Presidente do FC Porto falou aos jornalistas depois de ter recebido a Medalha de Mérito da cidade do Porto

Villas-Boas satisfeito com a escolha de Jorge Jesus após um «fracasso absoluto»

Presidente do FC Porto afirmou que era necessária uma mudança «radical e abrupta» após ver desperdiçada uma «geração de ouro» no Mundial 2026 e elogiou o treinador que chegou ao «topo da carreira». Falou ainda da demissão de Duarte Gomes

Em conversa aos jornalistas na Câmara do FC Porto, André Villas-Boas foi desafiado a comentar a chegada de Jorge Jesus para o cargo de selecionador nacional e admitiu ter ficado muito agradado pela escolha, depois de um Mundial 2026 muito desapontante.

«Bom, em termos de escolha, agrada-me. É um percurso que vem em continuidade. É uma pessoa que merece toda a nossa distinção e adoração. É um verdadeiro treinador de futebol, motivador de homens, com sucesso provado em diferentes campeonatos, em diferentes clubes e que chega agora, ao que me parece ser, ao topo da sua carreira e o abraça com grande ambição. Portanto, muito satisfeito pela escolha e espero que a mesma se traduza em títulos para a Seleção Nacional», começou por dizer, criticando o trabalho de Roberto Martínez.

«Relativamente à prestação, todos sabemos que foi inferior em tudo, em imagem, em qualidade, em jogos. Fica mais um Mundial marcado pela perda de oportunidade de uma geração de ouro. Portanto, se esta era realmente, mais uma vez, uma geração de ouro que queríamos ver potenciada no Mundial, foi um fracasso em absoluto em tudo. Não nos animou, não nos inspirou, não havia uma mensagem que nos permitisse sonhar. Fora, evidentemente, os slogans atrevidos, não havia nada de inspirador em qualquer uma das prestações», atirou, esperando que o futuro seja mais risonho.

«Portanto, contente por esta mudança. Acho que é uma mudança radical, abrupta, mas necessária e que se traduza em títulos para a Seleção Nacional e, sobretudo, em espírito, em alma, em dinâmica, em amor, porque se há algo que nos une é o nosso país e se há algo que se Scolari fez de distinto foi precisamente unir um país em torno a uma seleção. E, tirando o Euro 2016, nunca mais vimos um momento como esse. Portanto, espero que sim, que se traduza, sobretudo, em amor pela Seleção, pelos jogadores, pelos que representam, pelo que fazem por nós e que se traduza em títulos», completou.

Demissão de Duarte Gomes

Villas-Boas foi ainda questionado sobre a demissão de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da FPF e pediu esclarecimentos. «A demissão é grave, o facto de a Seleção ter estado ocupada com o Mundial não iliba a gravidade da situação, nomeadamente nas acusações que estão presentes relativamente ao que se passou, às acusações que supostamente o Duarte Gomes atribui ao manuseamento de processos de influência por parte de Luciano Gonçalves, que eu desconheço se é verdade ou mentira. Depois há evidentemente a proteção do honra e da reputação por parte do Presidente do Conselho de Arbitragem Luciano Gonçalves relativamente às acusações que lhe são imputadas. Todas elas são graves, tal como a grave demissão do Duarte Gomes. O FC Porto não fez outra coisa senão alertar para o que estava a passar relativamente à gestão bicéfala do organismo e às divergências que nos bastidores ouvíamos falar entre um e outro, entre o Diretor Técnico Nacional de Arbitragem e o Presidente do Conselho de Arbitragem», começou por dizer.

«Para mim o processo não está terminado, todos aguardamos as declarações públicas de Luciano Gonçalves, acho que as mesmas já deveriam ter acontecido, e estar perante os jornalistas para responder perante a gravidade do que lhe é imputado. São intranquilizantes, não devem corresponder a um bom início de campeonato. Convém ao Presidente da Federação também tomar uma posição pública sobre o caso, porque tem essa gravidade, principalmente quando se vangloriou a arbitragem portuguesa e o estado de saúde da arbitragem portuguesa pela simples nomeação de um árbitro português (João Pinheiro), que tem todo o mérito de estar no Mundial, mas quando ambos se vangloriaram sobre esse facto e sobre o bem-estar da arbitragem portuguesa quando foi essa nomeação...», atirou, queixando-se de erros de arbitragem na época passada.

«Portanto, o mérito individual do árbitro João Pinheiro em ter conseguido o Mundial não deve ser extensível à quantidade de erros que se passaram no campeonato anterior, e essa é uma responsabilidade maior de Duarte Gomes e de Luciano Gonçalves que até agora ficam por esclarecer como é que se permitiram a ter um campeonato tão influenciado por erros da arbitragem. Portanto, aguardo, gostaria de ouvir o Presidente da Federação Portuguesa, agora que terminou o Mundial e que se pode dedicar a este tema porque é um órgão independente, soberano, evidentemente, mas que tranquiliza muito o decorrer dos campeonatos e acho que era justo que viesse a público fazer declarações, bem como o Luciano Gonçalves, sobre esse tema», concluiu.

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