Acampada do Porto denuncia: «Polícias à paisana estão a identificar pessoas»
O movimento Acampada do Porto, que luta pelo direito à habitação, denunciou a atuação de agentes da autoridade à paisana para identificar e deter cidadãos que abandonavam a Praça D. João I.
De acordo com Ricardo Salazar, advogado afeto ao apoio jurídico da iniciativa, os referidos elementos em protesto foram posteriormente conduzidos a esquadras para o reconhecimento de outros intervenientes.
«Chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra», revelou o jurista, acrescentando que, nas instalações policiais, foram exibidas «fotografias para serem identificadas pessoas».
O causídico referiu ainda suspeitas sobre a extensão destas práticas a unidades hospitalares: «Também foi indicado que supostamente está a acontecer a mesma coisa em hospitais onde as pessoas vão para receber tratamento. Polícias à paisana estão a identificar pessoas, o que, a ser verdade, é algo bastante sério e grave.»
Caso se confirme, abre-se caminho «a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo», analisou, alertando: «O que estamos a verificar, neste momento, é que estamos a ultrapassar todos os limites da saudável convivência entre Povo e Governo e, neste momento, estamos a assistir a uma escalada de violência que tem de ser parada porque isto coloca em causa o nosso Estado de Direito.»