Francesco Farioli, treinador dos dragões - Foto: FC Porto
Francesco Farioli, treinador dos dragões - Foto: FC Porto

Fábio Veríssimo, o 'risco' com Thiago Silva, estágio positivo, Sudakov e Pavlidis: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a antevisão do clássico com o Benfica e abordou vários temas da atualidade

– Qual o balanço que faz do estágio no Algarve? A equipa está agora mais preparada?

– Acho que os últimos dias no Algarve foram muito positivos. Sentimos que era importante ter um momento para trazer de volta a equipa, para as famílias também lá estarem. Combinar o trabalho árduo com isso. Acho que posso dizer, claramente, que o trabalho foi bem feito. E também precisávamos de alguns momentos durante o jantar para estar com a família, com os filhos, para unir os jogadores e reforçar esse feeling positivo. Claro que, desde que voltámos, a nossa mente está focada no jogo de amanhã, nesse desafio.

Francisco Moura é opção para este jogo?

– Não, está fora do jogo.

– Já o vimos a colocar Kiwior e Martim Fernandes à esquerda. A equipa precisa de estabilidade ou rasgo no lado esquerdo?

– A estabilidade vem ao longo destes 27 ou 28 jogos que fizemos, já precisámos de nos adaptar a diferentes cenários. Não só nos laterais, mas também nos centrais. Já jogou lá o Pablo [Rosario], o Prpic... A chegada do Thiago Silva dá-nos mais uma oportunidade também. As ótimas exibições do Martim Fernandes têm de ser valorizadas, está a evoluir muito bem, e o Alberto também tem sido um dos principais jogadores da equipa. Acho que de todas essas combinações, poderemos ver diferentes soluções.

Benfica chega a este jogo depois de uma derrota frente ao SC Braga e tem algumas ausências. Podemos dizer que está fragilizado?

– Tendo em conta o plantel que têm e a capacidade de ajustar... Acho que é uma equipa muito boa. Isso não muda o valor da equipa. Temos de estar prontos, com a atitude certa, com o espírito certo, e tentar melhorar aquilo que fizemos no primeiro clássico no Dragão. Tentar fazer as coisas ainda melhor. E essa é a minha prioridade. Aquilo que fizemos nestes dias. Temos de trabalhar naquilo que está ao nosso alcance, que controlamos. O que acontece do outro lado não está nas nossas mãos.

– A única vez que defrontou o Benfica, empatou. Que diferenças encontra para agora?

– O que podemos fazer é preparar o que vamos encontrar amanhã. E amanhã podemos, certamente, encontrar o mesmo jogo, mas também podemos esperar coisas diferentes. O Benfica mudou a sua abordagem, estão mais agressivos, têm o desejo de recuperar a bola alto. Quando vieram ao Dragão, o Sudakov e o Pavlidis tentaram anular o Alan Varela e fizeram um bom trabalho. E claro, isto também tem a ver com o trabalho do treinador, que convence os jogadores a sacrificarem-se pela equipa. E amanhã espero novamente cenários diferentes, um jogo muito tático. Não sei quanto à pressão deles, mas nós vamos preparar-nos. O trabalho que temos feito nas últimas semanas e, especialmente, nos últimos dias tem sido muito positivo. Conseguimos trabalhar em alternativas, diferentes soluções. E ter uma energia boa é sempre um fator importantíssimo.

– Fábio Veríssimo será o árbitro do clássico... Como é que vê este atraso na nomeação, só revelado há poucas horas?

– Deu-me a informação, até porque só saí agora do banho e não sabia disso. Está a dizer-me agora quem vai ser o árbitro. Demorou um pouco mais do que o habitual... Mas tenho a certeza de que os responsáveis tomaram a melhor decisão para o jogo de amanhã.

– Em termos táticos, técnicos e emocionais, o que pode acrescentar o estágio que o FC Porto realizou no Algarve?

– Foi algo muito curto, foram quatro dias. Mas foi uma altura muito intensa. Fizemos seis sessões, cinco treinos e um particular. O principal objetivo foi unir toda a gente num ambiente diferente, podermos estar em relvados diferentes. Conseguimos ter momentos em que trabalhámos taticamente, houve a oportunidade de apresentar as dinâmicas ao Thiago [Silva], e claro que a curiosidade dele ajudou-nos a acelerar este processo. Amanhã, no primeiro jogo oficial, será importante para ele se ajustar. E depois disso, fizemos um trabalho físico tendo em conta o que vamos enfrentar no futuro. Foi muito intenso, volumes bastante bons, e desde que voltámos o foco está no jogo de amanhã, com o desejo de melhorar aquilo que fizemos anteriormente. Emocionalmente, acho que regressámos com ótima energia e um sentimento de estarmos todos juntos. E acho que isso é muito especial. Nunca se trata de um só jogo ou semana, tem tudo a ver com a jornada. E foi muito importante tentar aproveitar isto ao máximo. Os jogadores estiveram muito bem.

