A celebração de Rodrigo Mora contra o Rangers - Foto: Imago
A celebração de Rodrigo Mora contra o Rangers - Foto: Imago

O que tem o Estádio do Dragão de especial para Mora? Tudo!

O jogo contra o Rangers confirmou a leitura de Francesco Farioli quando fala do rapaz-maravilha como um jogador «mais coletivo» e consistente

Rodrigo Mora reencontrou o golo e o melhor palco predileto para o fazer: o Estádio do Dragão. Os quatro golos que leva esta época foram todos marcados em casa, sempre com a bancada a empurrar: Estrela Vermelha, SC Braga, Sintrense e, agora, Rangers. Uma espécie de pacto silencioso com o relvado que melhor conhece. O remate certeiro diante dos escoceses quebrou um jejum de dois meses — o último festejo datava de novembro de 2025, frente ao Sintrense.

Em 2024/25, Mora assinou 11 golos e quatro assistências em 35 jogos, números que ainda parecem distantes esta época, marcada pela alternância entre o onze e o banco. Francesco Farioli tem privilegiado a utilização de Gabri Veiga, entendendo que a presença simultânea de ambos de início pode desequilibrar o meio-campo em termos defensivos. Com o calendário a apertar, o técnico gere a dupla quase em regime de rotação.

Frente ao Rangers, Mora respondeu em campo. Em 81 minutos, assinou um golo em três remates (um enquadrado, dois bloqueados). Não foi apenas o momento do golo a destacar-se: com bola, mostrou critério entre linhas, fechando o encontro com 23 passes certos em 29 tentados (79% de eficácia). No meio-campo ofensivo acertou 12 em 17 (71%), enquanto no próprio meio-campo quase não falhou: 11 certos em 12 (92%).

O jogo contra os escoceses confirmou a leitura de Farioli quando fala de um Rodrigo Mora «mais coletivo». Sem bola, revelou compromisso num cenário exigente. Somou quatro ações defensivas relevantes: um corte, uma interceção, um alívio e um remate bloqueado. Recuperou quatro bolas, mostrou disponibilidade nos duelos – 10 disputados no solo, com três ganhos.

Este pacote estatístico sinaliza um jogador mais completo, menos obcecado pelo brilho individual e mais preocupado em encaixar na engrenagem. O golo ao Rangers, em mais uma noite grande no Dragão, é sinal de que continua muito vivo na luta pelo lugar. Num FC Porto que precisa de criatividade, golo e dinamismo entre linhas, o camisola 86 portista volta a bater à porta com argumentos sólidos — e o Dragão, palco de todos os seus golos este ano, parece pronto para o ouvir.