A análise de Pedro Henriques à arbitragem do Benfica-Hearts (com vídeo)
3’: Sem fora de jogo. No golo marcado por Rafa e na construção da jogada pelo corredor direito do ataque dos encarnados, quando Alexander Bah passou para Leandro Barreiro este estava em posição legal, pois tinha entre si e a linha de baliza mais de dois adversários.
23’: Sem falta. No pontapé de canto que resultou no segundo golo dos encarnados, não houve qualquer infração por parte de Tomás Araújo. Ao saltar, promoveu um contacto sem falta (não se apoiou nem empurrou), com o braço esquerdo sobre o ombro direito de Spittal.
33': Prestianni rasteirou Calvin Miller com o pé direito no pé esquerdo, à entrada da área dos encarnados, cortando assim um ataque prometedor, pois o extremo escocês, se não fosse derrubado, poderia entrar na área com perigo. Cartão amarelo bem mostrado.
41’: Agarrou. No interior da área dos escoceses, Laurent Mendy, com a mão direita, agarra e puxa o ombro direito de Prestianni. Penálti bem assinalado e cartão amarelo. Por ser um agarrão, nunca é considerado tentativa de jogar a bola e não se aplica a lei da dupla penalização.
45': O árbitro deu um minuto de tempo extra (recuperação de tempo perdido), o que foi escasso, pois na primeira parte houve a mostragem de dois cartões amarelos, três golos (um deles de penálti) e um golo anulado pelo assistente, com confirmação do VAR.
45+1’: Anulado. No momento do passe de Leandro Barreiro para Pavlidis, este está em fora de jogo, pois tem apenas um adversário entre si e a linha de baliza (seriam necessários, pelo menos, dois). Se houvesse penálti de Spittal sobre Barreiro, que não houve, o fora de jogo seria a primeira infração.
70’: Amarelo. Bem advertido o capitão da equipa do Hearts, Blair Spittal, por uma falta tática. Derrubou Rafa Silva quando este saía em contra-ataque, através de uma entrada lateral negligente, pois com o pé esquerdo toca e derruba o pé direito do extremo encarnado.
72': Golo legal da equipa escocesa, sem qualquer infração à lei do fora de jogo. No momento do passe de Guendouz para Tom Renaud, que finalizou, este tinha mais de dois adversários entre si e a linha de baliza.
79': Cartão amarelo bem mostrado a Alexander Bah, porque, por trás e com o braço, derrubou McPake quando este entrava lateralmente na área. Foi uma infração que cortou um ataque perigoso, enquadrando-se a advertência num contexto de interrupção de ataque prometedor.
A intervenção do VAR a reverter um livre direto para penálti. A gestão disciplinar e o golo anulado às águias.
89': Cartão amarelo bem mostrado a Cláudio Braga por uma entrada fora de tempo sobre Leandro Barreiro. Sem intenção de jogar a bola, atingiu apenas as pernas do adversário — uma entrada negligente, bem sancionada disciplinarmente.
90': O árbitro deu dois minutos de tempo extra, o que foi escasso para o que aconteceu no segundo tempo: houve seis paragens para substituições — nas quais entraram oito jogadores —, foram mostrados quatro amarelos e ainda houve três golos. Com a marcação do penálti (e intervenção do VAR), já nos descontos, o jogo acabou por terminar quase cinco minutos após os noventa.
Numa eliminatória em que todos os golos são importantes, o tempo extra no fim de cada parte foi escasso.
90+2': O árbitro assinalou a interceção da bola com a mão por parte de Oisin McEntee, após remate de Andreas Schjelderup, considerando inicialmente que a infração ocorreu fora da área e assinalando livre direto. Contudo, as repetições laterais são muito claras: o contacto da mão com a bola ocorreu já dentro da área de penálti. É aqui que entra a correta intervenção do VAR, que reverte o livre direto em pontapé de penálti. O árbitro aceitou a indicação sem necessidade de consultar o monitor, cumprindo o protocolo, uma vez que a localização da falta (dentro ou fora) é uma situação factual, que não requer interpretação.
Marian Barbu (Roménia, 37 anos) - 7