Do guarda-redes com chapéu de chuva aos 12-2 do Benfica (sem o FC Porto ter o espião que fugiu)
Julinho foi autor de quatro golos no Benfica, 12 – FC Porto, 2. Foto: DR

HISTÓRIAS DO CLÁSSICO Do guarda-redes com chapéu de chuva aos 12-2 do Benfica (sem o FC Porto ter o espião que fugiu)

NACIONAL26.09.202319:44

Espantosa, esta primeira viagem pelos primeiros jogos para o Campeonato (e não só) entre benfiquistas e portistas. Onde se fala da sorte de ter havido um árbitro que não sabia as regras e de um adepto malandreco que levou jogador do FC Porto para a taberna na tarde em que o Benfica ganhou por 3-0 e o prémio da vitória não dava sequer para pagar meio fato…

O Campeonato de Portugal ainda não se transformara em Taça de Portugal – e foi na final da edição de 1930/31 que benfiquistas e portistas fizeram, por entre convulsões e alvoroços (ou pior…), o primeiro jogo oficial da história de ambos (porém, ainda não, em Lisboa ou no Porto…) 

Andando-se por março, por março de 1930, foi o Benfica a desafio com o Casa Pia AC, treinado por Cândido de Oliveira – e, de súbito, se agitou o Restelo (onde os gansos jogavam, à sombra do Mosteiro dos Jerónimos) em batalha campal. Carlos Monteiro, o árbitro de Setúbal, não validou golo em bola que António Roquete (que, além de guarda-redes, era já agente da polícia política do Estado Novo – havendo, depois, de marcar a brutalidade a sua passagem pela PIDE…) defendeu dentro da baliza, pondo, assim, os adeptos do Benfica em rebuliço (e ebulição). Logo a seguir, Guedes Gonçalves chocou com um adversário, o benfiquista João de Oliveira correu a tirar desforço e os dois envolveram-se em pugilato – sendo, ambos, expulsos. Oliveira, desorientado, agrediu o árbitro a pontapé – o árbitro teve de ser retirado de campo por companheiros (e polícia) quando os tumultos já se tinham espalhado em fogaréu. 

Antes do Benfica defender o título de campeão de Portugal teve um jogador suspenso por oito meses. Foto: DR

O despique acabou com 1-1 no placard - e o Benfica levou protesto à AFL. Se lhe fosse dada vitória, ficaria campeão de Lisboa – e, para além de o indeferir, a associação aplicou castigos a vários dos seus jogadores, o mais duro a João Oliveira: oito meses de suspensão. Ao sabê-lo, convocou-se Assembleia Geral de emergência para tratar do «destrato». Os sócios pendiam para que o clube «abandonasse de imediato todas as provas oficiais» (para compensar a quebra nas receitas até se comprometiam a cada qual uma quota adicional de cinco escudos), a direção achou que não – e só por isso é que Benfica ganhou o Campeonato de Portugal (de 1929/30) ao Barreirense (no que foi o seu primeiro título nacional).  

A AFL NÃO QUERIA QUE O BENFICA FOSSE DEFENDER O TÍTULO DE CAMPEÃO E POR CAUSA DISSO PASSOU O BENFICA A TER ANARCOSINDICALISTA A PRESIDENTE 

Não, a polémica não se apagou aí – e em vez de seu rescaldo, nova celeuma se ateou. Tendo a AFL comunicado, entretanto, que só aceitaria que jogadores convocados para partida com a Checoslováquia se treinassem em Lisboa, exigindo, igualmente, que o Portugal-Itália que estava em perspetiva fosse na capital, «revertendo a sua receita a favor do Cofre de Beneficência do Governo Civil de Lisboa – a FPF não lhe acolheu o desejo e pior: aplicou pensa de suspensão à AFL. 

A AFL não queria que o Benfica fosse ao Campeonato de Portugal, a AG impôs que fosse e foi assim que o ganhou ao FC Porto (no primeiro jogo oficial entre ambos)

Em contra-ataque, a associação deu aos seus clubes ordem para que boicotassem o Campeonato de Portugal (de 1930/1931). Ávila de Melo (presidente da direção do Benfica que era cunhado de António Ribeiro dos Reis) não discordava da ideia da AFL mas, não querendo tomar a decisão por si só, levou-a à Assembleia Geral que determinou: «seria imoral que o Benfica não fosse defender em campo o título de campeão». Sentindo-se por tal desautorizado, Ávila de Melo demitiu-se de presidente. No seu lugar era para ficar Félix Bermudes mas acabou por ficar Manuel da Conceição Afonso (encadernador da Imprensa Nacional, operário e sindicalista – que por isso mesmo era já figura «marcada» pela Ditadura) por ter colhido muito mais votos que Bermudes (o dramaturgo que, entre outras peças de popularidade em alta escreveu O Leão da Estrela – que do teatro passaria, depois, ao cinema…) 

