Atenção aos interessados: o ‘peixe’ está mais barato
Marcos Leonardo, Santos. Foto: IMAGO

Atenção aos interessados: o ‘peixe’ está mais barato

INTERNACIONAL09.12.202309:30

Com a inédita queda para a Série B, o futuro presidente do Santos vai ter de vender jogadores. Marcos Leonardo, avançado de 20 anos, é a joia da coroa, mas há mais jogadores que estão, ou estiveram, na agenda dos portugueses

Despromovido pela primeira vez na história à Série B do Brasileirão, o Santos entrou, ou melhor, aprofundou a crise desportiva e financeira que o atormenta há anos. Com 35 atletas no plantel principal, uma folha salarial acima de 11 milhões de reais, algo como 2,2 milhões de euros, e receitas muito reduzidas em 2024, o clube está em saldos - noutras palavras, há peixe barato à venda no maior porto do Brasil e, quem sabe, compradores portugueses.

Marcos Leonardo, cobiçado por meia Europa, vai sair, ponto final. Mas o ponta de lança, autor de 13 golos no Brasileirão, será caro demais para o universo da Liga Portugal se a Roma de José Mourinho ou o Newcastle dos fundos sauditas decidirem mesmo entrar na corrida. Porém, além do jogador de 20 anos sobre o qual o Sporting chegou a perguntar antes de assegurar Viktor Gyokeres, outros nomes dados como eventuais reforços dos grandes devem sair.

O central Joaquim, uma das revelações da equipa, 24 anos, 1,87 metros, desperta cobiça do Sporting e não só. Acaba contrato no final de 2026, como Marcos Leonardo, aliás, um ano antes de Jean Lucas, o médio defensivo de 25 anos ex-Mónaco que também teria estado na lista do leão, segundo os rumores de mercado. O guarda-redes João Paulo, 28 anos, um dos pilares da equipa, chegou a ser dado como eventual reforço do Benfica.

E, apesar do descalabro no Brasileirão, mais gente se destacou no peixe ao longo do Brasileirão, como o irrequieto venezuelano Soteldo, sempre na lista dos mais dribladores do campeonato. João Basso, central com vasta experiência em Portugal, o velocíssimo extremo Stiven Mendoza e o lateral Dodô são outros na linha da frente para eventuais negociações por terem salários incompatíveis com a realidade da Série B.

Todos esses dossiers estarão em breve nas mãos do novo presidente, a ser eleito hoje, de entre cinco candidatos, por mais de 16 mil sócios. O escolhido sucederá a Andrés Rueda, que fica para a história como o presidente que fez o Santos cair, depois de 68 anos seguidos na elite - agora só Flamengo e São Paulo, além do novato Cuiabá, jamais foram despromovidos.

O clube de Pelé - que fez, pelo menos, a gentileza de não ser despromovido com o rei vivo - foi oito vezes campeão nacional. Seis delas, claro, sob a liderança de Edson Arantes do Nascimento e duas na viragem do milénio quando Diego e Robinho davam cartas - Neymar ganhou uma Libertadores, uma Copa do Brasil e três estaduais mas falhou o título brasileiro. A queda do Santos, entretanto, foi, como escreveu o site GE, «projeto de longuíssimo prazo».

A gestões catastróficas, seguiu-se então a de Rueda, o presidente cuja primeira medida, logo depois de eleito, foi baixar o prémio de jogo em caso de vitória na Libertadores de 2021 de dali a dias com o Palmeiras, ganha, claro, pela equipa de Abel Ferreira, como recorda o jornal Folha de S. Paulo. Com Rueda foram 47 contratações, quase todas ruinosas, e 10 treinadores em três anos, fora a mão-cheia de diretores desportivos.

Na Série B, teme-se que o clube, talvez ainda o mais famoso de todos os emblemas do Brasil mundo afora pelo domínio nos anos 60, sofra mais do que outros gigantes recém-caídos por ter uma torcida, um estádio e um potencial de receita menores - afinal, o Santos era, como o Bragantino, de Pedro Caixinha, o único clube do Brasileirão-2023 fora de uma capital estadual. Daqui a um ano se saberá.