A nova vida de André Silva: «Voltei a desfrutar do futebol»
André Silva, internacional português, assinou no verão passado pelo Elche, de Espanha. Com sete golos marcados em 22 jogos, é um dos melhores marcadores da equipa, que está a lutar pela permanência na LaLiga. Em entrevista a A BOLA, o ex-avançado do FC Porto fez o balanço da época até agora, nos dias que antecederam o embate deste sábado frente ao colosso Real Madrid.
— Que balanço faz à época do Elche, que neste momento está a lutar pela permanência na LaLiga?
— Em relação às minhas sensações mais pessoais, é um prazer estar a desfrutar da LaLiga e ter vindo para um clube que ambicionava jogar um futebol bonito, que arrisca, que atrai os fãs da casa e os fãs que não são do Elche. Mas é verdade que neste momento estamos a passar por uma fase mais complicada. Acho que os resultados não fazem jus à nossa qualidade e à capacidade que temos. Neste momento estamos muito perto dos lugares de baixo da tabela, mas esse não é o foco. Temos todas as capacidades para fazermos melhor.
— O Elche vem numa série de 10 jogos sem vencer no campeonato. E até começou bem, com uma sequência invicta de sete jogos. O que é que levou a equipa a este momento de forma?
— É um pouco de tudo. Desde o início da época que as expectativas foram muito altas, o que pode ter causado um grande peso em redor do grupo. Quando as coisas ficam um pouco mais difíceis o peso é maior. Também houve algumas decisões em alguns jogos por penáltis ou por oportunidades falhadas, coisas do género. O principal agora é sair dessa fase, focar e tentar fazer o melhor no próximo jogo, que é contra o Real Madrid, e demonstrar que temos essa capacidade.
— O André é um dos melhores marcadores do Elche esta época com sete golos marcados e fez três golos nos últimos cinco jogos, a Real Sociedad, Athletic Bilbao e Villarreal. A nível individual, como é que sente estar a ser esta época?
— Desde que vim para aqui voltei a desfrutar bastante do futebol, de estar nesta liga competitiva e de poder crescer. No início, as coisas estavam a correr melhor, o que fazia com que a equipa tivesse maior confiança. A nível pessoal, estou nesta fase a ter golos e resultados, e penso que isso vem de uma perspetiva de adaptação. Este é o meu oitavo clube em menos de 10 anos e uma das coisas mais complicadas, mais desafiantes, no futebol é mudar. Muda a casa, muda o treinador, mudam as filosofias, mudam os jogadores. A única coisa que não muda somos nós, mas trazer ao de cima o nosso melhor e as nossas virtudes pode demorar, pode ser um desafio maior ou menor. Neste momento, com mais tempo nesta equipa, nesta liga e neste ambiente, consigo tirar proveito disso.
— Porquê a escolha pelo Elche no verão passado?
— Tive algumas propostas bastante interessantes. Foi provavelmente a vez que tive maior capacidade ou consciência para tomar uma decisão. Dentro de todas as hipóteses, a oportunidade de vir para a LaLiga foi um peso enorme, por ser uma das ligas mais competitivas e pelo futebol que se joga aqui, mais criativo e mais técnico. O Elche demonstrou desde o início, o treinador e a direção, a confiança e a vontade de trabalhar comigo, de me ensinarem e de aprenderem comigo. Também mostraram o projeto ambicioso, apesar de terem vindo da segunda divisão, também mexeu comigo. Isso foi o principal.
— Que antevisão faz ao jogo que aí vem, com o Real Madrid?
— Do Real Madrid não é preciso falar muito. Já todos sabemos da qualidade e da grandeza do clube. Em relação a nós, sabemos também a fase que estamos a passar, é um momento em que as coisas não estão a sair tão fluidas. Mas fomos demonstrando as capacidades que temos. É uma oportunidade enorme para limar essas arestas, esses detalhes e surpreendermo-nos a nós e a todos nesse dia.