ÁRBITRO NÃO SABIA REGRA E SÓ POR ISSO É QUE O BENFICA NÃO FOI AFASTADO DA FINAL COM O FC PORTO 

«Ofendida» pela inscrição do Benfica no Campeonato de Portugal, a AFL suspendeu o clube por um ano – o mesmo fazendo ao Casa Pia AC (por se solidarizar com os benfiquistas). A FPF avisou que o Benfica e o Casa Pia AC não estavam suspensos porque a AFL não «podia castigar» - e os benfiquistas entraram na competição batendo o Estrela de Portalegre por 8-3. Nos oitavos de final, o FC Porto afastou o Casa Pia – o Benfica penou para se livrar do Olhanense. 

Na primeira mão, nas Amoreiras, venceram por 5-1, em Olhão perderam por 2-0 (o jogo acabou com agressão à bofetada e ao pontapé de Montenegro ao árbitro que largou o campo em braços, com sangue a escorrer-lhe no rosto). 

Como os golos de nada valiam, o desempate apontou-se para Setúbal. No prolongamento, mal o Olhanense fez o 2-1 - o árbitro deu o jogo por encerrado, apesar de ainda faltarem 10 minutos para os 120.  Indo, assim, os jogadores cabisbaixos para balneário, de si angústia (e dos seus adeptos) se limparia, num fogacho, a angústia ao escutar-se o brado de Ribeiro dos Reis: «Então, o que há?! Os períodos suplementares são de 30 minutos, o Benfica vai protestar e ganhará com certeza o protesto.» Assim foi, o quarto jogo venceram-no por 2-0. 

Cartaz para a festa do Benfica campeão de Portugal. Foto: DR

DE «MANHAS E ARTIMANHAS» SE QUEIXARAM OS PORTISTAS, DE O MANDAREM «MATAR» O HALL SE CONFESSOU O BENFIQUISTA DESPACHADO PARA SETÚBAL 

Bem mais tranquilas foram as etapas seguintes para os benfiquistas, ante o Lusitano de Évora (7-0 e 4-2) e o V. Setúbal (3-0 e 2-1). A final, frente ao FC Porto (que a caminho de lá se desembaraçara, para além do Casa Pia, do Vianense, do Boavista e do Marítimo), foi no Campo do Arnado, em Coimbra. 

Nas suas vésperas, queixaram-se os portistas de «manhas e artimanhas» que os impossibilitaram de utilizar Pinga - o Artur de Sousa que fora buscar ao Marítimo. Com dois golos de Vítor Silva e um de Dinis, campeões foram os benfiquistas – e, não muito depois, vendo-se despachado para Setúbal, Aníbal José, contou-o à Stadium: «Deixei o Benfica quase por imposição de Vítor Silva — a pretexto de ser indisciplinado. Era acusado de incorreto e de não querer obedecer-lhe, mas, aquando da final do Campeonato de Portugal, era o Norman Hall o melhor jogador portista e podendo estorvar o Benfica, Vítor Silva veio ter comigo e disse-me: Ó Aníbal, dá uma grande pancada no Hall, inutiliza-o, quando não estamos perdidos! Imediatamente fui ao seu encontro, desanquei-o de tal maneira que os rapazes no campo disseram: Ai que lá mataram o Hall! Certo é que, logo a seguir, o Benfica fez dois goals, de nada valendo ir o desgraçado do Hall para ponta esquerda, visto que nada podia fazer. E, na outra parte, metemos o outro goal, ficando o resultado em 3-0.»

Vítor Silva, o craque do Benfica na década de 30, era estofador de automóveis (e até mandava embora do clube colegas que lhe desobedecessem…). Foto: DR

A PRIMEIRA VITÓRIA DO BENFICA PARA O CAMPEONATO EM «PISO IRREGULAR E POEIRADA INSUPORTÁVEL» (DEPOIS DE PORTISTA QUASE FUGIR PARA O BRASIL…)

Para a temporada de 1934/1935 decidiu a FPF juntar ao Campeonato de Portugal, o Campeonato da I Liga (para que houvesse, enfim, por cá competição em poule). No ano anterior, tinham os portistas ido buscar Carlos Pereira ao Boavista com promessa de lhe pagarem 800 escudos por mês – e, ao sabê-lo, Pinga (já a sua incontestável estrela) exigiu 1500 escudos de (escondido) ordenado. Que não, foi a primeira resposta. Fechado nas suas tamanquinhas, cogitou, então, atirar-se a «aventura no Brasil». 

