Sindicato de Jornalistas critica documento que FC Porto quer impor a fotojornalistas
O Sindicato dos Jornalistas lançou esta quarta-feira um comunicado considerando «inadmissível» o documento que o FC Porto quer impor aos fotojornalistas como condição para trabalharem nos jogos no Estádio do Dragão. No entender da estrutura que representa a classe, a Carteira Profissional de Jornalista é o único requisito legítimo para a atribuição de acreditações em eventos de interesse público, pelo que qualquer outra exigência é vista como um atropelo ao enquadramento legal e deontológico da profissão.
O SJ lembra que os profissionais já estão vinculados à Lei de Imprensa, ao Estatuto do Jornalista e a um Código Ético e Deontológico, não necessitando de prestar novos compromissos por escrito a qualquer clube ou instituição. Algumas das alíneas constantes do documento proposto pelo FC Porto são classificadas como «absolutamente inaceitáveis», por limitarem o exercício da profissão e poderem mesmo configurar violação da Lei de Imprensa, algo que, sublinha o SJ, constitui crime à luz do quadro legal português. Outras cláusulas são consideradas desnecessárias, difíceis de compreender e «impossíveis de tolerar».
Na véspera de mais um jogo grande no Dragão, os fotojornalistas que acompanham o dia a dia do FC Porto foram confrontados com novas exigências para poderem trabalhar. Na passada segunda-feira à tarde, foi pela primeira vez enviado um documento aos repórteres fotográficos, deixando claro que, sem a respetiva assinatura, as acreditações simplesmente não serão entregues. Uma condição que coloca os profissionais perante um dilema delicado entre cumprir o seu trabalho e aceitar regras adicionais impostas pelo clube.
Entre as várias cláusulas, há alíneas que merecem particular destaque, por incidirem diretamente sobre a forma como os fotojornalistas podem exercer a profissão. O documento especifica, por exemplo, que os fotógrafos ficam impedidos de vender imagens a jogadores e colaboradores de clubes, limitando a utilização posterior do material captado em serviço.
O SJ manifesta esperança de que o FC Porto recue, lembrando tratar-se de um clube que quer acreditar «democrático» e capaz de corrigir o que considera ser um erro. A expectativa passa por ver o emblema portista a cumprir a lei e a credenciar fotojornalistas com carteira profissional, desde logo no jogo da Taça de Portugal agendado para esta noite no Dragão. Paralelamente, o SJ apela aos profissionais para recusarem assinar o documento e não aceitem trabalhar sem condições dignas e de segurança, estendendo o apelo às redações para não publicarem imagens que não sejam captadas por profissionais legalmente habilitados.
O comunicado reconhece, porém, a preocupação dos azuis e brancos com o uso indevido de material fotográfico obtido nos jogos, recordando que o próprio Sindicato há muito defende que apenas jornalistas com carteira profissional devem ser acreditados em eventos desportivos, culturais ou de outra natureza.
O SJ denuncia a presença crescente de pessoas sem habilitação, sem vínculo a qualquer código ético, que ocupam «lugares limitados» por motivações comerciais ou de promoção pessoal, prejudicando o trabalho dos fotojornalistas. E encerra com uma solução que considera simples para o clube: «Se o FC Porto pretende fazer impedir ou limitar a entrada de pessoas que fazem usos indevidos de fotos tiradas no âmbito de um evento de interesse público, tem solução fácil: dá acesso apenas a fotojornalistas com carteira profissional! Resolve o problema na origem, sem pretender castigar quem cumpre.»