A análise de Pedro Henriques à arbitragem do Rio Ave-FC Porto
11' Sem falta. Na execução do pontapé de canto, onde Nehuén Pérez finaliza de cabeça, Pablo Rosario, na frente do guardião do Rio Ave, não o obstrui, bloqueia, empurra ou carrega, baixando-se inclusivamente, sendo que é Van der Gouw que vai tocar nele. Golo legal e sem infração.
34' Adiantado. Froholdt cruza a bola e Kiwior em disputa-a com Blesa, toca de cabeça no esférico, com Deniz Gul, que estava em posição de fora de jogo (73 cm) a vir da frente para trás, tomando parte ativa na jogada tocando no esférico. Bem o VAR a anular o golo por fora de jogo. O VAR esteve muito bem na anulação do golo aos dragões por fora de jogo, que após a colocação das respetivas linhas mostraram que foi de 73 cm o adiantamento de Deniz Gul, após toque de cabeça do seu colega Kiwior. Já ninguém tem dúvida da importância da tecnologia no auxílio à tomada de decisão do árbitro, mas era importante acompanhar a evolução dos tempos e continuar a investir e neste caso concreto era importante termos também o chamado fora de jogo semi-automático, mais preciso e com menos intervenção humana e sobretudo a tecnologia de linha de golo (TLG), pois em ambos os casos reduzem a quase 100% o erro de visão e ação humana. Outros desportos sem o impacto que tem o futebol, e em Portugal, já tem essa tecnologia, não faz sentido que o desporto mais mediático e impactante e com mais dinheiro movimentado (Federação e Liga) a nível nacional não tenha igualmente.
42' Amarelo. Diogo Nascimento empurra pelas costas Deniz Gul, era falta (livre direto). Ato contínuo e em desequilíbrio, o avançado, forma deliberada, roda o seu braço direito para trás, acertando com a ponta dos dedos na boca do médio. Advertência por fazer.
45+1' Choque. Tamble Monteiro queixou-se da cara, não porque sofreu qualquer infração, pois, ao saltar numa 'molhada' de jogadores, não foi agarrado, empurrado ou carregado, mas porque levou com o esférico no rosto. Tudo legal e sem motivo para penálti.
58' Na bola. Na área vilacondense, Nikitscher chuta com o seu pé direito na bola, não rasteirando ou pontapeando o pé de William Gomes, que cai porque, ao estar já a pisar a bola, acabou, pelo impacto, perder o apoio. Lance legal e sem penálti.
81' Ressalto. Na área dos vilacondenses, Lomboto ao interceptar o esférico, chutou a bola com o seu pé esquerdo, com esta a subir e ir diretamente à sua própria mão direita, um ressalto que pela lei não é penalizada. Tudo legal e sem motivo para pontapé de penálti.
90’ Os dois minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido, foram completamente desajustados em relação s incidências do segundo tempo, pois, para além do golo, houve seis paragens para substituições onde entraram dez jogadores. A premissa de que nas substituições os jogadores passaram a ter apenas dez (10) segundos para abandonar o terreno de jogo e que é esse tempo perdido numa substituição e daí a redução do tempo dado nestas paragens, acaba por ser uma falácia porque na realidade entre o momento em que o 4.º árbitro chama o árbitro, levanta a placa com os números do jogador que vai sair e do que vai entrar, e o jogo se reiniciar, passam sempre mais de 30 segundos em todo este processo.
O VAR na anulação do golo. Deixou jogar, refletindo-se essa forma de arbitrar nas apenas 12 faltas.
Faltou mostrar um cartão amarelo. O tempo adicional dado na segunda parte, dois minutos, foi escasso.
Miguel Fonseca, da Associação de Futebol do Porto
Assistentes: João Martins e André Costa; 4.ºárbitro: Cláudio Pereira; VAR/AVAR: Cláudia Ribeiro/André Campos