Mikel Arteta celebra uma das muitas vitórias da época com Viktor Gyokeres, avançado que trocou o Sporting pelo Arsenal no início desta época - Foto: IMAGO

22 anos e mais de dois mil milhões, os números do título do Arsenal

Equipa de Mikel Arteta não foi a que mais dinheiro gastou para reforçar o plantel, mas com o talismã Viktor Gyokeres e as bolas paradas de Nicolas Jover o sonho foi ganhando forma e a 'equipa do quase' conquistou mesmo a Premier League

Durou 22 anos a espera e 2080 mil milhões de euros depois o Arsenal deixa de ser a equipa do quase e sagrou-se campeã de Inglaterra no sofá, beneficiando do empate do Manchester City frente ao Bournemouth, por 1-1. Noite sem fim e na manhã de ontem Londres continuava pintado de vermelho e branco, enquanto os jogadores festejavam juntos a entrada para a história do clube.

Arsène Wenger, o francês que tinha conquistado o último título em 2003/04, surgiu no vídeo da celebração da conquista da Premier League e para dar o mérito a quem o tem.

«Conseguiram. Os campeões continuam quando os outros param. Este é o vosso momento. Agora, vão e desfrutem de cada instante», dizia o treinador francês.

Talismã foi Viktor Gyokeres, que depois de ser campeão em Portugal pelo Sporting dois anos consecutivos, chegou ao Arsenal e fez história ao ajudar o clube a vencer a Premier League 22 anos depois de um longo jejum, o que levou à criação de inúmeras piadas e que chegou a parecer que se iria prolongar.

Tudo isto e um forte investimento, principalmente nos últimos 10 anos, período em que a administração do clube de Londres investiu no plantel qualquer coisa como 1584 milhões de euros.

Olhando apenas para o início da temporada 2025/26, o Arsenal fez um esforço para contratar os jogadores que garantissem mais competitividade e uma clara capacidade de poder travar o campeão Liverpool, mas também o Manchester City de Pep Guardiola, que se apresentou como forte candidato a recuperar o estatuto de campeão.

Chegaram Viktor Gyokeres (66,90 milhões de euros), Eze (69,30 milhões), Zubimendi (70 milhões), Madueke (56) ou Mosquera (15). Momentos houve em que quem chegou foi mais ou menos criticado, alturas houve em que a contestação se levantou, mas a equipa de Mikel Arteta andou sempre na liderança ou muito perto dela. O sonho ganhava forma, apesar de à medida em que o campeonato se aproximava do fim o Manchester City se fosse aproximando perigosamente.

Não, não é apenas uma questão do dinheiro, até porque o campeão Liverpool gastou no início de época qualquer coisa como 481, 35 milhões de euros em jogadores de reconhecida qualidade, como Alexander Isak (145 milhões de euros), Florian Wirtz (125 milhões), Hugo Ekitiké (95 milhões), Milos Kerkez (46,90 milhões), Jeremie Frimpong (40 milhões) ou Giovanni Leoni (29,45 milhões). Dificilmente alguém poderia assumir-se como candidato mais forte depois de um mercado que foi verdadeira loucura.

O Manchester City não foi tão gastador, mas não deixou da contratar jogadores no valor de 301, 80 milhões de euros e também ao Etihad chegou muito talento. Semenyo (72 milhões), Reijnders (54,90 milhões), Ait-Nouri (36,80 milhões), Cherki (36,50 milhões), Donnarumma (30 milhões) ou Marc Guéhi (23 milhões) são alguns exemplos.

O Arsenal, candidato era, sem dúvida. Favorito, nem por isso, imagem ainda há pouco utilizada por Roberto Martínez quando falou das aspirações de Portugal no Mundial 2026.

Se não foi o dinheiro a principal arma, qual foi então? As bolas paradas, que tanta tinta fizeram correr durante a temporada. O número mais incrível a reter é que 36% dos golos do Arsenal nasceram de lances de bola parada e além das acusações à equipa de Mikel Arteta jogar um futebol feio, tudo se colocou em causa, até os bloqueios no limite da falta dentro da área, com vários treinadores a defenderem que as regras na Premier League têm mesmo de ser repensadas.

Do anonimato ao estatuto de estrela ascendeu Nicolas Jover, o cérebro das bolas paradas, para muitos o arquiteto do sucesso. O homem que estudou ao limite este tipo de lances e transformou o Arsenal numa equipa letal em livres e cantos, com Declan Rice como o mestre que coloca quase sempre a bola onde ela deve ser colocada. O que diz Arteta de todas as críticas?

«Só fico chateado por não marcarmos mais golos assim…»

A iniciar sessão com Google...