Treinador do Sporting não escondeu o orgulho pela exibição rubricada pelos comandados na primeira parte

A melhor exibição e o 'slogan' para a época: tudo o que disse Rui Borges

Análise do técnico leonino após vitória frente ao Casa Pia

Rui Borges, treinador do Sporting, mostrou-se muito satisfeito com a vitória por 2-0 frente ao Casa Pia. O técnico leonino considerou esta uma das melhores exibições desde que treina os verdes e brancos, elogiou os reforços Luis Suárez e Ricardo Mangas e afirmou não saber da gravidade das lesões de Maxi Araújo e Diomande.

— Análise ao jogo.

— Já tinha sentido na Supertaça que a equipa deu uma resposta muito boa. Hoje foram competentes a manterem o que conseguiram perante o adversário passado e a serem mais fortes e consistentes. Foi uma primeira parte muito, muito boa. Este foi um dos jogos mais bem conseguidos desde que cheguei ao Sporting. Com o Benfica fizemos um belíssimo jogo. Hoje fomos melhores. Faltou-nos finalizar da melhor forma mas criámos várias oportunidades. Os jogadores mereciam sair com outro resultado pelo que fizeram e pelo que não permitiram fazer ao adversário. Não podia estar mais feliz e orgulhoso. A segunda parte, principalmente depois das lesões, quebrou um bocadinho. Era natural que fôssemos caindo de parte a parte, que o adversário fosse mais pressionante. Era importante que mantivéssemos o rigor, foi isso que pedi ao intervalo. A equipa manteve-se rigorosa, criámos oportunidades para fazer mais golos, mas a vitória peca por escassa, acho que nem é contestada. Não só pela capacidade mas também pela qualidade que a equipa teve na partida.

— Era importante Luis Suárez marcar na estreia?

— Era por tudo o que deu à equipa em 90 minutos. Fez uma exibição ao nível do Trincão, o Pote também merecia sair com um golo, por tudo o que criou, que fez, que jogou. Coletivamente estivemos muito bem e, individualmente, todos fizeram grandes exibições. Claro que o Suárez procurou o golo, criou, assistiu, fez um belíssimo jogo, à imagem da equipa. Conseguiu acompanhar a dinâmica dos colegas em tão pouco tempo e acrescentou à equipa. Estou feliz por tudo o que todos adicionaram à equipa.

— Os adeptos podem ficar descansados com a permanência de Morten Hjulmand no plantel?

— Vou falar do Hjulmand no jogo. Mais uma grande resposta do capitão de equipa, um belíssimo jogo à imagem daquilo que faz sempre. Segurou a equipa, orientou-a — porque o capitão é um bocadinho isso lá dentro — e ele fez um grande jogo, à imagem do coletivo. Aos adeptos, é dizer-lhes 'muito obrigado' por tudo o que fizeram ao longo do jogo, que é o que fizeram na última época: acreditaram connosco, apoiaram os jogadores ao longo de todo o jogo. Isso é que me importa: sentir os adeptos com a equipa, com o grupo, com todos eles. Não só com o Hjulmand.

— Esta época querem mostrar que podem ser campeões sem Gyokeres?

— O Sporting é campeão. Não são as pessoas. Já passaram n grandes treinadores aqui e muitos, a grande maioria, não ganhou. Já passaram n grandes jogadores que não ganharam. E o Sporting continuou a ganhar. O importante aqui é o Sporting continuar a ganhar, a fome da estrutura, que passa para o grupo. E o grupo mostrou claramente a ambição e a fome de continuar a ganhar, de perceber que vai ser cada vez mais difícil, mas continuamos a querer dar uma demonstração de que somos uma grande equipa e representamos um grande clube.

— Depois da derrota com o Benfica na Supertaça esta vitória ganha ainda mais importância? Como estão Maxi Araújo e Diomande, que saíram lesionados? Podem desfalcar à 4.ª jornada, frente ao FC Porto?

— Não perguntei ainda ao doutor. Requer alguma análise e alguma leitura. Não sei. Espero que não seja nada muito grave. O mais importante é a próxima jornada, com o Arouca. Espero que não seja nada de grave. Em relação a vir após perder um troféu: era importante mostrarmos que, apesar de não termos ganho, tínhamos feito uma boa exibição. A equipa sentiu isso. No fim do jogo saí tranquilo e tive oportunidade de dizer que estava tranquilo em relação ao futuro. Era importante sentir que acreditaram mesmo nisso. Foi isso que passaram para nós durante a semana, mesmo no final do jogo. Hoje demos consistência ao que foi o jogo da Supertaça. Mostraram isso. Deixa-me satisfeito a equipa não ter perdido a confiança do que foram capazes de fazer apesar da derrota no troféu, frente a um adversário muito bom, e num jogo em que fomos superiores no jogo jogado. O futebol nem sempre é assim. Na Taça, se calhar não fizemos um grande jogo e fomos felizes. Estou feliz, acima de tudo, pela consistência e por sentir que eles acreditaram que fizeram um bom jogo e que as coisas estão a ser bem feitas.

— Sente que vai conseguir repetir esta primeira parte?

— Oxalá que sim, e lutamos sempre para sermos melhores. Mas na primeira parte fomos fortíssimos em todos os momentos: fomos pressionantes, competitivos, na qualidade de jogo, na finalização. Só podíamos ter melhorado nas situações de golos. A primeira parte foi muito mais forte porque, no seu todo, fomos claramente muito bons. Na segunda parte baixámos um bocadinho mas também fomos bons. Mantivemos as dinâmicas e tivemos jogadas muito bonitas na segunda parte de ligações próprias da nossa equipa. Estou feliz, acima de tudo. Sabemos que temos de ser melhores. É a minha ambição. Por isso é que se calhar consegui chegar ao Sporting. A ambição de querer ser melhor trouxe-me até aqui. Estou muito feliz mas queremos ser melhores. Os jogadores também são assim. Por mais que ganhemos, eles querem ser melhores e continuar a marcar a história do Sporting. É isso que tem de nos mover. Os campeões não aumentam, não questionam, porque estão ocupados a ser melhores. É esse o slogan que quero para esta época.

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— O Sporting perde na verticalidade mas ganha um avançado forte no jogo associativo.

— Sei bem o que me move e o que quero para a equipa. Em relação ao que nos dá o Suárez: dá profundidade, jogo associativo, transição defensiva, organização defensiva. Acrescenta muita coisa ao coletivo. É mais maduro que o Harder, é natural. Poderá melhorar, e melhorará com toda a certeza no aspeto de perceber melhor o jogo. Um tem 19 anos, outro tem 26 ou 27 anos. Importa-me perceber que as dinâmicas dizer. Digo, desde o primeiro minuto: como treinador dou 15 ou 20%. Se os fizer acreditar nesses 20, os outros 80 são tomadas de decisão deles. Dou 20% na estratégia, na organização. Se eles acreditarem nisso, depois, com a qualidade deles... Por isso é que estão no Sporting, porque são bons, são melhores que os outros. Por isso é que ganham. Claro que a tomada de decisão também se treina. A mim compete-me fazê-los acreditar nesses 20%. Se eles acreditarem, seremos campeões novamente.

— Vamos ver mais vezes Harder e Suárez? Porque é que Geny Catamo está à frente de Geovany Quenda?

— É opção, só e apenas. Têm treinado muito bem, tanto um como o outro. É só decisão. É mais estratégico, Tem a ver com o sentimento do jogo. Estou feliz por ter os dois no Sporting e por tê-los como solução. Dois avançados é algo que pode acontecer. São muitos jogos, muitas soluções.