Na véspera da partida, foi a espetáculo de revista no Parque Mayer, por lá o toparam dirigentes do FC Porto que tinham andando, num desesperado afã, à sua procura pela cidade – e, escutando que sim, que passaria a ganhar os solicitados 1500 escudos (o mesmo que Joseph Szabo, o treinador que o trouxera do Funchal recebia já) – rasgou o bilhete para o paquete que haveria de zarpar para o Rio horas depois (e era o tempo em que uma bicicleta custava 1850 escudos). 

O primeiro duelo para o campeonato entre ambos foi no Porto e o Benfica perdeu por 2-1. Foto: DR

Esse primeiro Benfica-FC Porto para a primeira edição da Liga foi nas Amoreiras – e, por ocasião das comemorações do seu 32º aniversário, indo O Marechal Carmona em «visita de cortesia» à sede benfiquista ouvira em queixa: «Impróprias estão, cada vez mais, as nossas instalações das Amoreiras: o retângulo desprovido de relva, com piso irregular e poeirada insuportável e anti-higiénica, devassado por deficiência de vedação, os vestiários sem conforto e a insuficiência de um único balneário com dispositivo de água quente.» 

Por isso, Augusto da Fonseca, que substituíra Cosme Damião como presidente da AG (que de lá saíra mais do que amargurado – zangado…) , suplicou ao Presidente da República que convencesse o governo de Salazar a auxiliar o clube na sua aspiração: «Transformar as Amoreiras num luxuoso estádio, com piscinas até, capaz de receber muito mais gente do que agora pode e tantos mais queriam» - e o que não tardou foi que o governo condenasse o estádio ao viaduto que o esventrou.

Primeiro despique do FC Porto em Lisboa para o campeonato no estádio que Salazar mandou destruir para lá se construir o viaduto para a autoestrada de Cascais. Foto: DR

«O PÚBLICO PROTESTOU, OS JOGADORES ACATARAM-NO…»

Esse Benfica-FC Porto foi a 24 de março de 1935 - e quem não coube no peão ou nas bancadas das Amoreiras, ensardinhou-se junto das linhas de marcação. Aos 20 minutos (desse primeiro Benfica-FC Porto para a história do campeonato) Vítor Silva fez «goal de boa execução» mas Manuel Marques, o árbitro de Lisboa, invalidou-o: «o público protestou, porém os jogadores acataram-no, disciplinadamente.» 12 minutos após, Gaspar Pinto, com remate forte e enviesado, pôs o Benfica a vencer por 1-0. 

Álvaro Gaspar Pinto nascera em Oeiras a 12 de fevereiro de 1912: «Foi por lá, pela terra, que fui ensaiando os primeiros pontapés». Encantado com o modo como puxara o Carcavelinhos a vice-campeão de Lisboa de 1933/1934 (a apenas um ponto do Sporting), Ribeiro dos Reis convocou-o para a seleção nacional – e (ainda mais encantado) de lá o levou, para o Benfica. 

TREINADOR DO BENFICA, O PAI DE VASCO GONÇALVES (PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL DURANTE O PREC)

Sem que Vítor Gonçalves (o pai de Vasco Gonçalves – Primeiro-Ministro que, acolitado a Álvaro Cunhal, tentaria, no PREC, fazer de Portugal país comunista) apostasse nele no Campeonato de Lisboa de 1934/35 (que o Sporting ganhou), à terceira-jornada do Campeonato da I Liga (na vitória do FC Porto por 2-1) pô-lo, enfim, no lugar de médio-centro em vez de Francisco Costa. 

Nunca mais deixou de ser titular, titular indiscutível – e ainda menos tardou que se tornasse no que Ernesto Silva afirmaria (em A BOLA) que Gaspar Pinto era (mesmo a jogar a «back», posição que passaria a fazer na fase final da carreira): «Um jogador de fibra excecional, brilhante, pundonoroso, ainda que demasiadamente brincalhão e fantasista. Com a bola nos pés, era uma incógnita, sem deixar de ser uma esperança. Tudo se podia esperar dele – desde a brincadeira que empolgava até à execução que eletrizava o público. Nas suas tardes de maior fulgor, tudo resolvia, o Gaspar, com espantosa facilidade. Desde os seus famosos cruzamentos até às antecipações e despacho fácil com qualquer dos pés, tudo executava com mestria. Foi mercê disso que se tornou ídolo das multidões – que o cognominaram O Doutor, daqueles que nunca mais se esquecerão…»

O PRÉMIO PELA VITÓRIA SOBRE O FC PORTO DAVA PARA MEIO FATO… 

Com o Benfica já a bater o FC Porto por 1-0 (nessa tarde de 24 de março de 1935), Vítor Silva (que era, então, a sua estrela maior – e andava já a contas com problema de varizes que haveria de o «condenar para o futebol» poucos meses depois…) teve largar o campo magoado em choque com um companheiro: o Rogério de Sousa. 

