William Gomes — FOTO: Catarina Morais/Kapta +

William Gomes: conversa com James Rodriguez, a saída a preço de saldo e as posições com Anselmi

Extremo brasileiro é destaque da revista Dragões e acredita que ainda vai render muito dinheiro ao seu antigo clube, o São Paulo

Em entrevista à revista Dragões, William Gomes revisitou o seu passado desde a escolinha Baden-Powell, onde deu os primeiros chutos, até à mudança do São Paulo para o FC Porto, num negócio-relâmpago no último dia da janela de inverno da época passada. Antes de o negócio estar concretizado, o ala brasileiro consultou James Rodríguez, antigo astro portista que era seu companheiro no emblema paulista. «Já tinha falado com o James sobre o Porto, conversávamos várias vezes e ele sempre me falou da grandeza do clube e da atmosfera que era», revelou o jovem extremo brasileiro, que chegou ao Dragão num momento delicado, quando Anselmi substituíra Vítor Bruno.

«Eu já sabia do interesse do Porto e tive uma conversa franca com o treinador do São Paulo e com os dirigentes, manifestando a minha vontade. Na época estava de férias, os meus empresários conversaram comigo e na última semana disseram ‘pode pintar alguma coisa’. Tínhamos um pé atrás para não sofrer por antecipação, mantive-me focado no São Paulo. Depois de um jogo, o meu empresário ligou: ‘Amanhã viajas, está tudo certo com os teus pais’. Fiquei muito feliz, apesar de ser triste deixar a casa São Paulo, onde ainda tinha muito para dar. Mas com o FC Porto a chegar, fiquei felicíssimo», confessou.

Recebo muitas mensagens no Instagram a falar sobre isso e vejo isso, a dizer que saí barato, mas é bom que o São Paulo tenha ficado com essa percentagem – vou ajudá-los

A saída de Galeno e Nico González abriu espaço para jovens como William Gomes e Tomás Pérez, com o São Paulo a manter 20 por cento do passe. O preço pago pelo FC Porto, 9 milhões de euros, ainda hoje é motivo de revolta dos adeptos do São Paulo. «É verdade, recebo muitas mensagens no Instagram a falar sobre isso e vejo isso, a dizer que saí barato, mas é bom que o São Paulo tenha ficado com essa percentagem – vou ajudá-los», afirmou, grato pelo que o emblema tricolor representou.

O primeiro contacto com o Dragão foi especial, toda a vez que jogo lá espero aquela vibração

A estreia caseira, frente ao Sporting, foi inesquecível. «O meu primeiro jogo foi contra o Sporting. Cheguei uma semana antes e treinei algumas vezes. O Anselmi disse-me que me ia usar na ala esquerda, posição que nunca tinha feito. Mas o jogador joga em qualquer posição para ajudar. Corri mais, batalhei, e temos boas recordações – empatámos no fim. O primeiro contacto com o Dragão foi especial, toda a vez que jogo lá espero aquela vibração», recordou com emoção.

A pesada derrota com o Benfica (4-1) trouxe pressão. «A cobrança era válida, estávamos num mau momento. Ninguém gosta de perder um clássico assim em casa. Sabíamos da exigência do FC Porto. Era um passo gigante na carreira, sair de um grande como o São Paulo para outro em Portugal. Sabia da responsabilidade», admitiu.

Pepê alegre joga melhor. Os adeptos veem pouco do dia a dia, ele brinca sempre comigo, às vezes é chato, mas é isso

Na adaptação, Pepê e Otávio foram pilares: «Acolheram-me bem, eram os brasileiros na altura com o Samuel. Conversavam comigo, aconselhavam-me, o Pepê principalmente, mesmo nos dias difíceis». A cumplicidade com Pepê floresceu. «Nos primeiros meses pegámos intimidade. No Mundial de Clubes andámos juntos todos os dias. Na pré-época com Farioli ajudávamo-nos muito. Sabia que a época dele tinha sido dura, tentava animá-lo. Ele alegre joga melhor. Os adeptos veem pouco do dia a dia, ele brinca sempre comigo, às vezes é chato, mas é isso», riu-se.

No Mundial de Clubes tudo mudou tudo quando Anselmi me disse que iria jogar a ponta esquerda

No Mundial, a mudança tática de Martín Anselmi para ponta-esquerda virou o jogo: «No início foi difícil, jogava ala ou lateral, posições não naturais, e por dentro de costas. No Mundial mudou tudo quando me disse que iria jogar a ponta esquerda».