«O último em Portugal fui eu», disse o treinador do Benfica, que saiu em defesa de Rui Borges e acrescentou que as equipas portuguesas são sempre candidatas a ganhar a Europa League

«A minha expulsão é uma comédia e o castigo uma tragicomédia»: o que disse Mourinho

Conferência de imprensa do treinador do Benfica após a vitória por 3-0 com o Vitória de Guimarães; homenagem a Silvino e desejos de o Sporting não ganhar a Champions League

— Que análise faz à partida?

— Os dois primeiros golos surgem da nossa pressão, que trabalhamos bem durante a semana, mas a meio da 1.ª parte, eles posicionaram os jogadores de modo diferente e nesse período não os pressionámos até ao intervalo, porque ficamos confusos com a dinâmica posicional do Vitória. Ao intervalo analisámos imagens da 1.ª parte, definimos melhor a pressão e depois voltámos a controlar. O segundo golo acaba com o jogo, depois na parte final, já com pernas frescas na frente, voltámos a pressionar alto e o jogo podia ter ido para números que seriam tremendamente injustos para o Vitória. Não criaram muito perigo, mas roubaram-nos a bola, tiveram iniciativa e conseguiram equilibrar o jogo.

— A morte de Silvino teve influência na forma como preparou o jogo? E como foi viver o minuto de silêncio?

— Teve influência na minha alegria, mas era uma coisa que já se arrastava. Família e amigos mais íntimos tentámos dar-lhe a privacidade que ele queria. Foi um último mês pesado, difícil, mas nunca esteve em causa a minha maneira de trabalhar. Ele na parte final já não estava connosco, mas enquanto esteve connosco, a mentalidade dele é como a minha, é trabalhar e andar para a frente. Não poder ter ido ao último momento… se calhar ele dir-me-ia para eu vir ao jogo e ganhar. Ainda ontem a minha mulher me dizia que parecia mentira, mas é verdade. Ver o Silvino no ecrã gigante no estádio fez-me recordar que ele foi embora. Enquanto estiverem cá pessoas que o amam, e há muitas, ele vai continuar vivo.

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— Que comentário faz à suspensão de que foi alvo, sente que está a ser perseguido?

— Não, porque é o meu primeiro castigo desde que estou no Benfica. Mas foi evidente demais que aquilo que me acusam não é verdade. Surpreende-me o castigo, porque ele tem como base uma mentira. A justiça, seja ela desportiva ou social, deve partir sempre da verdade e as imagens mostram claramente que eu não chutei a bola para o banco do meu adversário. Chutei para o público, como já fiz aqui várias vezes. Só que, desta vez, o que quiseram interpretar deste modo. Mas não sinto perseguição.

— Ficou satisfeito com a continuidade de FC Porto e Sporting nas competições europeias e sente que esta vitória do Benfica lhes coloca pressão?

— Não faço ideia se causará ou não. Se me faz a pergunta em relação às competições europeias, fico contente pelo futebol português, fiquei contente pelo rui Borges, que foi massacrado depois de perder um jogo que, sim, devia ter ganho, mas que eu também já perdia lá e por números maiores [1-6 pela Roma em 2021]. As equipas portuguesas são sempre candidatas a ganharem a Europa League e o FC Porto e o SC Braga podem ganhá-la, a Champions League é mais complicada. Não gostava que o Sporting fosse campeão europeu, o último em Portugal fui eu.

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— Porque apostou em Sudakov em vez de Rafa atrás de Pavlidis?

—Meti o Sudakov, porque a nossa equipa quando perdeu o Aursnes, perdeu o controlo do jogo. Perdeu fluidez, consistência, critério, perdeu muita coisa. E não tendo um médio para substituir diretamente o Aursnes, com o mesmo tipo de características, achei que se mudasse o número ‘10’ mais vertical, por um número ‘10’ que baixa mais e que vem buscar mais jogos junto da primeira linha, que podia dar um bocadinho mais de consistência à equipa. Provavelmente quando o Aursnes voltar, provavelmente voltarei à estabilidade que ele me dá e aí já posso procurar mais jogo vertical. 

Otamendi está em condições físicas de ir agora para a seleção da Argentina?

— Otamendi, na seleção argentina, tem algo muito próprio, que é um núcleo muito forte e mesmo que os jogadores não estejam em boas condições para jogar, aproveitam para estar juntos, para viajar, trabalharem, eles têm este tipo de cultura lá, e o Nico iria sempre. Felizmente, posso dizer entre aspas, que “recuperou”, se hoje tivesse jogado, havia ali um risco, mas pode perfeitamente ir para a seleção, sem nenhum tipo de problema.

— Que comentário faz à exibição de Enzo Barrenechea a central e porque não apostou em Richard Ríos nesse lugar?

— Fez um ótimo jogo, tivemos uma semana longa, uma semana limpa onde treinámos, quatro dias, três dos quais, trabalhámos taticamente, o Nico não estava, o Gonçalo Oliveira também não estava, porque estava na Youth League, e então, entre Enzo e Ríos não havia dúvidas, porque um é mais cerebral, o outro é mais impulsivo, mais emotivo. Ríos fez um excelente trabalho no meio-campo, o Enzo é mais cerebral, o único problema podia haver, se o Vitório nos pusesse a defender em bloco baixo, com cruzamentos, com um jogo na zona da área.

— Considerou não ir hoje para o banco hoje para cumprir já a suspensão de dois jogos?

— Não porque eu e o Benfica, apesar de, às vezes, as palavras serem contrárias, nós queremos acreditar na justiça. Mas por que motivo é que eu devo ser investigado? Eu devo ter quase o recorde mundial de expulsões, enquanto treinador, mas sei reconhecer quando sim, e sei reconhecer quando não. E esta expulsão é uma comédia, o castigo é uma tragicomédia e não ter estado no banco em Arouca foi injusto e não estar hoje seria uma dupla injustiça. Portanto, fomos ao banco hoje sem nenhum tipo de problema, e se eventualmente vier posteriormente [outra suspensão], será uma prova nem sempre a verdade é posta em cima da mesa.