Mal voltou, Vítor Silva (que, então, trabalhava como estofador de automóveis) deu a Rogério de Sousa o «ensejo do 2-0» (aos 43 minutos) – e, a um quarto de hora do fim, foi dele o 3-0.  70 escudos foi o que cada jogador recebeu pelo prémio de vitória – e, para se levar da Alfaiataria Águia, na Praça da Figueira, «moderno fato a feitio» pagavam-se 150 escudos, por um mês em pensão completa numa pensão da Rua Luciano Cordeiro («com comida caseira e bifes e ovos sempre à escolha…») cobravam-se 250 escudos. 

PRIMEIROS GOLOS DO BENFICA (NO CAMPEONATO), SOFREU-OS SOARES DOS REIS (QUE REZAVA ÀS ALMINHAS QUANDO IA A PÉ PARA O TREINO)

Sendo essa a primeira vez que o FC Porto sofreu mais de dois golos em jogos para o campeonato (ainda nessa edição de 1934/1935 sofreria quatro do União de Lisboa, marcando-lhe, sete) – quem os sofreu foi Soares dos Reis. 

Soares dos Reis, o insólito guarda-redes portista que às vezes levava chapéu de chuva para se proteger no campo. Foto: DR

Manuel Soares dos Reis nascera em Penafiel, a 11 de março de 1910 – e lançando-se o Sport Club de Penafiel ao Campeonato de Promoção da AFP com ele à baliza, ao cabo de dois jogos, desclassificaram-no: «Como campo era na feira, por ser frequentado por cavalos não nos deixaram lá jogar mais». Trabalhando já como tipógrafo numa gráfica do Porto, para lá chegar de Penafiel era a pé que ia, amiúde – e a caminho dos 18 anos foi oferecer-se ao FC Porto. 

Alexandre Cal afirmou-lhe que, apesar da habilidade que mostrara, não tinha lá lugar porque tinha lá o Siska, o Retumba, o Holroyd e o Mota – e, desencantado, tentou o Leça: «Levantava-me às seis da manhã para ir treinar sozinho para a praia. Um ou outro sócio dava-me 10 escudos por vitória, por isso, ao passar pelo no nicho do Soutinho, rezava às alminhas e prometia 5 escudos, se ganhássemos o jogo seguinte». 

DEPOIS DE DORMIR NUM COLCHÃO POSTO NA SEDE DO CLUBE, PÔS-SE A TREINAR APANHANDO COELHO!

Como tipógrafo recebia 12 escudos por dia – e para lhe evitar as viagens de Penafiel para o Porto ou do Porto para Penafiel, o Leça pôs-lhe um colchão na sede para ele dormir: «no segundo ano, para me segurarem, já me davam 30 escudos por mês, quantia que saía, em segredo, de um fundo que havia para conserto das botas». Chamado à tropa, coube-lhe ir para Lisboa e, por diligência dum irmão «maluquinho pelo Belenenses», receberam-no nas Salésias: «Não recebia um tostão para jogar, mas recebia 10 escudos para comer um bife no Rossio, quando os desafios eram longe e não podia chegar ao quartel à hora do rancho». 

Antes de se tornar guarda-redes do FC Porto, Soares dos Reis passou pela… ilegal equipa profissional do Boavista. Foto: DR

Soares dos Reis levou o Belenenses a campeão de Lisboa de 1931/32. O Boavista, ao fazer, através de Olieira Valença, equipa profissional quando isso era ilegal, contratou-o a troco de 800 escudos por mês (quando os chapéus italianos ou ingleses que eram moda na cabeça dos cavalheiros e Salazar não lhe escapava se vendiam nas lojas chiques a 180 escudos) não tardou que o sonho de menino virasse realidade: «Por ainda estar preso ao Boavista, não pude ir logo para o futebol, fui para o andebol de 11 e ganhámos o campeonato do Porto e o primeiro jogo de futebol pelo FC Porto foi a suplente do Siska, aquele em que ganhámos ao Benfica por 8-0, para o Campeonato de Portugal». 

A sua fama não parou mais de alastrar pelo modo acrobático como defendia, mas também pelo exotismo que arrastava. Jogava com camisolas de lã em gola alta com as iniciais do seu nome lá bordadas em letras gigantes (ou então, em vez de SR, FCP). Treinava a apanhar coelhos «para desenvolver os instintos e a rapidez». E se houvesse temporal e fraco fosse o adversário, ia para a baliza de guarda-chuva – para se proteger da bátega enquanto a bola andasse longe…

O (FALSO) BENFIQUISTA AGREDIDO E O MALANDRECO QUE LEVOU O JOGADOR DO FC PORTO À TABERNA QUE HAVIA AO LADO DO ESTÁDIO

Derrotados, pois, por 3-0 (na sua primeira vez em Lisboa, contra o Benfica), os portistas fizeram (como de costume) o caminho do estádio para a estação em carros alugados na praça – e de um deles (que parara à espera de furar entre a multidão) se abeirou rapazote com uma grande águia no rebuço. Malandreco, dirigiu-se a Álvaro Pereira, atirando-lhe: «Com que então levaram três!». 

