Benfica: Ferida por sarar
Momento da substituição de João Neves por Gonçalo Guedes desencadeou protestos dos adeptos do Benfica contra Schmidt no jogo com o Farense. Foto: Miguel Nunes/ASF

Benfica: Ferida por sarar

FUTEBOL11.12.202308:00

Contestação a Roger Schmidt nunca foi tão forte como no jogo com o Farense; Rui Costa saiu em defesa dele e não deu margem para outras interpretações: «É o treinador do projeto»; últimos episódios na Luz uniram a equipa

A tempestade provocada pela possibilidade de Roger Schmidt deixar o Benfica, sugerida pelo técnico alemão depois do empate com o Farense (1-1), sexta-feira, no Estádio da Luz, levou Rui Costa a sair em defesa do treinador. A mensagem do presidente dos encarnados é clara: Schmidt fica!

A ferida entre o treinador e os adeptos, porém, está aberta. Talvez a intervenção de Rui Costa possa ajudá-la a sarar, mas, no futebol, já se sabe, nada nem alguém pode mais que os resultados.

Schmidt não gostou do assobios e das vaias quando, aos 63’, substituiu João Neves e Tengstedt por Gonçalo Guedes e Musa, menos ainda dos objetos que atiraram na direção dele e, no final do jogo, pediu aos contestatários para ficarem em casa. Até disse mais: «Se for o problema, se o Benfica precisar de um treinador para fazer as substituições como os adeptos querem, não há problema, eu saio. E depois outro pode substituir-me e talvez seja melhor, veremos. Se sou o problema darei espaço para outro treinador melhor que eu. Costumo dizer que tenho de ser bom treinador, porque o Benfica é um grande clube, e se não sou bom o suficiente então saio. É muito fácil e é algo em que irei pensar.»

Rui Costa, na manhã seguinte, esteve com Schmidt para manifestar-lhe total apoio. E fê-lo, publicamente, à tarde, respondendo às perguntas dos jornalistas, no Seixal. «É com Schmidt que vamos conquistar mais títulos», disparou, recriminando e lamentando reação dos adeptos «que nunca se viu em 120 anos de história do clube».

Salzburgo e SC Braga

Rui Costa falou, sábado, antes dos jogos de Sporting e FC Porto. Com a derrota dos leões e a vitória dos dragões, as águias estão a um ponto da liderança partilhada pelos rivais. Sem tempo para respirar, o Benfica joga, amanhã, a continuidade nas competições europeias. Com o Salzburgo, e já fora da Champions, o Benfica precisa de vencer por pelo menos dois golos de diferença para garantir um lugar na Liga Europa. E, logo de seguida, enfrenta o SC Braga, no Minho, um dia antes do clássico entre Sporting e FC Porto, em Alvalade. Jogos difíceis e, seguramente, importantes para perceber como evoluirá a relação de Schmidt com os adeptos.

União fortalecida

Rui Costa reclamou o passado de jogador para garantir que os jogadores «estão com o treinador e têm-no demonstrado». Para o presidente, esse «é um dado importante». A sensibilidade de quem está no grupo, apurou A BOLA, é a de que o episódio fortaleceu a relação entre jogadores e treinador. A prova disso estará não apenas no compromisso dos jogadores e no futebol produzido com o Farense, mas também num sentimento de injustiça que a reação negativa provocou quando a equipa tudo fazia para chegar à vitória.

Di María dá o mote

Ángel Di María, que em San Sebastián afirmara que a culpa dos resultados não era de Schmidt nem de Rui Costa, mas dos jogadores, recorreu ontem às redes sociais para partilhar o estado de espírito do grupo. «Na terça-feira, só há um objetivo: vencer ou vencer», escreveu na conta do Instagram.

Anatoliy Trubin também se dirigiu aos adeptos, afirmando que os jogadores lutam «sempre pelo melhor para a equipa» e que saíram «insatisfeitos do jogo» com o Farense. Fez uma promessa e um pedido: «Em momentos como este é importante recompormo-nos, reagir com dedicação, persistência e continuar o trabalho. Estou agradecido aos adeptos. Neste momento, precisamos de estar mais unidos do que nunca.»