Pogacar continua a dominar
Pogacar continua a dominar

Vuelta: Pogacar ataca a 50 km da meta para nova vitória esmagadora

Esloveno brilha com a camisola vermelha nos Pirenéus para conquistar a vitória na quarta etapa com uma vantagem de quase três minutos, desde já importante para a conquista da classificação geral. João Almeida cedeu ainda cedo na dura jornada montanhosa e terminou 22.45 minutos depois de Pogacar

Há equipas que não se importam de favorecer Tadej Pogacar, uma vez que os líderes já não contam vencê-lo e remetem-se a estabelecer estratégias para serem o melhor dos outros, o segundo. Foi o caso da Decathlon na etapa pirenaica da Volta a Espanha esta terça-feira, a quarta, em que não se coibiu de poupar a equipa UAE Emirates ao esforço de controlar a fuga, numerosa e com intenções de partir a corrida desde os primeiros quilómetros logo em subida (Port d’Invalira: 23 km a 5%), o que acentuaria o desgaste aos companheiros de equipa do esloveno.

Além desse favor, a ação da equipa francesa serviu ainda, na perfeição, para lançar Pogacar para mais uma cavalgada irresistível, em solitário,  de 50 quilómetros, rumo a mais uma vitória esmagadora. O objetivo da Decathlon era deixar o líder Felix Gall em posição mais favorável face à concorrência extra-Pogacar, mas o austríaco, segundo classificado no último Giro de Itália batido por Jonas Vingegaard, cometeu o erro, tão despropositado como a tática da equipa - porque condenado ao malogro - de tentar responder ao ataque demolidor do ganhador do Tour de França na fase mais inclinada da segunda montanha da jornada, Collada de Beixalis (6,5 km a 8,6%), não aguentou o ritmo a solo.

Em consequência, ainda de transpor o topo da subida de 1.ª categoria, Gall já tinha sido absorvido por um grupo de mais de uma vintena de corredores, integrando os restantes líderes, e em que há muito não estava João Almeida, que cedeu ao ritmo da Decathlon na longa primeira ascensão da etapa.

Após a passagem pelo vale, no sopé da terceira contagem de montanha (Coll d’Ordino: 9 km a 7%) a vantagem de Pogacar atingia os dois minutos e no mini pelotão perseguidor destacavam-se o inconformado Felix Gall e o britânico Oscar Onley (Netcompany Ineos), a que se juntou, primeiro, o esloveno Primoz Roglic (Red Bull), e pouco depois o norte-americano Sepp Kuss (Visma) e o espanhol Enric Mas (Movistar). 

No cume de Ordino (1.ª cat.), o avanço de Pogacar já roçava o limiar dos três minutos para o quinteto, que era perseguido, a 30 segundos, por um quarteto composto pelo dinamarquês Matias Skjelmose (Lidl-Trek), equatoriano Richard Carapaz (EF Education) e com surpresa o belga Jarno Widar (Lotto) e o austríaco Gregor Muhlberger (Decathlon).

Nesse ponto do percurso, Pogacar já tinha cumprido metade da meia centena de quilómetros que o separavam da meta quando se isolou e ultrapassado as principais dificuldades montanhosas, e como é habitual no espantoso esloveno, apesar da superioridade numérica, continuou a cavar o fosso para o grupo adversário, que cresceu para nove unidades, com a junção do quarteto em que seguia Carapaz, antes da derradeira subida (Alto de la Comella: 3,8 km a 5,6%). O equatoriano e Skjelmose acabariam por ceder no grupo perseguidor.

Franqueado o último topo da etapa com pouco menos de três minutos de vantagem, Pogacar fez a descida para a meta com redobrada precaução - cruzando-a 2.39 minutos antes do surpreendente Jarno Widar, que liderou um sexteto - e celebrou em Andorra a Velha a primeira vitória nesta edição da Vuelta, a quarta em duas participações na prova espanhola.      

A maior figura do ciclismo mundial reforçou a liderança da Vuelta para 3.21 minutos sobre o compatriota, Roglic, e 3.32 para Enric Mas, segundo e terceiro na geral. João Almeida concluiu a etapa 22.45 minutos depois de Tadej Pogacar, integrado no grupetto, e desceu à posição 59 da geral a 23.41 minutos do companheiro de equipa camisola vermelha.

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