Mourinho responde às críticas: «Vou ser Mourinho até ao fim»
Em antevisão ao clássico com o FC Porto no Estádio do Dragão, José Mourinho aproveitou para responder às críticas e fez uma longa avaliação sobre os seus primeiros meses neste regresso ao Benfica e também da sua carreira, garantindo que nada o vai fazer mudar a sua forma de trabalhar com os jogadores.
«O diálogo [com os jogadores] correu muito bem, mas não consigo ser aquilo que vocês querem que eu seja. Nem como homem, nem como treinador. Eu não consigo jogar mal e dizer que joguei bem, eu não consigo aceitar mediocridade, nem dos outros, nem da minha parte. Cheguei onde cheguei a ser Mourinho e vou ser Mourinho até ao fim», começou por dizer, em conferência de imprensa, abordando a polémica após a eliminação da Taça da Liga nas meias-finais com o SC Braga.
«Não me parece que essas críticas que deram origem a uma telenovela sem fim tenham sido exatamente assim. E, honestamente, esqueceram-se rapidamente que no dia anterior tinha dito que gostava muito de ganhar a competição, não por mim, mas pelos adeptos e pelo grupo fantástico de jogadores. E continuo a repetir que é um grupo, do ponto de vista humano, fantástico, eu amo aqueles gajos. Agora não consigo ser diferente, não consigo fazer o que vocês eventualmente gostam. Não consigo atirar areia para os olhos das pessoas, não consigo dizer que a minha equipa jogou muito bem quando jogou mal. Não consigo», atirou, lembrando o seu passado de sucesso.
«E a relação que eu tive em mais de duas décadas de futebol com os meus jogadores e grupos é das coisas mais bonitas que eu tenho na minha carreira. Graças a Deus que não estou a falar em 100% dos meus jogadores, se não alguma coisa estaria errada, mas ex-jogadores com 55 anos que me contactam constantemente é das coisas mais bonitas da minha carreira. Cheguei onde cheguei sendo quem sou e como sou, os meus jogadores na sua maioria gostam de mim e estou a falar de centenas de jogadores», afirmou, recordando um exemplo específico.
«Eu sou capaz de dizer a um jogador 'tu não jogaste nada', sou capaz de criticar publicamente, mas também sou capaz de fazer aquilo que fiz com o Dahl. Quando quiseram matar o Dahl pela assistência que fez ao Patrick Schick com o Leverkusen, eu saí 2 minutos depois a dizer que no Dahl não se tocava, que no domingo era Dahl e mais 10. Podem levar as coisas para o lado que quiserem, eu sou quem sou, não vou mudar e vou ser assim até ao fim. Cheguei aqui pelo meu próprio pé, sabem onde cheguei. Como jogadores Ronaldo, Sr. Eusébio e Figo chegaram onde chegaram, como treinador só um em Portugal é que chegou. Eu não vou mudar, sinto muito», completou.