Os vídeos do Migas e o que aí vem para o FC Porto
Migas, um conhecido adepto do FC Porto, iniciou esta época uma rubrica, chamemos-lhe assim, no Instagram, onde semanalmente, através de um vídeo muito curto, antecipa os confrontos da equipa do Porto e ironiza com as esperanças dos nossos adversários sobre a eventual perda de pontos. O vídeo tem, por norma, poucos segundos e resume-se a um passo de dança que Migas vai celebrizando ao ritmo de Chico da Tina, Lucas Maia. Para o sucesso destes seus vídeos muito têm contribuído duas condições essenciais: a equipa do FC Porto continua a vencer, a ultrapassar adversários e adversidades com sucesso; a esperança dos nossos adversários vai-se desvanecendo na exata medida dos resultados positivos da equipa azul e branca.
Sirvo-me desta alegoria com o propósito de sublinhar o que, para todos os sócios e adeptos do FC Porto, é hoje evidente. O trabalho consistente e a concentração competitiva são elementos fundamentais para o trajeto sólido que a equipa exibiu, por estas semanas, sob a batuta de Francesco Farioli.
De facto, o mês findo foi, para o FC Porto, de exigência máxima. Sob um calendário muito carregado, com jogos decisivos nas várias frentes em que compete, e rodeado de um ambiente externo manifestamente adverso, a equipa respondeu, correspondeu e fê-lo com categoria e obtendo resultados. O atual lote de jogadores, a estrutura técnica e a equipa diretiva de suporte vão demonstrando, domingo após domingo, que o exercício de planeamento do plantel e a organização meticulosa da temporada têm sido determinantes para o sucesso que se começa a reconhecer.
Feitas as contas ao mês três do calendário, o saldo é manifestamente positivo: o FC Porto mantém-se líder destacado da I Liga, garantiu a qualificação para os quartos de final da Liga Europa ao bater a equipa alemã do Estugarda e vai disputar o acesso à final da Taça de Portugal diante do Sporting, no Estádio do Dragão.
Merece, por isso, um sublinhado a circunstância de esta equipa ter ultrapassado um conjunto de jogos indubitavelmente exigentes sob o ponto de vista técnico-tático, assegurando um nível exibicional constante e manifestamente superior ao dos seus oponentes. Percebe-se ainda que o ataque ao mercado de inverno, com as chegadas de Thiago Silva, Moffi, Fofana e, sobretudo, de um jovem talento de apenas 17 anos, Oskar Pietuszewski, foi absolutamente cirúrgico, uma vez que permitiu acrescentar experiência, maturidade e muita categoria — no caso do jovem polaco — a um plantel já de si estruturado e competitivamente maduro. Os reforços aterraram no Dragão em meados de janeiro e, pelos indicadores que são conhecidos, a sua integração foi praticamente imediata, acrescentando soluções e valia técnica ao plantel. Ao acertar no perfil e nas características individuais dos recém-chegados, o FCP permitiu a Francesco Farioli uma gestão mais equilibrada, do ponto de vista tático e, sobretudo, físico do grupo, mantendo níveis elevados de rendimento. Refém de um calendário cada vez mais sobrecarregado, com jogos a cada três dias, contratar de forma acertada, em particular no mercado de janeiro, assume uma preponderância estratégica para quem pretende, como o FC Porto, disputar até ao final todas as competições em que está envolvido.
O que temos vindo a assistir é a uma equipa unida em torno de uma meta comum, sem vedetismos ou a sobreposição individual sobre o conjunto, consciente de que só com foco e esforço coletivo será possível ultrapassar com sucesso o período, provavelmente mais delicado, onde tudo se decidirá, da presente temporada.
Conforme se vai aproximando o período das grandes decisões, em que cada jogo representa uma sobrecarga física e emocional sobre os atletas, o FC Porto demonstra maturidade e concentração competitiva — atributos absolutamente necessários para forjar um campeão. A equipa respondeu de forma categórica na eliminatória da Liga Europa e exibiu uma enorme capacidade de resiliência no Estádio da Pedreira, diante do SC Braga, garantindo uma reviravolta no resultado. Este conjunto de atletas, ao manter-se firme diante das inúmeras adversidades, não sucumbindo quando o desgaste físico e emocional começa a querer impor-se, denota dois atributos fundamentais para quem pretende terminar o próximo mês de maio à frente dos seus adversários diretos — união e compromisso.