Saiba por que razão o FC Porto não consegue comprar o passe de Fofana
Figura proeminente da vitória do FC Porto em Braga, Fofana tem-se revelado um verdadeiro reforço na aceção da palavra, pois sempre que é chamado por Francesco Farioli corresponde em campo e tem ajudado sobremaneira a equipa na persecução dos seus objetivos.
Depois de ter dado nas vistas no clássico com o Sporting para o campeonato, entrando no relvado com uma energia contagiante que colocou em alvoroço a defensiva dos leões, ao ponto de marcar um golo numa jogada de grande insistência, em Braga o médio voltou a ser chamado pelo técnico italiano e, uma vez mais, trouxe um acrescento de intensidade aos dragões. Foi decisivo ao marcar o segundo golo dos azuis e brancos, que escancarou por completo as portas do título nacional, sabendo-se que a deslocação ao terreno dos guerreiros do Minho será, em termos teóricos, o jogo mais complicado até ao final do campeonato na condição de visitante.
Emprestado pelo Rennes até junho, o internacional costa-marfinense tem demonstrado uma enorme raça e determinação dentro das quatro linhas e o universo azul e branco está rendido ao seu potencial, pedindo mesmo a André Villas-Boas que faça um esforço financeiro no final da época e opte por comprar o seu passe.
A qualidade do jogador não está em causa, mas há um grande óbice que inviabiliza desde logo esse cenário hipotético. É que Fofana aufere um ordenado principesco ao serviço do Rennes, com quem tem contrato até 2029, valores que são manifestamente incomportáveis para a realidade financeira da SAD azul e branca.
Com um perfil de jogador à Porto e bastante apreciado por Francesco Farioli, que o conhece da sua passagem pelos franceses do Nice, Fofana sente-se bem no Dragão, mas ganha um vencimento muito elevado para que o FC Porto o possa igualar. Aliás, o seu empréstimo só foi possível pelo facto de em França ter o estatuto de suplente e procurar um desafio diferente para relançar a carreira. Dito por outras palavras, Fofana prescindiu de muito dinheiro para aceitar jogar seis meses de Dragão ao peito e ajudar a colmatar uma lacuna que existia de forma evidente no plantel orientado por Francesco Farioli.
Sente-se que Fofana, tal como aconteceu com Moffi, Oskar Pietuszewski e Thiago Silva, foram aquisições no mercado de inverno que vieram acrescentar quantidade e qualidade ao grupo de trabalho portista, pois todos eles têm mostrado qualidade e vontade de ajudar a recolocar o FC Porto no trilho do sucesso.
Com 30 anos e mais três anos de contrato com o Rennes, sempre com uma folha salarial bastante apelativa, Fofana tem deixado marca de água neste FC Porto de Francesco Farioli, ainda que sem o estatuto de titular indiscutível. Chegou para ser um acrescento de qualidade no meio-campo e o resultado está à vista desarmada.
Já com dois golos importantes na grande maratona que é o campeonato — que os dragões esperam terminar nos Aliados em primeiro lugar —, o reforço de inverno caiu já nas boas graças do exigente universo azul e branco e nem o penálti cometido em Alvalade, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, manchou a sua imagem junto dos exigentes adeptos do emblema da cidade Invicta.
Tem um perfil de jogador bastante físico e isso faz amplamente a diferença no modelo de jogo preconizado por Francesco Farioli. A compra do seu passe é algo irreal para a SAD liderada por André Villas-Boas, a menos que o médio chegasse a acordo de rescisão amigável com o Rennes e aceitasse baixar o seu ordenado de forma substancial. Caso contrário, o regresso a França é uma certeza.