Sem se desconcertar, o médio-centro do FC Porto retorquiu-lhe: «É verdade, mas o que devias fazer, em lugar de estares com esse palavreado, era pagares-me uma cerveja, pá!». Colhendo em resposta: «Às ordens, vem bebê-la!», ao motorista pediu que esperasse – esperou ele e esperaram os companheiros que Álvaro então voltasse, de virote, da taberna (ali em redor). 

Jogadores do FC Porto perderam o jogo com o Benfica, mas, um deles não perdeu a boa disposição – e por isso os táxis tiverem de esperar que voltasse da taberna. Foto: DR

Bem menos singelo foi, contudo, o que sucedeu no Porto ao saber-se da derrota - e apareceu assim contado no Século: «Num café da Baixa, onde costumam reunir-se os apaixonados do futebol, entrou um cavalheiro ostentando na lapela emblema do SLB, que chamou a atenção das pessoas que ali se encontravam tristes com o que acontecera nas Amoreiras. Mal tivera tempo de se sentar a uma mesa, quando chávena, lançada com violência, se lhe foi quebrar aos pés. A seguir, um outro cliente puxou-lhe a cadeia, fazendo tombar o «benfiquista». Logo um grupo lhe caiu em cima socando-o, até que o agredido gritou: Olhem que eu sou do FC Porto, carago! E, interpelado pelos agressores, explicou que apostara 50 escudos em como era capaz de ir ao café com o distintivo do Benfica…» 

O VENDEDOR DE JORNAIS DO PORTO QUE PRESO POR VIR A LISBOA VER O BENFICA… 

Graças ao Diário de Lisboa livrou-se Edmundo Ribeiro doutra tormenta: pobre vendedor de jornais no Porto, a paixão pelo Benfica levara-o a meter-se, sorrateiro, num comboio para assistir ao jogo e, à chegada ao Rossio, apanhado sem bilhete, atiraram-no à cela da esquadra. Vendo-o sem tostão, libertaram-no – e indo ele à redação do DL pedir amparo, no jornal do dia seguinte havia nota que, revelando-lhe a odisseia, terminava assim: «como se trata dum benfiquista entusiasta, espera-se que os sócios do popular clube lhe valham na aflição». 

A equipa do FC Porto que ganhou a primeira edição do campeonato da Liga perdendo apenas com o Benfica e com o Vitória de Setúbal. Foto: DR

Atriz que se quis «anónima» foi, num salto, à redação entregar 50 escudos para «o infeliz ardina que fora preso por querer ir ao futebol!» Telefonema da «família Botelho, proprietária duma leitaria na Rua dos Correeiros», garantiu-lhe o «preço da passagem para o Porto e toda a alimentação de que precisar antes de para lá partir» - e, por entre outros donativos, até um fato novo lhe ofereceram. Correndo publicidade da Alfaiataria Alba a anunciar «fatos de smoking com banda de seda extra por 500 escudos e fatos de casaca forrados de seda extra por 780».

O triunfo sobre o Benfica teria valido a cada portista prémio de 200 escudos. Com 10 vitórias terminariam esse primeiro campeonato da Liga - derrotas foram duas: antes dos 3-0 do Benfica, 0-1 em Setúbal, com o Vitória. 

O PRIMEIRO TREINADOR CAMPEÃO (EM POULE) MAL CHEGOU A PORTUGAL, GANHOU AO BENFICA POR 6-0 (E AINDA FALOU EM «LADROEIRA»

Ainda nas Amoreiras, Joseph Szabo, o treinador portista, queixara-se do «ambiente hostil criado pelos adeptos dos três grandes clubes de Lisboa», garantindo, todavia: «O título não escapará ao FC Porto». Para o ter bastou-lhe fechar essa Liga de 1934/1935 com 2-2, no Campo Grande, frente ao Sporting (o outro empate fora com o Belenenses, nas Salésias, logo na primeira jornada).

Mesmo sendo o primeiro treinador do FC Porto a perder em Lisboa com o Benfica para o campeonato, Joseph Szabo não deixou de ser o primeiro treinador a vencer o campeonato (em poule). 

Tendo nascido em 1896 numa aldeia de pescadores nas margens do Danúbio, fora num bairro miserável de operários apanhou-se-lhe o dom para a bola. Ainda antes dos 20 anos, o Ferencvaros desafiou-o para Budapeste a troco de emprego de torneiro mecânico numa fábrica de munições – e logo o chamaram à seleção da Hungria (por onde já andava Béla Guttmann). 

