Moreno antes do FC Porto: «Não vivemos de vitórias morais, precisamos de pontos»
Moreno, treinador do Chaves (IMAGO)

Moreno antes do FC Porto: «Não vivemos de vitórias morais, precisamos de pontos»

NACIONAL28.12.202314:05

Técnico do Chaves espera encontrar um FC Porto «muito intenso», após a derrota dos dragões em Alvalade; admite que o plantel flaviense tem várias lacunas nos diferentes setores, mas garante que quem vier em janeiro «tem de ter muita vontade de representar o clube»

Moreno antevê uma partida «muito difícil» no Estádio do Dragão, onde o Chaves vai defrontar o FC Porto, esta sexta-feira. Apesar de considerar os portistas uma equipa «muito forte e intensa», o técnico dos flavienses acredita que é possível causar uma surpresa.

Na antevisão à partida diante do conjunto azul e branco, o treinador dos 'valentes transmontanos' admitiu o mau momento da equipa (o Chaves ocupa o último lugar da tabela), mas garantiu que o objetivo é «trazer pontos» do Dragão, apesar dos resultados negativos fora do Estádio Engenheiro Manuel Branco Teixeira: 

«Espero um Chaves competitivo, organizado, com coragem a ter bola. Nós preparámos o jogo a querer fazer isso, percebendo que do outro lado está uma equipa muito forte. É difícil jogar no Dragão. Percebemos que é uma equipa que vem de uma derrota e que isso tem implicação no jogo a seguir, eu sei que é assim que funciona naquela casa. Agora, nós também percebemos o nosso momento difícil, e não há como escondê-lo. Que tudo isto não nos tire a coragem, que eu acho que é importante. Coragem de chegar amanhã ao Dragão e deixar uma imagem diferente daquelas que teos deixado, essencialmente nos jogos fora. A forma de preparar este jogo é lembrar aquilo que temos feito nos jogos fora, e não há vergonha nenhuma de falar nisto hoje. Temos cinco jogos, quatro derrotas pesadas e uma vitória em Arouca. Aquilo que pretendemos para amanhã é, essencialmnete, não deixar essa imagem que deixámos nesses quatro jogos fora. Percebemos que temos de estar muito organizados, muito compactos. Tenho a certeza de que se só pensarmos em defender não iremos trazer nada do jogo no Dragão. Quando eu falo em coragem, é no momento com bola termos bola, metermos homens em zonas de finalização. É assim desta forma, sem nunca perder o equilíbrio, e perceber que ainda faltam dois jogos para o fecho da primeira volta. Esta situação desconfortável em que estamos deve ser encarada com tranquilidade, e ao mesmo tempo com responsabilidade.»

O histórico de confrontos na casa portista é amplamente desfavorável ao Chaves, fator que pode servir de motivação acrescida para o encontro desta sexta-feira: «Se nos focarmos só na classificação e pensarmos que uma derrota nos deixa numa situação ainda mais desconfortável, isso tira-nos o discernimento desnecessário para abordar o jogo. Neste momento, o foco tem de ser naquilo que podemos controlar, que é o jogo de amanhã. Depois, iremos pensar para a frente, vai abrir o mercado, e eu sei que me vão perguntar sobre isso. Mas nem isso nos poderá tirar o discernimento.»

«Hoje, só conseguimos controlar o jogo de amanhã. Queremos tirar coisas positivas de amanhã. Acho que pouca gente poderá acreditar nisto, em função dos nossos jogos e da situação em que estamos, mas acredito que é possível pontuar no Dragão. É com esta mentalidade que nós vamos amanhã para o Dragão, claramente. Eu não sei estar no futebol de outra forma, e não sei preparar jogos de outra forma. O Chaves nunca pontuou em 17 jogos oficiais (no Dragão). Isso é mais um desafio, algo que nos motiva ainda mais para conseguirmos tirar algo positivo, e algo positivo é tirar pontos. Nós não vivemos de vitórias morais, precisamos de pontos e temos essa consciência. É assim que vamos amanhã defrontar o FC Porto, muito forte», disse ainda.

