Francesco Farioli e André Villas-Boas na renovação - Foto: FC Porto
Francesco Farioli e André Villas-Boas na renovação - Foto: FC Porto

Villas-Boas e o novo contrato de Farioli: «Renovar é acreditar no método e na coragem»

No editorial da revista Dragões, presidente do FC Porto elenca os motivos pelos quais decidiu prorrogar o vínculo com o treinador italiano

No editorial que assina na revista Dragões, André Villas-Boas aborda de forma clara a recente renovação do treinador Francesco Farioli até junho de 2028. «A renovação de Francesco Farioli representa muito mais do que a continuidade de um treinador. Representa a continuidade de um método. De uma forma de estar. De uma cultura de trabalho que encaixa no que somos. Desde o primeiro dia, Farioli compreendeu que o FC Porto não vive de atalhos nem de facilidades: vive de rigor, de trabalho, de ética, de simplicidade e de uma obsessão saudável pelo detalhe. Compreendeu também que, aqui, não há vitórias «a prazo» – há responsabilidade diária. A forma como tem desenvolvido a equipa, como tem valorizado os jogadores, como trabalha em estrutura, como se relaciona com a sua direção, e como coloca sempre o clube acima de qualquer ego, confirma-nos aquilo que vemos no Olival: competência, coerência e ambição», assume.

E prosseguiu o seu raciocínio: «Os resultados, que nunca são obra de um homem só, mas sim de um coletivo que trabalha bem, são um reflexo dessa seriedade. O melhor arranque de sempre na nossa História no campeonato, os resultados históricos alcançados, a entrada direta nos oitavos de final da Liga Europa, a maturidade competitiva com que a equipa tem respondido às exigências, tudo isso tem assinatura: do grupo, do treino, do método, da liderança, do compromisso. E é isso que queremos preservar e potenciar. Renovar é acreditar. Renovar é dar estabilidade a um projeto que pretende devolver o FC Porto, de forma sustentada, ao lugar natural onde sempre esteve: o lugar dos títulos. E também aqui Francesco Farioli percebeu a essência. Porque quem lidera o FC Porto tem de entender que este clube não vive apenas dentro das quatro linhas. Vive de símbolos, de cultura, de pertença. Vive daquilo que nos une e nos distingue. E quanto mais o nosso treinador e a nossa equipa compreenderem essa dimensão, mais fortes seremos como projeto desportivo, mas também como Instituição».