Joseph Szabo em pose (de campeões) com os seus pupilos do FC Porto. Foto: DR

Vendo-o estrela a iluminar o caminho da vitória do Ferencvaros no campeonato de 1925 – o Szombathelyi solicitou que lho emprestassem para reforçar a sua equipa em digressão que passou por Portugal. 

O primeiro desafio em Lisboa foi contra o Benfica e ele recordou-o, divertido, numa entrevista a Alfredo Farinha, em A BOLA: «Aquilo foi uma ladroeira! Logo nos primeiros momentos, o árbitro marcou penálti sem sabermos porquê. Falou em português, não entendemos nada. Fomos para o ataque e… 10 minutos depois outro penálti, ainda mais estranho. Queríamos entrar na área e… cheta! O árbitro não deixava. Então, começámos a atirar de longe. Marcámos de 18 metros, de 20, de 22, de 30 metros…»

Foi em dia de natal esse Szombathely-Benfica - e acabou em 6-0. Diferente haveria, porém, de ser a perspetiva de Mário de Oliveira na sua História do SLB: «Já tinham batido o Império e o Belenenses por 5-0 e 2-1 e o ardor posto na luta pela equipa rubra a cuidar da defesa levou a que os húngaros recorressem a violências e incorreções que o árbitro não puniu devidamente. Jorge Tavares foi expulso por agressão em resposta à violência de um adversário e Mário Montalvão não pôde alinhar na segunda parte por haver sido atingido brutalmente com um pontapé. O capitão do Szombathely viu-se obrigado até a mandar sair um dos seus jogadores, a meio do segundo tempo, por causa da sua rudeza. Não admira, pois, que tenhamos perdido por 6-0». 

O FC Porto de Szabo só perdeu em Lisboa com o Benfica na primeira vez do campeonato da Liga. Foto: DR

A CARTA DO FUNCHAL PARA BUDAPESTE QUE FEZ DE SZABO HISTÓRICO TREINADOR EM PORTUGAL

Do embate com a seleção de Lisboa saiu nova vitória do Szombathely (por 3-2) - e espanto foi o que sucedeu contra o Sporting (a quem meses antes, o FC Porto ganhara o Campeonato de Portugal): «Perdemos enfim, por 2-1. Foi o nosso mau dia e já estávamos cansados de tantos jogos seguidos.» 

Estendendo-se a aventura à Madeira, no Funchal voltou o esplendor ao Szombathely (e a Szabo): «Não muito depois do regresso a Budapeste chegou uma carta ao clube com o meu nome. Era dum dirigente do Nacional a desafiar-me. Fiquei atrapalhado porque estava em vésperas de casar, a minha mulher já estava à espera de bebé. Arrisquei, aventureiro, pedi apenas que me dessem o que pudessem e isso desse para não vivermos mal, à míngua.» 

Campeão da Madeira de 1926/1927, saltou para o Marítimo. A caminho de três anos no Funchal, deslumbrante foi o modo como conduziu a seleção da Madeira a vitória por 5-1 frente à seleção do Porto que teve na sua baliza Mihaly Siska (húngaro que viera para o FC Porto como mecânico-dentista, mas que, no fundo viera para jogar futebol, recebendo, clandestinamente, 500 escudos por mês). 

Ainda no portaló do barco, Siska atirou o murmúrio: «Temos de levar este Szabo para o Porto!». Acenando-lhe com 500 escudos por mês para render Alexandre Cal (que, nessa época de 1927/28, fora eliminado do Campeonato de Portugal, pelo Salgueiros) – aceitou o desafio. 

«FUI GUARDA-NOTURNO, INSPETOR E VIGILANTE» (E POR CAUSA DE UM SOCO DEIXOU O FC PORTO)

Ambos vencedores do Campeonato de Portugal de 1931/1932 (batendo o Belenenses) – a propósito de Pinga, considerado o Melhor Jogador dessa primeira edição do Campeonato da I Liga (de 1934/1935, Szabo confessá-lo-ia: «O gajo era genial mas quase fez com que eu perdesse a minha mulher. No clube eu era tudo: treinador, jogador, massagista. E guarda-noturno, inspetor, vigilante –para ter a certeza de que os jogadores não andavam em malandrices. Por exemplo, antes de jogo importante percorria todos os lugares onde eles poderiam estar  - e uma vez só perto das cinco da manhã é que encontrei o Pinga, num baile. Levei-o para casa, mas ainda fiquei de atalaia em frente à porta até às sete, não fosse voltar a sair. O pior é que ao chegar a casa, quem é que convencia a minha mulher de que eu não tinha andado na pândega? Foi o diabo, até se falou em divórcio.» 