Questionado sobre o mercado de transferências de inverno, Moreno frisou que o plantel dos transmontanos tem lacunas, em vários setores, mas explicou as características que procura nos possíveis reforços de janeiro: «O nosso foco terá de ser o jogo de amanhã. Em relação ao mercado, são óbvias e claras as nossas fragilidades. E não consigo identificar só um setor, porque as coisas são bem visíveis e não há como fugir disto. Há duas coisas muito importantes para mim em relação ao mercado: quem possa entrar tem de acrescentar, não entrar por entrar; depois o Chaves não vai pedir por favor a nenhum atleta para vir para cá. Isso é garantido. Os atletas que possam entrar terão de vir com muita vontade para representar o Desportivo de Chaves. São dois pontos essenciais, mas é um mercado difícil. Alguém que possa vir com rendimento imediato é difícil de encontrar no mercado. É um trabalho que nós, equipa técnica, e administração estamos a fazer, mas se estes dois pontos não estiverem bem claros para nós, não vai entrar ninguém por entrar. É óbvio que precisamos de reforçar-nos, mas esta necessidade não nos vai levar a tomar decisões precipitadas, comigo não vai. Quando temos de fazer vários reajustes, não é uma ou outra peça, e é verdade isto, é porque se calhar alguma coisa foi mal feita lá no início. Não importa agora estar a falar. Vamos tentar resolver as coisas para fazer uma segunda volta melhor do que a primeira.»

Os próximos três desafios do Chaves para a Liga adivinham-se exigentes, com deslocações ao Dragão e a Famalicão, e a receção ao Sporting, Porém, Moreno garante que o foco está exclusivamente na partida diante dos dragões, até pelo efeito negativo que pensar no calendário pode ter: «O calendário não é fácil, mas acho que todos os jogos do nosso campeonato são muito difíceis. O Sérgio Conceição respeita o Chaves, porque sabe o quão difícil é qualquer jogo do campeonato. Se começarmos a pensar nos jogos seguintes, isso vai condicionar o pensamento para este jogo, e eu não quero isso. Cabe-nos trabalhar para pontuar, porque nós vivemos de pontos.»

O treinador de 42 anos vincou ainda a qualidade da equipa azul e branca, revelando alguns detalhes que a equipa técnica do Chaves analisou para preparar o encontro: «Espero um FC Porto muito forte, muito intenso, Preparámos tudo, pequenos detalhes que às vezes não reparam. Compete-nos estarmos atentos a isso. A forma como repõem rápido a bola, por exemplo. Se repararem, no Dragão os apanha-bolas repõem rápido a bola. É este FC Porto intenso que vamos encontrar ao longo dos 96 ou 97 minutos. Temos de estar preparados para isso. E se tivermos de defender, em alguns momentos do jogo com 11 atletas atrás da linha da bola, e não é isso que eu quero, não é vergonha nenhuma. Qualquer equipa o faz, lá no Dragão. Até equipas da Champions, portanto nós também vamos ter esses momentos, de defender com as linhas juntas. Depois, apelo aos nossos atletas para terem a coragem e a qualidade para também fazer correr o FC Porto, para criar oportunidades e para fazer golos.»

Sobre o esquema tático que será utilizado no Dragão, Moreno não quis abrir o jogo, embora tenha admitido que pode haver mudanças na disposição tática dos flavienses: «Posso dizer que é tudo possível. Não sei se é para o jogo de agora no Dragão, se é para o futuro... Acho que nós, treinadores, por muito confortáveis que possamos estar com uma estrutura tática, temos de perceber os atletas que temos à disposição para trabalhar. É claro que a nossa defesa a cinco não tem resultado. Temos sofrido muitos golos, porque não temos tido a bola que eu gostaria de ter, também. Quando isto acontece, cabe à equipa técnica tomar decisões. Depende do mercado, de alguns atletas que possam entrar, agora tudo isso é ponderado por nós.»