A dívida de Ivanovic... que não é Gyokeres: tudo o que disse Bruno Lage
O início da conferência de imprensa de Bruno Lage de rescaldo à vitória do Benfica em Nice ficou marcada pela homenagem do treinador encarnado a Jorge Costa, falecido na última terça-feira: «Antes de mais, quero apresentar os meus sentimentos pelo falecimento do Jorge Costa. Marcou uma geração, todos nós vibrámos com os triunfos da Seleção Nacional, quer nos sub-21, quer na A, por isso quero apresentar as minhas concorrências à família e ao FC Porto. Marcou uma geração que gosta de futebol..»
O treinador encarnado partiu posteriormente para a análise da vitória do Benfica na primeira mão da 3.ª pré-eliminatória da UEFA Champions League:
-Penso que foi uma vitória justa, segura, controlamos o jogo, quer ofensivamente, quer defensivamente, criámos as oportunidades necessárias para vencer por 2-0.
-Pelo segundo jogo consecutivo o Benfica mantém a liderança no marcador, com relativa facilidade. A estabilidade emocional da equipa aumentou?
-Falámos muito no ano passado sobre isso, sentia que a equipa tinha que crescer muito nesse momento, no controlo. Não é só no treino que esse momento iria crescer. O mais importante é os adeptos aceitarem o nosso trabalho e aquilo que nós vamos fazendo para termos os resultados que tanto querem.
-Tal como na Supertaça, o Benfica a marca logo no início da segunda parte. Houve novamente algum pedido especial á equipa ao intervalo?
-Há sempre, um dos melhores aspetos que temos é a facilidade de comuncar para os jogadores e eles acreditarem nas nossas ideias. Reforço o mérito dos jogadores em todo momento e depois procurar os espaços que temos de ter segundo o nosso sistema de jogo.
-Como é que antecipa a dinâmica entre Pavlidis e Ivanovic como dupla de avançados?
-É com o tempo e com muito trabalho que eles se vão conhecer. A exibição do Ivanovic é segura, marca um golo. Nós esperamos muito golos dele. Para colocar pressão nele no primeiro jogo eu tinho dito que ele tinha que fazer 5 golos em 15 minutos, só fez um em 75, por isso ainda não me está a quatro golos. É deixá-lo crescer, ter automatismos fundamentais para o jogo ser ainda mais flúido e adaptar-se a uma cultura exigente, diferente da que ele tinha, como é a do Benfica. Depois sabemos que ele podia oferecer isto: estar presente na área, no pequeno detalhe, como o Pavlidis esteve na primeira parte para finalizar, e na segunda parte aconteceu com o Ivanovic. São dinâmicas de ponta de lança. A mais simples de dizer que é quando um baixa para ligar, o outro tem de empurrar a linha defensiva para abrir mais espaços. Tudo o resto são detalhes que eles vão combinar.
A colocação do Ivanovic de início permitiu aumentar os níveis de agressividade que pretende?
-Não é só um jogador, não é só o Ivanovic, a equipa tem apresentado a tal agressividade competitiva que pretendemos. Mas o mais importante é valorizar o trabalho do coletivo e também o trabalho de dois jogadores que são muito importantes para nós. Quer o [Leandro] Barreiro, que iniciou o último jogo, da Supertaça no onze inicial, que foi muito importante na conquista da Supertaça e hoje, questões estratégicas, achámos que poderíamos começar com dois avançados. Mas saltou do banco e voltou a ajudar a equipa, assim como o Tino, um jogador muito importante para nós. É um dos pilares desta equipa, ajudou a conquistar a vitória e até a aumentá-la.
-Encontra semelhanças entre Ivanovic e Gyokeres?
-Acho que são jogadores diferentes. Um fez um trajeto muito bom ao serviço da sua equipa. O que nós queremos do Ivanovic é que seja ele próprio, que faça um percurso muito bom e que possa contribuir com as exibições cada vez mais sólidas e com golos.
-Que análise faz às primeiras exibições de Dahl como a primeira escolha para lateral-esquerdo?
-O Samuel [Dahl] fez uma exceção segura ao nível da equipa. Temos todos muito para crescer, para nos conhecer uns aos outros e é nesse caminho que nós temos que continuar. Como disse anteriormente, o tempo seria um adversário que nós teríamos que vencer porque tínhamos um troféu para ganhar, temos um caminho para percorrer nestas pré-eliminatórias que temos que vencer para estarmos presentes na fase de liga da Liga dos Campeões. Por isso há esse caminho, para sermos mais sólidos e mais consistentes.