Paulo Fonseca fez a estreia como treinador do Sporting. Foto: Miguel Nunes
Paulo Fonseca fez a estreia como treinador do Sporting. Foto: Miguel Nunes

A estreia, os assobios e um Moreirense que «não existiu»: o que disse Paulo Fonseca

Treinador do Sporting analisou a vitória frente ao Moreirense (1-0), em jogo da 11.ª jornada da Liga

— Qual a sensação de se estrear em Alvalade? Que análise faz ao jogo?

— Sendo sportinguista, foi um momento especial, subir ao relvado com os nossos adeptos, com este ambiente fantástico, foi magnífico. Era difícil de imaginar que um dia isto poderia acontecer. Foi especial. Relativamente ao jogo, merecíamos muito mais. Fomos quase sufocantes na nossa pressão e a equipa esteve muito agressiva. Estivemos muito fortes na reação à perda da bola, a equipa esteve mais junta, o que permitiu que a pudéssemos recuperar. Faltou fazer dois ou três golos na primeira parte, e, se virmos os números do jogo, pode confirmar-se isso. Na segunda parte, não fomos tão consistentes, apesar de continuarmos a pressionar sobre a primeira linha, mas fomos perdendo um pouco o nosso domínio com bola, talvez fruto do momento da equipa. Mas gostei muito. A equipa correspondeu àquilo que lhes pedi. Agora, podemos fazer ainda melhor.

— Sente que Pedro Lima pode estar abalado, por não ter sido titular, depois de um momento em que se estava a afirmar? Que análise faz da organização defensiva da equipa?

— Penso que não. O Pedro estava no banco. Foi uma opção. Só podem jogar 11 e eu tenho que fazer as minhas opções. O Pedro é um jogador de grande valor e de grande futuro, com o qual nós contamos.

Sobre a nossa organização defensiva, foi uma das preocupações. Naturalmente, em dois dias nós não temos muito tempo, mas uma das preocupações foi tornar a equipa mais curta, mais próxima, sermos mais agressivos na questão do pressing, e aí a equipa esteve realmente bem. Reparei que os nossos centrais estiveram sob grande pressão, às vezes com alguns assobios. As pessoas têm que entender que faz parte do jogo. O facto de eles terem mais tempo a bola, de serem eles a provocar uma reação no adversário, são coisas que eu peço e eles estiveram bem, demonstraram caráter, fizeram aquilo que eu lhes tinha pedido.

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— A falta de oportunidades de golo do Sporting é uma preocupação?

— Não, se compreendermos aquilo que é o jogo, percebemos o porquê. Este é o contexto mais difícil num jogo de futebol: equipas em bloco baixo, muito compactas. Nós temos que ter um jogo posicional quase perfeito para conseguirmos criar ocasiões. Ainda assim, a equipa tentou e na primeira parte poderíamos ter ido perfeitamente a vencer por 2-0 ou 3-0.

— A pausa para seleções preocupa-o, tendo em conta que vai ficar com menos jogadores para trabalhar? E em relação à baliza, optou por Kaique: qual o motivo?

— Opção nossa. Falei com o meu treinador de guarda-redes e optámos. O Rui tinha jogado o último jogo, neste jogo decidimos pelo Kaique, mas foi só uma questão de opção para este jogo. Vamos ver o que é que nos reserva.Gostei muito do Kaique hoje.

Em relação a haver preocupação, preocupação se calhar não é a palavra exata. Gostaria de ter mais tempo, ter mais jogadores. É trabalharmos com os que temos e esperar pelos outros para podermos continuar a tentar implementar aquilo que queremos.

— O que é que disse aos jogadores ao intervalo, até porque já se ouviam assobios à equipa?

— Sinceramente, não ouvi. Ouvi na segunda parte, na parte final. Disse-lhes que tínhamos que continuar, que gostei muito da primeira parte e que tínhamos que continuar a ser pressionantes, a ter a bola, a circular a bola para encontrar os espaços que nós queríamos.

— Sobre Luis Suárez: como é que descreve o golo visto do banco? E a saída do colombiano foi por gestão, tendo em conta a acumulação de amarelos que podia colocar em causa o clássico?

— Foi sobretudo pelo cansaço. O Suárez trabalhou muito defensivamente, correu muito para pressionar aquela linha defensiva e estava extremamente cansado. Naturalmente, não vou mentir, também pensei na questão do cartão amarelo e foi por isso que saiu. Relativamente ao golo, foi um grande golo, de um jogador fantástico, é um grande avançado.

— Tendo dito que a organização defensiva era uma prioridade e, tendo falado da ineficácia, a finalização passa a ser também uma prioridade? E em relação à parte final da partida, sentiu intranquilidade na equipa?

— É sempre uma prioridade. Todos os momentos do jogo são prioridades. Deixe-me dizer uma coisa: o Moreirense não existiu hoje. O Moreirense não teve uma oportunidade clara de golo. Esteve bem defensivamente, mas nós estivemos melhor a gerir com bola. Tivemos 70 e tal por cento de posse de bola. Essa foi a melhor forma de defender. O Moreirense não nos criou qualquer tipo de perigo hoje e acho que a equipa esteve bem defensivamente.

Aquilo que senti não foi por momentos de aflição que tenhamos tido. Os assobios que existiram têm a ver com uma coisa que eu peço, que é aos nossos centrais, quando temos blocos baixos, terem de fixar o adversário, obrigá-los a tomar decisões. Às vezes isso não é muito rápido, mas é uma forma de nós arranjarmos linhas de passe e provocarmos. Eu só senti isso nesse momento. As pessoas não estão habituadas a este tipo de jogo, mas é uma coisa que é essencial para nós e vai fazer parte do nosso jogo.

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