Em entrevista a A BOLA, Fernando Pinto, elemento da organização da Volta ao Algarve, falou sobre o processo de medição das bicicletas de contrarrelógio, que serve para aferir que estão conformes os regulamentos da UCI

Volta ao Algarve: Ganna voa em Vilamoura, Ayuso reforça amarela

Italiano foi o mais rápido no contrarrelógio de 19,5 quilómetros, espanhol foi segundo. João Almeida apenas 10.º e agora está a 44 segundos da liderança da Algarvia

O cronómetro não perdoou João Almeida e o sonho de reforçar a candidatura à conquista da Volta ao Algarve sofreu um abalo significativo nas estradas de Vilamoura. O português cedeu mais tempo do que previa no exercício individual de 19,5 quilómetros, numa etapa ganha pelo especialista italiano Filippo Ganna. 

Depois de já ter sido batido na véspera na subida ao Alto da Fóia, Almeida voltou a ver os principais rivais diretos ganharem-lhe segundos importantes. Perdeu 37 para Juan Ayuso e 30 para Paul Seixas, resultados que o deixaram a 44 do espanhol e a 37 do jovem francês na classificação geral. 

Ainda assim, o corredor da UAE Team Emirates não se escondeu nem dramatizou. Assumiu o que houve a assumir e deixou claro que saiu de consciência tranquila. «Dei o máximo, o meu melhor, fiz um bom contrarrelógio. Mas os outros foram mais rápidos. Esperava perder algum tempo, mas não tanto [para Ayuso]. Parabéns a ele, penso que está em ótima forma.»

 A serenidade manteve-se no discurso. Aos 27 anos, Almeida garantiu que as sensações foram positivas e que a corrida ainda não terminou. «Estou em forma, fiz uma boa prova, senti-me bem», afirmou, antes de lançar aviso para a derradeira etapa: «O último dia pode ser decisivo. Vou tentar atacar. Dar o nosso melhor.» 

O Alto do Malhão poderá, assim, ser o último cartucho para o português inverter o rumo da geral. 

Ganna feliz: «Enfim, a vitória no Algarve» 

Se para Almeida o dia foi de contas difíceis, para Filippo Ganna foi de afirmação. O campeão italiano confirmou o favoritismo no contrarrelógio e somou a primeira vitória em Portugal, ele que já conhecia bem as estradas algarvias. 

O corredor da Ineos Grenadiers explicou que está ainda em construção de forma, mas satisfeito com a execução do plano delineado. «A forma ainda não é a melhor, estou a começar a temporada competitiva, segui o plano que a minha equipa traçou e fiz o contrarrelógio por sensações. Por isso, a vitória é fantástica.»

 Ganna revelou ter optado por prudência na fase inicial do percurso, mais técnico, antes de acelerar na parte final. «Comecei de uma forma mais cautelosa e puxei mais na parte final, senti-me bem. O início do percurso era mais técnico e não quis correr riscos, porque apesar desta corrida ser importante, os meus objetivos estão a cerca de um mês.»

Depois do segundo lugar na geral em 2023, o italiano sentia que faltava algo na sua relação com a prova algarvia. «Em 2023, fui segundo na geral e tive bons resultados aqui no Algarve, mas até que enfim chegou a vitória.»

No Algarve, o relógio fez estragos na geral — mas também confirmou que, quando o terreno é plano e o esforço é solitário, Ganna continua a ser uma referência mundial.