A Valdemar Mota, Acácio Mesquita (que também era recordista nacional de triplo salto) e Pinga chamavam-lhes os Três Diabos do Meio Dia. Foto: DR

Soco num diretor que lhe chamou «maluco» ao vê-lo chegar à sede de ambulância, com sacos de equipamentos que os pupilos tinham deixado espalhados no balneário às costas – levou, Joseph Szabo ao despedimento já com o Campeonato da Liga de 1935/1936 a decorrer. Antes, porém, de regressar ao FC Porto (sem que conseguisse repetir o sucesso que lá tivera – repetindo-o no Sporting, sofreram os portistas a derrota mais pesada dos seus confrontos com o Benfica…

SEM O GUARDA-REDES QUE FUGIU COM MEDO QUE O ENTREGASSEM A NAZIS, FC PORTO PERDEU COM O BENFICA POR… 12-1!

Mesmo andando tropeçante pelas ruas da amargura, ao descer a Lisboa para defrontar o Benfica – ninguém no FC Porto se imaginaria sair, nessa tarde de 7 de fevereiro de 1943, do Campo Grande (para onde o Benfica tivera de ir jogar, depois do governo de Salazar lhe destruir o Estádio das Amoreiras) amachucado por resultado como nunca antes se vira, nunca mais se veria: 12-2! 

Sinal do traste em que se transformaria a temporada, insinuara-se logo na primeira jornada do campeonato (na vitória do Belenenses por 4-0). Nas Salésias, seu guarda-redes ainda foi Béla Andrasik – e horas após perdeu-se de vista. 

Primeiro rumor que correra fora que a Gestapo o raptara – e só depois se descobriria que não: envolvido (como Cândido de Oliveira) numa rede de espionagem contra nazis, escapulira-se, sorrateiro, da cidade, por medo de que Salazar o mandasse prender (como já mandara Cândido de Oliveira – envolvendo-se na operação António Roquete, seu guarda-redes no Casa Pia AC e na seleção olímpica que, em 1928, ficara à beira da medalha de bronze). 

Manuel da Conceição Afonso com uma das três taças de campeão que o Benfica ganhou depois do FC Porto vencer a primeira edição da Liga. Foto: DR

NA RESISTÊNCIA FRANCESA COM A AJUDA DE PINGA E VALDEMAR MOTA (AS DUAS MAIORES ESTRELAS PORTISTAS) E DO… PRESIDENTE DO BENFICA (ANTI-SALAZARISTA) 

Contando com a ajuda de Pinga e Valdemar Mota (seus companheiros no FC Porto) e de Manuel da Conceição Afonso (o operário anarco-sindicalista que deixara de ser presidente do Benfica mas voltaria a sê-lo..), Andrasik foi juntar-se à Resistência Francesa, por lá combatendo às ordens de um português, o Emídio Guerreiro. 

Ezra Vazar, que militou no mesmo batalhão, revelaria, depois, que nunca se desfazia de fotografia que se «pensava ser da namorada» mas não: era da sua estreia no FC Porto. Fora em março de 1940, contra o Leixões – e, meses depois, faria a festa do seu primeiro título com 3-2 nas Amoreiras (na primeira vez em que os portistas se tornaram campeões nacionais graças a vitória no campo do Benfica). 

O DESMAIO QUE TAMBÉM TIROU VALONGO DA BALIZA E O POKER DE JULINHO… 

Quem, pois, sofreu os 12 golos do Benfica foi Lino Mota, que os portistas foram buscar ao Salgueiros (por entre o desespero do «desaparecimento de Béla Andrasik) – e se tornara titular por via de um drama, na semana anterior: entrando em choque com Moreira, extremo do Olhanense, Valongo perdera os sentidos, de ambulância tiveram de levá-lo para o hospital e KO ficou semanas a eito. 

Julinho foi autor de quatro golos no Benfica, 12 – FC Porto, 2. Foto: DR

Quatro desses 12 golos do Benfica ao FC Porto marcou-os Julinho – que do Académico do Porto viera a troco de 25 contos para o clube e 10 para ele (de luvas). O saber do acordo, o FC Porto ainda tentara evitar o negócio, oferecendo-lhe o dobro do que o Benfica lhe prometera (e ao Académico também) e a resposta soltara-se incontornável (do fundo da sua honra): «Já dei a minha palavra, está dada!». 

Ao poker de Julinho e ao autogolo de Alfredo Pais (brasileiro que os portistas foram desencantar a Manaus), juntou-se um golo de Francisco Ferreira (o filho do guarda do campo do FC Porto que para o Benfica viera por dirigente o ter escorraçado da sede numa tarde em que o Chico lá fora, desembrulhado de timidez, «pedir um dinheirinho como os outros todos já recebiam» e ele não). E para «fazer a dúzia», dois golos cada fizeram Manuel da Costa, Joaquim Teixeira e Alfredo Valadas. 

