Sistema tácito: o futuro de Conceição
Sérgio Conceição, treinador do FC Porto. Foto: PAULO SANTOS/ASF

OPINIÃO Sistema tácito: o futuro de Conceição

OPINIÃO25.02.202411:00

Técnico voltou a brilhar na Europa, encontra-se em final de contrato e almeja, legitimamente, um novo desafio na carreira

Começam a escassear os encómios para ilustrar o trabalho que Sérgio Conceição faz com os parcos recursos que teve sempre à sua disposição nos sete anos que leva na cadeira de sonho. Na última jornada europeia, no Dragão, voltou a demonstrar toda a sua mestria no plano de jogo que elaborou para neutralizar o Arsenal, equipa com um orçamento quatro vezes superior ao do FC Porto. A estratégia surtiu efeito na perfeição, algo que nem sempre o treinador consegue no campeonato, onde as equipas optam por um bloco baixo e isso obriga os azuis e brancos a baterem de frente contra autênticos muros.

Mas depois de ter derrotado nas lides europeias colossos como o Chelsea — campeão europeu em 2021 —, Juventus, Roma, Milan, Atlético de Madrid e agora o Arsenal, a dúvida que se coloca neste momento é saber se Sérgio Conceição sente que é o momento de enveredar por um projeto diferente, ambicioso e de uma liga mais mediática. Já tinha cotação em alta em Itália, França, Espanha e agora conseguiu-a em Inglaterra, isto independentemente do que se passar na segunda mão dos oitavos de final da Champions, em Londres, no dia 12 de março.

Os seus detratores apontam que o seu feitio irascível o impedirá de ser chegar a um tubarão europeu, mas a questão é ter a noção das competências do treinador, que época após época vai operando autênticos milagres no campo desportivo, ajudando o clube com receitas astronómicas na Liga dos Campeões e na valorização de ativos.

Em final de contrato, o treinador sabe que terá certamente alguns convites no final da época e o facto de ser agenciado por Jorge Mendes também o ajudará a encontrar um projeto à sua dimensão. Por perceber está se Sérgio Conceição resistirá a mais um mais provável apelo de Pinto da Costa para se manter no cargo caso o presidente vença as eleições de abril ou se, por seu lado, estará na disposição de trabalhar juntamente com André Villas-Boas se o candidato surpreender e ganhar o próximo ato eleitoral.

Dúvidas pertinentes, mas fica a sensação de que o treinador, por muito amor que tenha ao emblema que começou a defender com 15 anos, sente necessidade de enfrentar um novo desafio no estrangeiro. Depois das eleições, o seu futuro será desvendado, mas caso saia, o seu sucessor terá uma tarefa hercúlea e um legado enorme para superar.

P.S. O rei partiu. Mais do que um excelente treinador e jogador, Artur Jorge era um homem bom. Afastou-se do futebol e merecia ter tido um reconhecimento maior em vida, mas foi esquecido...