Endrick celebra o golo marcado à Fiorentina - Foto: IMAGO

40 minutos muito bons do Real Madrid enquanto houve pulmão (crónica)

Boa primeira parte da equipa dirigida por José Mourinho, debilidades após baixarem a guarda; Dumfries (reforço) foi titular, Carlos Espí (também reforço) entrou na parte final

O Real Madrid empatou frente à Fiorentina a duas bolas num particular realizado na Áustria, num teste que serviu para o treinador português dos blancos experimentar algumas dinâmicas interessantes, porém com tempo de duração limitado, típico das partidas de pré-época.

Dumfries e Trent jogaram em simultâneo, provando-se que esta solução pode ser usada em muitos momentos: o internacional inglês jogou como defesa direito numa linha de três, ao passo que o neerlandês assumiu a posição de ala direito, tendo ambos comunicado bem em ações ofensivas. Já do lado contrário, Carreras foi mais um elemento a solo, ainda assim capaz de ter um papel decisivo no 1-0, que chegou cedo (12'), surgindo dentro da área e cruzando rasteiro e atrasado para Endrick, que alinhando como ponta de lança recebeu de costas, rodou e rematou cruzado de pé esquerdo.

No meio-campo, Valverde (capitão) e Camavinga conduziam a pressão e eram bem acompanhados por Arda Guler. Notou-se, de resto, uma exigência de os três andarem sempre muito próximos. Foi assim, por exemplo, que resultou o segundo golo dos espanhóis: o turco ultrapassou uma linha de pressão com um passe que descobriu Camavinga em zona de progressão alta, o francês correu um pouco mais e tocou de lado, à entrada da área, onde apareceu o jovem Ciria (beneficiando de um momento de arrastamento de Endrick) para atirar rumo ao 2-0.

Foram, no total, cerca de 40 minutos muito bons do Real Madrid, ainda sem poder contar, por exemplo, com os reforços Cucurella e Bernardo Silva ou com Vini Jr e Mbappé. Mas a partir do momento em que os jogadores baixaram a guarda na reação à perda, a Fiorentina aproveitou para fazer o 1-2 no primeiro remate à baliza (até aí estava 8-0 em tentativas).

O início do segundo tempo foi diferente. A formação de Fabio Grosso teve uma entrada muito forte e agressiva, chegando perto da baliza por duas vezes. Mas foi apenas após a entrada de Moise Kean que o golo chegou, aos 57', num bom gesto de cabeça do avançado italiano a cruzamento do lado esquerdo, já dentro da área.

Quer os últimos minutos da primeira parte quer os primeiros 15' do segundo tempo mostraram algumas debilidades do Real Madrid, nomeadamente o espaço dado nas costas dos médios por uma defesa que está, ainda, muito longe daquele que será o quarteto defensivo titular. Mas nestas alturas importa mais aprofundar princípios, pelo que deu para confirmar algumas dificuldades de Carreras na ocupação do espaço entre o ex-jogador do Benfica e o central à esquerda.

Por outro lado, Mourinho terá ficado satisfeito com a resposta de Endrick nos momentos de pressão atacante. O esquerdino foi usado como ponta de lança e além do bom golo foi muito importante nos momentos de pressão ofensiva, provando que está determinado em conquistar um lugar num plantel onde tem muita concorrência.

O ex-jogador do Palmeiras saiu posteriormente para dar lugar a Carlos Espí, o avançado recentemente contratado pelos blancos ao Levante, e em pouco tempo o antigo jogador de Luís Castro mostrou que é opção forte para o jogo aéreo, algo que nenhum outro avançado do plantel tem como especialidade. Trent viu-o nas costas no defesa e colocou-lhe a bola. O cabeceamento, alto, saiu torto, mas a ideia estava lá. Nesta altura da época, o fundamental é isso mesmo: experimentar as melhores ideias.

A iniciar sessão com Google...