O editorial de André Villas-Boas na Dragões na íntegra
Há lugares que guardam histórias e há Instituições que as escrevem todos os dias, com trabalho, coragem e compromisso. Entrámos em janeiro com essa consciência, a de que o futuro não se prevê, constrói-se. E constrói-se com decisões claras, com pessoas certas nos lugares certos e com a fidelidade inegociável aos valores que fazem do FC Porto aquilo que hoje é: um Clube exigente, com uma identidade muito própria. É por isso que a renovação de Francesco Farioli representa muito mais do que a continuidade de um treinador. Representa a continuidade de um método. De uma forma de estar. De uma cultura de trabalho que encaixa no que somos. Desde o primeiro dia, Farioli compreendeu que o FC Porto não vive de atalhos nem de facilidades: vive de rigor, de trabalho, de ética, de simplicidade e de uma obsessão saudável pelo detalhe. Compreendeu também que, aqui, não há vitórias “a prazo” - há responsabilidade diária. A forma como tem desenvolvido a equipa, como tem valorizado os jogadores, como trabalha em estrutura, como se relaciona com a sua direção, e como coloca sempre o Clube acima de qualquer ego, confirma-nos aquilo que vemos no Olival: competência, coerência e ambição. Os resultados, que nunca são obra de um homem só, mas sim de um coletivo que trabalha bem, são um reflexo dessa seriedade. O melhor arranque de sempre na nossa História no campeonato, os resultados históricos alcançados, a entrada direta nos oitavos de final da Liga Europa, a maturidade competitiva com que a equipa tem respondido às exigências, tudo isso tem assinatura: do grupo, do treino, do método, da liderança, do compromisso. E é isso que queremos preservar e potenciar. Renovar é acreditar. Renovar é dar estabilidade a um projeto que pretende devolver o FC Porto, de forma sustentada, ao lugar natural onde sempre esteve: o lugar dos títulos. A escolha do local para anunciar essa renovação não foi ao acaso. A Livraria Lello Porto, que celebrou 120 anos de história, é uma das grandes instituições da nossa cidade. Um património que atravessa gerações, que liga a cultura ao orgulho de ser do Porto, e que representa valores que também são nossos: o respeito pela memória, a ambição de futuro, a exigência, a ligação à comunidade, a projeção internacional. Ao juntarmos a Livraria Lello Porto e o FC Porto, fizemos aquilo que o Clube tem a obrigação de fazer: reforçar a ligação entre cidade e emblema, entre Porto e FC Porto, entre a nossa identidade local e a nossa presença global. E também aqui Francesco Farioli percebeu a essência. Porque quem lidera o FC Porto tem de entender que este Clube não vive apenas dentro das quatro linhas. Vive de símbolos, de cultura, de pertença. Vive daquilo que nos une e nos distingue. E quanto mais o nosso treinador e a nossa equipa compreenderem essa dimensão, mais fortes seremos como projeto desportivo, mas também como Instituição. No plano competitivo, janeiro trouxe-nos aquilo que define os grandes grupos: capacidade de sofrer, de resistir, de responder sob pressão e de vencer em contextos difíceis. As vitórias fora frente ao Santa Clara e ao Vitória de Guimarães, em dois campos exigentes, foram provas claras de maturidade e de carácter. Não foram jogos “fáceis”, nem poderiam ser. Foram jogos de determinação, de coragem e de espírito de luta, esse ADN que os outros invejam e que faz com que o FC Porto nunca se esconda, nunca se renda e nunca abdique. A isto somámos um triunfo frente ao Benfica na Taça, que nos coloca nas meias-finais e nos abre a porta para uma eliminatória decisiva com o Sporting CP ou contra o AVS SAD. Na Liga Europa, o percurso está a ser marcado por uma enorme demonstração da nosso ADN. Plzeň foi o espelho desse caminho, um jogo de uma dureza que só um querer imenso conseguiria vergar. Com o Rangers, o que começou com uma adversidade, transformou-se num jogo em que toda a equipa mostrou que tem argumentos para passar à próxima fase com a sua ambição reforçada. Mas nada está ganho. O caminho que temos pela frente continua exigente. Continuaremos a disputar tudo, contra tudo e contra todos: contra adversários fortes e em contextos difíceis, contra a narrativa carbonizada e plasmada de alguns “comentadores”, que de isentos têm pouco, em meios de comunicação social, que anseiam pela nossa queda, chegando até a prevaricar com a honra dos atletas das equipas que defrontam o FC Porto e que dedicam horas a esmiuçar , em “loop” e com lupa, imagens à procura de penáltis inexistentes contra o FC Porto, sustentados por ex-membros de comissões não permanentes de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol que continuam a intoxicar o trabalho dos árbitros a cada fim de semana. Por tudo isto, fevereiro será um mês determinante na nossa caminhada, onde a união em torno da equipa e dos seus objetivos é fundamental. É por termos plena consciência dessa exigência que atuámos no mercado, reforçando a equipa de acordo com as necessidades identificadas pelo treinador e pela estrutura. As chegadas de Thiago Silva, de Óscar Pietuszewski e de Terem Moffi respondem a uma lógica clara: qualidade, perfil, carácter e utilidade para o projeto e as nossas ambições. E assim seguindo uma estratégia pensada, continuamos atentos ao que faz sentido, sempre com a mesma matriz: responsabilidade financeira e ambição desportiva. Esse futuro constrói-se também fora do relvado, com a internacionalização contínua do FC Porto. Foi com entusiasmo que assinamos o protocolo de cooperação com o FC Cincinnati, da MLS. Um parceiro que representa uma visão moderna e exigente do futebol: profissionalismo, seriedade, qualidade de infraestruturas, capacidade de desenvolver jogadores e, sobretudo, uma cultura de crescimento sustentado. Para o FC Porto, esta parceria significa abrir portas e criar pontes num mercado estratégico como os Estados Unidos, aproximando o Clube de novos públicos e consolidando a nossa presença global. No continente africano, os países de língua portuguesa em particular continuam a ser uma prioridade e a ser olhados com muita atenção. Nessa senda, o FC Porto reforçou a sua expansão neste continente com o lançamento da Dragon Force Black Bulls Mozambique, em parceria com a Associação Black Bulls. Este projeto, que arranca de imediato, focar-se-á na exportação da nossa metodologia de formação e na identificação de talentos locais com potencial para serem integrados em programas de alto rendimento, consolidando Moçambique como um território de enorme relevância estratégica, após aberturas semelhantes no Zimbabwe e em Cabo Verde. E não ficaremos por aqui. As próximas semanas poderão trazer novidades importantes para a nossa expansão para a Ásia. Porque o FC Porto tem de ser, cada vez mais, um Clube do Porto para o mundo, sem nunca perder a identidade, sem nunca abdicar dos valores, sem nunca esquecer de onde vem a nossa força. Uma palavra sobre o nosso ecletismo, que é parte inseparável da identidade do FC Porto. A nossa equipa feminina de voleibol tem feito um percurso muito positivo e queremos que continue a demonstrar toda a sua capacidade para nos devolver um título que nos escapou na época passada. O apoio dos Sócios e Adeptos tem sido fundamental e continuará a ser decisivo. No hóquei em patins, a mudança na equipa técnica trouxe uma transformação visível: na forma de jogar, na confiança dos atletas e na qualidade coletiva. É gratificante ver essa evolução, jogo após jogo, e saudar o grupo pelos resultados recentes com a ambição de manter este crescimento em fevereiro e continuar a lutar pelo título com a mesma intensidade que sempre nos caracterizou. No andebol e no basquetebol, a exigência é total. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para alcançar os resultados que ambicionamos. Não podemos ceder em nenhuma das frentes em que estamos envolvidos e levar o nosso compromisso com a vitória até ao final da temporada. O FC Porto é isto: trabalho, identidade, coragem. Um Clube que se renova, que vence, que cresce e que não se desvia do que é essencial. Cada jogo é uma Arena. Cada mês é um capítulo. E o próximo capítulo escreve-se com foco, com união e com a ambição de sempre. Conto convosco. Sempre. Viva o Futebol Clube do Porto!