A população cabe toda no Maracanã, mas joga na 'Bombonera' e está a desafiar os grandes
São Paulo tem 11,5 milhões de habitantes, a que se somam mais de 10 milhões nos arredores. O Rio de Janeiro tem 6,2 milhões fora as cidades em torno. Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte chegam a 2,5 milhões, Recife e Porto Alegre têm quase 1,5. Pois em Mirassol moram 65 mil brasileiros, menos 13 mil do que o Maracanã cheio. E mora também o sétimo classificado do Brasileirão, com dois jogos em atraso.
Mesmo com 100 anos de vida, a comemorar no próximo novembro, só em 2019 o Mirassol chegou à Série D. Subiu à C em 2020, subiu à B, em 2022, e, no ano passado, à A. «Segredo? Amor e gestão de longo prazo», contava Júnior Antunes, vice do leão caipira, após a última subida. Um exemplo de gestão está no investimento dos 30%, cerca de 1,3 milhões de euros, ganhos com a transferência de Luiz Araújo, formado no clube, do São Paulo para o Lille, na construção de um moderno centro de treinos.
A equipa, de uma localidade situada 455 km a norte de São Paulo, está invicta há sete jogos e, desde o regresso das competições pós-Mundial de Clubes bateu o Ceará, no Castelão, empatou com o todo poderoso Palmeiras de Abel Ferreira no Allianz Parque e venceu com autoridade o Santos de Neymar no acanhado Estádio Municipal José Maria de Campos, 15 mil lugares, chamado pelos adeptos, com cómico exagero, de Bombonera Paulista.
No campo, o lateral-direito Lucas Ramon, o central João Victor e os médios Neto Moura, Danielzinho e Gabriel transitaram de 2024. Somou-se ao onze o guarda-redes Walter, ex-Cuiabá, o zagueiro Jemmes, cedido pelo secundário Vila Nova, ou a estrela Reinaldo, lateral-esquerdo de 35 anos ex-Grêmio que já vai em sete golos, atrás apenas dos atacantes Kaio Jorge, Arrascaeta ou Vegetti na prova. No ataque, Edson Carioca, Negueba, Yuri Castilho, Cristian Renato e Chico da Costa revezam-se.
Rafael Guanaes, jovem de 44 anos, comanda a equipa que está a três pontos do último do quarteto que se qualifica diretamente para a Libertadores de 2026 e com quatro de avanço sobre o oitavo, o Fluminense, semifinalista do Mundial de Clubes. «Encaramos todos os jogos como finais», disse Guanaes após bater o Ceará, quarta-feira. Sem mais competições nacionais nem duelos internacionais na agenda, a equipa só tem o Brasileirão para apostar.