LIPPO HERTZKA ESCAPOU À GUERRA CIVIL DEPOIS DA GLÓRIA NO REAL MADRID, BICAMPEÃO DA LIGA FOI NO BENFICA E HUMILHADO ACABOU NO FC PORTO 

De Fernando Póvoas e de Araújo foram os golos do FC Porto (a António Martins) – e o treinador portista tinha já o nome marcado na história do futebol e do Benfica: Lippo Hertzka. Judeu como Béla Guttmann, como Béla Guttmann começara a jogar no MTK (o clube dos judeus de Budapeste que era mais do que um clube desportivo). 

Saltando para a Alemanha, digressão por Espanha tornara-o treinador da Real Sociedad. O Real Madrid contratou-o para a temporada de 1931/32, deu-lhe o primeiro título da sua história, sem uma única derrota – e não bastou para que Hertzka lá continuasse.

Achando que lhe faltava sentido de autoridade, que os pupilos «abusavam dos seus bons fígados», Luis Usera demitiu-o e pôs no seu lugar um dos seus jogadores: Santiago Bernabéu. 

Em fulgor estava Lippo no Granada quando estoirou a Guerra Civil – e, amedrontado, escapuliu-se para Portugal. António Ribeiro dos Reis fez dele treinador do Benfica, o substituto de Vítor Gonçalves – e os dois campeonatos seguintes da I Liga (ainda assim chamada já foi Lippo Hertzka que os conquistou. 

Foi com Janos Biri no lugar de Lippo Hertzka que o Benfica conseguiu a maior goleada dos confrontos frente ao FC Porto. Foto: DR

TREINADOR DOS 12-2, DEPOIS DA CLAVÍCULA PARTIDA E DA FACA NA LIGA (ANTES DE CHEGAR AO BENFICA)

De Budapeste viera também o treinador do Benfica (que bateu o FC Porto por 12-2): Janso Biri. Guarda-redes do Kispest AC (com o pai de Puskas por igual caminho…) fora o guarda-redes da seleção da Hungria nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 (com Béla Guttmann a médio-centro). 

Ao Amiens foi o Boavista buscá-lo – e foi, sobretudo, através das suas defesas que o Boavista chegou às meias-finais do Campeonato de Portugal de 1934/1935. Tendo como adversário, o Benfica o resultado que está na história: 8-3 – não mostra a dificuldade por que os benfiquistas passaram: só arrancaram para a goleada quando Janos Biri, projetado por lance viril de um adversário para a quina do poste, fraturou a clavícula e teve de continuar em campo, que não havia substituições. Vendo-o assim, os companheiros refinaram na hostilidade – e não deixaram mais de «jogar de faca na liga». 

Vítor Silva, a estrela do Benfica, foi pontapeado numa perna – e não mais deixou de mancar. A Carlos Torres (tio de José Torres) uma «tangente arrancou metade do calção e foi uma sorte grande», escreveu-se num dos jornais da cidade, tendo o cronista adiantado: «Os jogadores do Benfica tiveram de passar o tempo a fugir aos pés dos adversários, fazendo uso do seu grande poder de finta e de muita agilidade». 

PRÉMIO PELO FC PORTO ESMAGADO ERA O QUE TINHA DE MULTA QUE LANÇASSE PIROPOS NA RUA

Tendo o Benfica (de Vítor Gonçalves) ganho esse campeonato de Portugal ao Sporting, o Académico do Porto chamou Janos Biri a treinador – e foi de lá que saltou para substituto de Lippo Hertzka. Entre 1939 e 1947, conquistou três campeonatos nacionais e três Taças de Portugal. Esse de 1942/1943 (e dos 12-2 ao FC Porto) foi o seu segundo – e se o bónus que lhe coube por isso foi de 1500 escudos, cada um dos seus pupilos colheu 500 escudos de prémio. Não chegava sequer para comprar a «chique» gabardina de lã que os Armazéns do Chiado tinham na sua publicidade pelos jornais como a sua «grande atração para o inverno» e custava 850 escudos. 

Pelos 12-2 cada benfiquista arrecadou de «prémio» 100 escudos – e multa até 100 escudos era o que poderia calhar a quem fosse, então, apanhado, na via pública, a «intercetar a livre passagem» a raparigas ou senhoras, a «dirigir-lhes gestos ou palavras injuriosas e galanteios em termos irónicos e ofensivos» ou a «persegui-las à saída das casas de espetáculos» (por via a postura municipal criada por João Luís de Moura, o tenente coronel que a Ditadura Militar fizera governador de Lisboa e que, como seu presidente, levara o Belenenses a campeão de Portugal). 

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