uma equipa que nunca desiste. Estamos a trabalhar de forma positiva e os meus jogadores merecem ser felizes. Vamos lutar com toda a energia que temos.»

Rui Vitória elogiou as individualidades do Al Nasr - «têm jogadores excecionais como Cristiano Ronaldo ou Sadio Mané, que são capazes de fazer a diferença a qualquer momento» - e deixou um recado aos seus atletas: «Jogos como estes são decididos nos detalhes. Vemos neste jogo uma oportunidade de provarmos o nosso valor. São estes jogos que todos gostam de fazer, por isso deem tudo!»