FC Porto: «Taremi sentiu que tinha a confiança de Sérgio»
Taremi agradeceu a Conceição a confiança que lhe transmitiu. Foto: IMAGO

FC Porto: «Taremi sentiu que tinha a confiança de Sérgio»

NACIONAL04.12.202307:30

Domingos Paciência dá mérito a Conceição; iraniano voltou aos golos em Famalicão; recorda o tempo em que também foi assobiado e recebeu apoio

O regresso de Mehdi Taremi aos golos em Famalicão, depois de quatro desafios divorciado das redes adversárias, foi celebrado com um abraço caloroso do iraniano a Sérgio Conceição. Na véspera da partida, o treinador do FC Porto fez a defesa intransigente do talento do goleador e numa rara revelação da estratégia anunciou que o número 9 portista seria titular contra os minhotos. Assim aconteceu e pouco antes do intervalo, Galeno convocou Taremi para o golo, o segundo dos azuis e brancos.

Autoridade no que toca ao golo, Domingos Paciência, antigo ponta de lança do FC Porto, apreciou a forma como Sérgio Conceição acarinhou Taremi, transferindo-lhe a confiança que começava a escassear nas hostes dos dragões e eliminando eventuais dúvidas sobre a entrega do jogador. «Este tipo de mensagem de confiança por parte do treinador é essencial para um jogador. No FC Porto, durante a era Carlos Alberto Silva, eu tive um período em que andava a ser assobiado, as coisas estavam a correr mal, e ele chamava-me ao quarto antes dos jogos e dizia-me: ‘Eu não quero sabe o que os outros dizem, tu serás sempre o ponta de lança que eu quero e comigo vais continuar a jogar’. É um bocadinho o que Sérgio fez, isso aumenta os níveis de confiança. Quando o jogador sente que o treinador tem confiança nele e acredita nele, isso é meio caminho para que tudo mude», resume Domingos Paciência, que no FC Porto marcou 143 golos em 381 jogos.

Mais do que ninguém, sabe o peso que um goleador carrega nos ombros e Taremi libertou essa pressão em Famalicão. São fases normais na carreira dos jogadores, mas no caso dos avançados a pressão aumenta à medida que o tempo passa e os níveis de acerto não são os desejados. «Os avançados vivem essencialmente de golos e quando se está dois ou três jogos sem fazer golos é natural que haja alguma frustração e tristeza», constata Domingos Paciência, que revela o grande segredo para fintar a depressão: «O grande avançado, aquele que psicologicamente é forte, acredita sempre que terá um jogo em que vai marcar e em que tudo pode mudar. Em função do que foi a época passada, pelo que fez e por aquilo que todos conhecemos do Taremi, é natural que em determinada fase as coisas não saiam tão bem, mas não deixa de estar ali um grande profissional, um jogador que tem um compromisso muito grande com a equipa. Vejo muito mais virtudes no Taremi e grandes capacidades do que propriamente fragilidades.»

«MERCADO MEXE SEMPRE»

O intervalo de tempo de Taremi sem marcar coincidiu com o ressurgimento da intenção do Inter de Milão de contratar o avançado na janela de transferências de janeiro. Domingos Paciência não acredita que essa suposta reaproximação dos italianos tenha influência direta no rendimento do goleador iraniano, mas é normal que estando em final de contrato, e tendo a possibilidade de ganhar muito mais num clube e campeonato competitivos, isso mexa com o espírito de Taremi.

 «O mercado de transferências, hoje em dia, mexe com a cabeça de todos os jogadores, é impossível no contexto em que vivemos hoje, num mundo dominado pelo futebol, é impossível não mexer com a cabeça de um futebolista, porque pensa que pode sempre ganhar mais – e acho muito bem – e depois com determinada idade ainda mais se pensa nisso, que é tentar procurar um contrato que nos permita garantir o futuro», situa. Contudo, lembra que ao iraniano interessa mais manter o nível exibido nas últimas temporadas: «É natural que o Taremi possa pensar numa transferência, porém, não acho que afete o rendimento dele. Até porque o que faz com que o Taremi possa hoje em dia ter convite é graças ao que fez no passado, que foi golo. O Taremi fazendo golos cada vez mais mercado terá e ele tem consciência disso.»

MUITOS AVANÇADOS? «É NECESSÁRIO»

Evanilson, Taremi, Toni Martínez, Namaso e Fran Navarro. Esta é a hierarquia dos avançados do FC Porto. Uma ampla gama de soluções que pode parecer excessiva, mesmo à luz do denso calendário de uma equipa comprometida com tantas competições. Para Domingos Paciência, um conjunto como o FC Porto, que se propõe ir o mais longe possível na Liga dos Campeões e ganhar todas as provas internas, é uma política correta. 

Domingos Paciência aprecia as qualidades futebolísticas de Taremi

«É evidente que quando se tem muitos avançados se vá chegar ao final da época e haja um, dois ou três com menos tempo de jogo, pouco espaço, e isso condiciona a carreira de um jogador. Mas a posição de avançado é mesmo isso, é ter de fazer golos, sabendo que corre o risco de a época não lhe correr tão bem, isso aplica-se a todos, ao Taremi, ao Evanilson, o próprio Toni Martínez tem conhecido uma época intermitente nas opções do Sérgio. Mas é necessário ter esse número de avançados, mesmo em função das lesões. Quando se joga em dinâmica e velocidade é natural que as lesões surjam e nesse sentido é necessário ter três, quatro ou mesmo cinco avançados», considera.