A trave traiu o Liverpool, o mesmo aconteceu ao Arsenal… num canto (crónica)
Arsenal e Liverpool empataram num duelo em que Arne Slot ganhou a batalha tática a Mikel Arteta, mas no qual nenhuma equipa conseguiu chegar ao golo – o Aston Villa e o Manchester City agradeceram.
O Liverpool gastou 235 milhões de euros no verão para trazer Alexander Isak e Hugo Ekitké e, com eles, golos, muitos golos, esperavam os reds. Esta sexta-feira, não tiveram nenhum deles, com o francês a juntar-se ao sueco na lista de lesionados. Jogou Florian Wirtz a falso 9 e a equipa não conseguiu furar a defesa coriácea do Arsenal, centrada no duo Gabriel-Saliba.
O alemão até foi o mais criativo da equipa, com alguns pormenores de qualidade, mas faltou claramente poder de fogo na frente. Frimpong, veloz e inconsequente, e Gakpo, muito longe das zonas de decisão, acrescentaram mais na contenção de jogo do que na criação de oportunidades.
Do lado do líder, Martin Odegaard foi uma sombra do que já mostrou ser e o Arsenal teve muito pouco jogo interior, caindo com muita facilidade no vício da lateralização constante do jogo. Quem sofreu mais foi Gyokeres. Pouco solicitado e sem se mostrar, saiu cabisbaixo aos 64’.
Serenata à chuva
Londres em janeiro é palco de muita chuva e foi esse o caso na 1.ª parte. Vários jogadores escorregaram e neste tempo, Bukayo Saka foi quem mais brilhou, ao driblar (17’) com muita qualidade Kerkez e Mac Allister antes de causar o pânico na área adversária, e a assustar (18’) Alisson com um remate colocado.
O maior mérito do Liverpool neste jogo foi conseguir, em muitas ocasiões, ter bola, temporizar o jogo e colocar água na fervura, para ter aquele jogo de posse controlada que Arne Slot tanto deseja. Só que foi numa corrida desenfreada de Conor Bradley que surgiu uma grande oportunidade.
O lateral provocou um enorme erro de Gabriel, que quase traiu David Raya, com o guardião a ver Bradley fazer-lhe um chapéu quase perfeito… não fosse a bola esbarrar na trave.
Ninguém quis o ouro
Os gunners não conseguiram de todo impor o seu jogo na 2.ª parte e passaram muito mais tempo a correr atrás da bola do que desejariam. Após o intervalo, o Arsenal teve 34% de posse de bola e só fez o primeiro remate aos 90’ – cabeceamento fraco de Gabriel Jesus à figura de Alisson.
Já Arne Slot não pareceu ter confiança nos suplentes (Giorgi Mamardashvili, Freddie Woodman, Joe Gomez, Federico Chiesa, Curtis Jones, Andrew Robertson, Trey Nyoni, Calvin Ramsay e Rio Ngumoha), tanto que só trocou Bradley por Gomez quando o primeiro saiu lesionado aos 90+4’. Apesar da equipa ter posto em prática uma estratégia bem delineada, não foi refrescada e acabou o jogo cansada.
Aproveitou o Arsenal para ficar muito perto da vitória nos minutos de compensação. Aos 90+7’, canto para o Arsenal. O Estádio Emirates susteve a respiração, na ânsia de ver o golo num lance que tem dado tanto sucesso a esta equipa. Madueke bateu o canto, Alisson ficou preso na muralha de jogadores do Arsenal e Gabriel surgiu sozinho ao segundo poste, a voar em direção à bola... mas a cabecear mal e para fora. Com o brasileiro no chão a pensar no que falhara, o árbitro terminou logo com a partida.
Em 30 jogos realizados esta época, o Arsenal só não marcou golos ao Liverpool, que ganhou quatro pontos àquele que é o maior candidato ao título e, pelos menos, mantém os seis pontos de vantagem para citizens e villains. O Liverpool está em 4.º, com 35 pontos e somou a terceira igualdade consecutiva.
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