André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: MIGUEL NUNES
André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: MIGUEL NUNES

Villas-Boas e as críticas de Rui Alves: «Realidade agrada à maioria dos clubes»

Líder dos dragões defendeu os méritos do novo modelo de centralização dos direitos televisivos

O modelo de centralização dos direitos televisivos abriu uma ferida entre Rui Alves e André Villas-Boas. O presidente do Nacional apresentou uma proposta alternativa a que o líder do FC Porto opôs-se veementemente, ameaçando mesmo recorrer à justiça se a proposta dos insulares passasse na Assembleia Geral da Ligao que não aconteceu. Na troca de palavras, Rui Alves disse que Villas-Boas «era ignorante» relativamente ao tema. AVB não respondeu à letra a defendeu o novo modelo de distribuição das receitas televisivas.

«A proposta foi levada à Assembleia Geral, foi aprovada com cerca de 80% ou mais de 80%. É uma realidade que agrada à maior parte dos clubes e um passo decisivo na construção de um bom futuro do futebol português. Seguem-se novos passos. Os novos passos são ir ao mercado e ambicionarmos às quantias que nós pensamos que vale o futebol português. Aquela chave de repartição está bem feita, valoriza, como é óbvio, todos os outros clubes; mantém também o que é o dignificar dos três grandes e da sua importância enquanto motor económico do futebol português, porque isso é inegável. E não querendo repetir-me, mas essa é a demografia associativa de Portugal e reflete isso mesmo. E essa clara demografia foi respeitada também no campo da distribuição da chave de repartição», defendeu AVB.

«A partir de agora é ir ao mercado, encontrar as melhores soluções e, depois disso, é sobretudo os desafios que se seguem para o futebol português, que é a melhoria das infraestruturas, uma maior capacidade de atrair os públicos aos estádios, evitar situações de licenciamentos indevidos, que não devem acontecer quando há clubes que andam a submeter PERs para se safarem de algumas responsabilidades e dívidas que têm perante outros. Acho que isso também não nos dignifica e nem nos valoriza. Portanto, é encontrarmos regulamentos de licenciamentos mais claros, melhoramento de infraestruturas, melhoramento das tecnologias de VAR e todos os passos que dignifiquem e melhorem o produto que o futebol português é, é o que vamos estar concentrados agora», garantiu o líder portista.

«Prioridade é formar base mais sólida»

André Villas-Boas deixou uma mensagem de continuidade e estabilidade na construção do FC Porto para 2026/27, sublinhando que o clube se move sem pressas nem alaridos no mercado. Explicou que a prioridade passa por «manter a base da equipa» e «construir uma mais sólida», alinhada com os requisitos definidos pelo treinador. «Agora vem o Campeonato da Europa, as atenções vão estar focadas aí. O FC Porto segue calmamente o seu plano relativamente às opções que tem no mercado e o nosso objetivo, como eu disse, é manter a base da equipa que temos e construir uma mais sólida, correspondendo aos requisitos que o treinador nos pede. Dentro do possível, operaremos sempre no mercado de uma forma muito silenciosa. Já concluímos dois atletas que nos reforçam a equipa principal, outro em relação à equipa principal e equipa B, e assim seguiremos», assegurou.

'Explosão' de sócios

No plano institucional, Villas-Boas destacou o crescimento da massa associativa, que descreveu como uma «explosão de sócios». Recordou que o FC Porto tem aumentado o número de associados «20% ao ano desde 2004», algo que lê como prova de «muita união portista» e «muito amor em torno do clube».

O presidente ligou esse crescimento também à transformação digital do FC Porto, que facilitou o processo de adesão.Villas-Boas apontou ainda para outros indicadores positivos: o aumento das receitas comerciais e as enchentes sucessivas no Estádio do Dragão, que classificou como o estádio com maior afluência na época passada. A partir daqui, a prioridade passa por elevar o patamar: «Há um sem-número de outras coisas onde temos crescido: do ponto de vista das receitas comerciais, as presenças no estádio — o Estádio do Dragão foi o estádio com mais afluência da época transata e isso são sinais muito bons para o futuro. Agora estamos dedicados a melhorar o Estádio do Dragão, os seus serviços, os serviços de hospitalidade e a melhoria de serviços aos adeptos e aos sócios quando se deslocam ao estádio. Portanto, a nossa preocupação é sempre melhorar a experiência também do adepto e do sócio.»

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