– Há alguma possibilidade de Thiago Silva ser titular? Quem vai estar na baliza?

– É uma possibilidade... O Thiago fez muitos jogos no Brasil, depois descansou alguns dias. Regressou numa ótima condição física e está apto para começar. Mas claro que a decisão terá vários cenários em conta. Mas se for preciso, estará preparado. Guarda-redes? Teremos tempo para ver isso...

– O que Oskar Pietuszewski pode acrescentar?

– Fez esta manhã a primeira sessão de grupo connosco. É possível que amanhã esteja na convocatória. É um jogador com muita qualidade, um jovem que precisa de evoluir e de adaptar-se a um novo país, uma nova liga, exigências... Claro que a ajuda do Bednarek e do Kiwior vai acelerar o processo, mas quando nasceste em 2008, mesmo que tenhas grande talento, é normal que precises de algum tempo...

– Renovou contrato com o FC Porto esta semanas. As coisas estão a correr melhor do que tinha planeado? Isto aumenta a pressão para ser campeão?

– Aumenta a responsabilidade para continuar a fazer o que estamos a fazer. Já disse que isto é algo que significa muito para mim, foi um passo que o clube e o presidente decidiram dar. Claro que não está relacionado apenas comigo, tem a ver com o trabalho de toda a gente. Ontem, quando regressei, agradeci aos jogadores. Porque, no final das contas, foi tudo por causa da atitude que colocaram dentro do relvado. Acho que foi num momento especial, como se se tratasse do final de um ciclo que recomeça amanhã com este jogo. Mas [a renovação] está alinhado com os passos que queremos dar em conjunto. Claro que agora falamos do mercado, mas o desejo de continuarmos a construir o que temos feito ao longo destes seis meses... Temos um futuro cheio de desafios que começa já com o jogo de amanhã e, depois, com as restantes competições.

– Quando chegou ao FC Porto, havia a ideia de que o FC Porto precisava de uma nova identidade. Como conseguiu construir isto tão depressa? Uma vitória amanhã ajudaria a validar este processo?

– Preciso de o corrigir numa coisa. Estamos ainda num processo. Não nos podemos esquecer de onde vimos, das distâncias que tínhamos para os rivais. Nos últimos anos tivemos 29 pontos de diferença para o Sporting, nos últimos cinco jogos com o Benfica só há um empate e uma vitória... Há uma diferença que tem de ser reduzida e acho que estamos num bom caminho. No geral, a trajetória é positiva e acho que o desejo de continuarmos a trabalhar juntos e de renovar este compromisso vai nessa direção. Mas claro que nada está feito. Estamos a meio de uma corrida e ainda faltam muitos jogos. Vocês sabem como o futebol pode mudar muito depressa. O jogo de amanhã é um jogo que vai eliminar uma equipa e essa é a realidade. É por isso que toda a nossa energia e todo o nosso foco tem de estar aí e nos próximos jogos. Se a vitória ajudaria? Claro que os resultados ajudam, mas acho que o que realmente importa é o trabalho, a atitude, o desejo de tentar adicionar algo ao que estamos a fazer todos os dias. Acredito que, ao fazer isso, será mais fácil conseguir resultados, ganhar jogos... Os resultados são, na maioria das vezes, consequência do que fazemos durante a semana. E é isso que defendemos, é para isso que lutamos e é isso que os jogadores estão a tentar fazer.

– Qual o risco que está disposto a tomar com o Thiago Silva para desfazer a dupla Bednarek-Kiwior? Há alguns anos, quando chegou o Pepe, foi tomada uma decisão parecida e não correu bem…

– Risco e oportunidade. Todas as mudanças estão relacionadas com a maneira como vemos as coisas. Claro que quando tens o Bednarek, que já foi quatro vezes o melhor defesa do mês... Mas a realidade é que na base há vários jogadores que estão muito bem, que nos ajudam a não sofrer golos e a vencer jogos. Já utilizámos o Pablo [Rosario] a central quatro ou cinco vezes, o Neuhén Pérez também no início da temporada, e o Prpic... Percebo a pergunta, e é normal pensar nisso, mas se olharmos para trás a resposta está lá. Aquilo que estamos a fazer ultrapassa as individualidades, apesar do Jan [Bednarek] e do Kiwior estarem a fazer uma época fantástica. Mas é preciso olhar para quem está à volta deles. O que tentamos é tentar encontrar as soluções certas todos os dias, o balanço certo. E como digo sempre, não há nada mais importante do que o FC Porto. Não sou eu, não são os jogadores. O compromisso é dentro de campo, dar tudo pela família portista e pelas pessoas que amanhã estarão no Dragão e em casa a ver o jogo. Nada mais. Essa é a nossa prioridade, o nosso mindset, e vamos continuar a seguir nessa direção.