Sobre o treinador português
Abel Ferreira (Foto: Fotoarena/IMAGO)

EDITORIAL Sobre o treinador português

OPINIÃO08.12.202309:13

O objetivo de maior presença nos ‘Big Five’ deve constar da agenda dos nossos técnicos

De que precisa mais Abel Ferreira para entrar na lista dos grandes treinadores portugueses, sem ficar a dever nada a ninguém? Nada. É verdade que chegou ao Brasil sem o glamour de Jorge Jesus, e nunca teve o efeito-furacão que o mister provocou no Flamengo, onde conseguiu mais títulos do que as derrotas que averbou. Porém, Jesus, ao decidir regressar ao Benfica, em má hora para ele, para o clube e para o mentor da solução, Luís Filipe Vieira, não deu continuidade ao trabalho na nação rubro-negra e, embora nada apague o que conseguiu, foi mais um cometa que uma estrela nos céus da Gávea, que brevemente iluminou.

Já Abel Ferreira, que curiosamente ingressou no Palmeiras pouco tempo depois de ter afastado, nas rondas preliminares da Champions, ao serviço dos gregos do PAOK, o Benfica de JJ, tem para apresentar um trabalho consistente, com resultados e com evolução, num clube que, sem deixar de ser vendedor e ter de reformular vezes demais o plantel, oferece condições de trabalho ao nível do que há de melhor no mundo. Mas há mais um elemento que deve ser acrescentado: o que Abel Ferreira fez no Palmeiras acrescentou aos créditos dos treinadores portugueses, que viram as portas abertas pelo fugaz Jesus, mas têm tido na consistência de Abel um argumento forte para continuarem a ser aposta. Mas há que ter claro que, embora Pedro Caixinha ou António Oliveira tenham assinado trabalhos de excelência, há clubes e clubes, e se um dia houver vinte treinadores portugueses à frente dos vinte clubes do Brasileirão, um será primeiro e outro não passará de último: tudo tem a ver com o técnico e a sua circunstância, estando definitivamente estabelecido, creio, que esta geração de treinadores portugueses está a ajudar o futebol brasileiro, e a servir de motivação à requalificação dos técnicos canarinhos que, de tanto pensarem que sabiam tudo, viram-se ultrapassados pelos acontecimentos neste mundo em constante evolução, onde, em todas as áreas, parar é morrer.

E é precisamente porque é preciso estar constantemente alerta que os treinadores portugueses devem questionar-se sobre as razões que os levam a estar residualmente representados nos campeonatos dos Big Five. Se a resposta a esta pergunta contiver humildade e vontade de evoluir, o futuro continuará a ser risonho para a classe.