Vitória, renovação, parabéns ao Porto e críticas do Benfica às arbitragens: tudo o que disse Rui Borges
O Sporting entra em campo em desvantagem na luta pelo acesso à UEFA Champions League, depois de derrota com o Benfica e dois empates seguidos, com Aves SAD e Tondela. As águias aproveitaram para ultrapassar os leões nesta corrida pelo 2.º lugar, têm três pontos de vantagem depois do empate em Famalicão e vitória dos verdes e brancos esta segunda-feira com o Vitória de Guimarães permite igualdade pontual com os encarnados, embora o emblema da Luz tenha a seu favor o confronto direto na hora do desempate.
Os leões ainda acreditam nessa posição que dá acesso à Liga dos Campeões mas para continuarem a acreditar têm de vencer os vimaranenses nesta segunda-feira (20h15 em Alvalade). Rui Borges fez este domingo a antevisão do encontro da jornada 32 e deu também os parabéns ao FC Porto pelo título, não quis comentar as críticas dos encarnados às arbitragens e comentou as palavras do presidente leonino, Frederico Varandas, sobre a aposta na Champions e a perda do tricampeonato. Dois dias depois de ter renovado contrato, de 2027 para 2028 com mais um ano de opção, o assunto foi também abordado. Eis tudo o que disse o treinador do Sporting:
— O que espera do Vitória de Guimarães e do seu jovem treinador Gil Lameiras?
— Antes de mais quero deixar aqui os parabéns ao FC Porto pela conquista do campeonato, foi merecedor, porque acabaram por ser a equipa mais regular ao longo da época. Por isso têm esse mérito de serem campeões nacionais. Sobre o Vitória, conheço o Gil, é um jovem que está de forma sustenta a chegar onde deseja, a conseguir dar os passos que deseja e admiro-o muito, pois é um miúdo que tem lutado por isso. Agora, são momentos diferentes, o Vitória está estabilizado, muito bem organizado, sofreu apenas um golo em quatro jogos. Isso tem claramente o dedo do treinador. Espera-nos um jogo difícil, contra uma equipa que está motivada. Todos esses fatores levam a que seja um Vitória com audácia, uma equipa que em termos ofensivos é a que mais cruza, tem muito o um para um, os seus alas são muito fortes nesses momentos. Em termos ofensivos vai tendo alguma variabilidade de dinâmicas, é uma grande equipa, que tem exigência máxima. Mas queremos muito voltar às vitórias.
— Começou por dar os parabéns ao FC Porto. O presidente Frederico Varandas disse que os jogadores portistas mereciam estar onde estão, os seus parabéns são também apenas para os jogadores ou são alargados a toda a estrutura portista?
— Não vou individualizar.
— E as provocações a Frederico Varandas e a Pote na festa do FC Porto?
— Para mim não merece reação alguma, estou focado apenas e só no jogo, não nos festejos, não vi nada. Portanto, nem sequer estou preocupado com isso, nem vou entrar nessas guerras.
Cansaço mental
— O cansaço psicológico pode servir de desculpa ou justificação para o Sporting estar a quebrar nesta altura e nos jogos em momentos decisivos?
— Não justifico isso, que esse cansaço psicológico existe, lá isso existe. Mas tínhamos de ser mais competentes. Existe o cansaço, mas não é desculpa. Jamais vou agarrar-me às desculpas. Não sou da sorte ou azar, é competência. Existe o cansaço mental por tudo o que tem sido a época, pelo que nos tem acontecido mas isso faz parte e temos de saber lidar com isso e reagir. A exigência é máxima e não há desculpas.
— O Sporting sofre quase metade dos golos no último quarto de hora dos jogos. O que falha?
— É algo que temos de perceber como podemos melhorar. Tem a ver com os jogos, com os momentos, com o marcador no momento. Essa explicação é difícil. Se calhar, se estivermos a ganhar 3-0 é normal que soframos, a equipa pode estar menos ligada. Há muitos golos que temos sofrido com ações individuais que não controlamos, por exemplo nos dois jogos com o SC Braga. Mas mais do que isso, penso que somos a segunda melhor defesa do campeonato…
— E como está o boletim clínico?
— Está tudo igual.
— Gonçalo Inácio e Hjulmand ainda jogam esta temporada?
— Geny Catamo recuperou da entorse?
— Sim, está às ordens.
Luta pelo 2.º lugar e críticas do Benfica às arbitragens
— O Benfica perdeu pontos neste sábado em Famalicão. Em semana de renovação isso dá mais confiança para o 2.º lugar?
— Sou confiante de nascença. Não tem a ver com o jogo de ontem do Benfica ou não, independentemente do resultado do Benfica continuamos a não depender de nós. Portanto, estou mais focado em voltarmos a ser um Sporting mais competitivo e com qualidade de jogo. E vencer, vencer os nossos jogos, perceber como melhorar nos próximos jogos, até porque temos um troféu para disputar [final da Taça de Portugal com o Torreense]. Temos de estar ligados e acima de tudo motivados para esta reta final. Há um peso, saímos desses desejos e objetivos, é natural que tenha mexido, temos de saber dar a volta a isso. As últimas semanas não mostram o que foi a época, não apagam nada. Há um orgulho enorme. Há que estabilizar e voltar ao nosso real valor. Temos de nos focar no nosso jogo.
— Teme que as críticas, como as feitas pelo presidente do Benfica, Rui Costa, possam colocar mais pressão nos árbitros?
— Não vou comentar isso.
Renovação, foco na Champions e perda do tricampeonato
— Na cerimónia de renovação do seu contrato, Frederico Varandas disse que houve uma aposta na Liga dos Campeões e que se calhar foi por isso que o tricampeonato ficou para trás. Sentiu isso também?
— Não vou comentar as palavras do presidente, nunca o farei, mas a comunicação entre treinador e presidente é muito honesta, limpa e saudável desde sempre. Estamos bem identificados com o desejo, às vezes nestas opiniões… Já tínhamos conversado, falamos sobre todos os assuntos. É natural, compreendi [as palavras do presidente leonino], até porque já tínhamos conversado bastantes vezes sobre o assunto.
— Faria tudo igual ou apostaria menos na Champions, por exemplo?
— Se calhar faria, é muito subjetivo estar aqui a dizer que mudava alguma coisa ou não, as coisas são como são. Tentamos dar sempre o nosso melhor, meter a melhor equipa que achamos no momento. Por isso, dentro do que foram todos os condicionalismos que tivemos ao longo do tempo, também com opções e malta de fora... É subjetivo estar aqui a dizer que mudava alguma coisa ou não. Estou orgulhoso de tudo o que fizemos. Claro que depois fica aqui esta frustração derivado também destes últimos jogos de campeonato…
— Mas o presidente admitiu que não tinha plantel para disputar os quartos…
— Depende muito da forma com que olhamos para as coisas, para as palavras. Acho que não tem a ver com o minimizar, tem a ver, acima de tudo, com a capacidade financeira dos melhores da Europa... Nunca vamos conseguir acompanhar isso. Logo aí, por maior que seja o clube em Portugal, e somos grandes, nunca vamos ter essa capacidade para nos equivalermos ao Arsenal, que tem um poder financeiro cinco vezes maior, nem conseguimos um terço disso... Fomos muito competentes, fizemos muito, orgulhámos os sportinguistas. Fizemos o nosso melhor.