Villas-Boas ataca advogado de Mora e critica «memória seletiva» nacional
André Villas-Boas aproveitou a transferência de Rodrigo Mora para a Roma para responder às críticas dirigidas ao clube, comparando o negócio com a saída de Diego Moreira do Benfica e tecendo duras críticas ao advogado do jogador, Luís Miguel Henrique.
Numa defesa da gestão portista, Villas-Boas enquadrou a venda do jovem talento numa estratégia que visa a sustentabilidade financeira e a ambição desportiva, sublinhando que as decisões da administração procuram proteger o futuro do FC Porto.
O líder dos dragões questionou a disparidade de reações mediáticas perante transferências de jovens formados em Portugal. Recordou o caso de Diego Moreira, que saiu do Benfica a custo zero e, após passagens por Chelsea, Lyon e Estrasburgo, foi transferido para o AC Milan por 50 milhões de euros, um negócio que, segundo Villas-Boas, não gerou o mesmo debate público.
«Um talento formado em Portugal abandonou o clube que o desenvolveu sem qualquer retorno direto, percorreu diferentes campeonatos e acabou por gerar uma das maiores vendas do futebol francês. Não houve luto nacional, nem as habituais caixas de contas, indignação permanente ou preocupação súbita com a perda de talento português. Houve silêncio».
Um talento formado em Portugal abandonou o clube que o desenvolveu sem qualquer retorno direto, percorreu diferentes campeonatos e acabou por gerar uma das maiores vendas do futebol francês. Não houve luto nacional, nem as habituais caixas de contas, indignação permanente ou preocupação súbita com a perda de talento português. Houve silêncio
Em contraste, Villas-Boas aponta que a venda de Rodrigo Mora, que rendeu um «encaixe imediato relevante» e manteve uma «participação determinante no seu futuro», suscitou uma onda de contestação.
«De repente, instalaram-se a preocupação, a comoção, a tristeza e a fiscalização financeira, aos quais se juntou a típica memória seletiva da "painelada" nacional. Perder um talento a custo zero não merece comentário; valorizá-lo em 50 milhões de euros transforma-se num problema, desde que o mérito e o retorno fiquem a norte».
De repente, instalaram-se a preocupação, a comoção, a tristeza e a fiscalização financeira
O presidente portista dirigiu ainda duras críticas ao advogado de Mora, que identificou como «um oportunista à procura de palco». Villas-Boas afirmou que a intervenção de Luís Miguel Henrique foi «totalmente paralela e irrelevante» para as negociações, mas que as suas «tristes opiniões» forçaram os pais e o agente do jogador a demarcar-se. «O seu desrespeito pelo FC Porto e, principalmente, pelo treinador do FC Porto, jamais será esquecido», garantiu.
«Os seus serviços de advogado tiveram zero influência no desfecho das negociações entre clubes, mas as suas tristes opiniões obrigaram os pais do jogador a distanciarem-se das suas palavras e o agente do jogador a pedir desculpa à Instituição. A imoralidade da sua tomada de posição e a revelação dos contornos do negócio chocam com o dever de reserva e descrição profissional pelo qual se regem os advogados», situou.
Os seus serviços de advogado tiveram zero influência no desfecho das negociações entre clubes, mas as suas tristes opiniões obrigaram os pais do jogador a distanciarem-se das suas palavras e o agente do jogador a pedir desculpa à Instituição
Villas-Boas reconheceu que o «cenário perfeito» seria um clube capaz de reter os seus talentos por mais tempo, mas que até lá, a gestão implica «decisões difíceis» para garantir a sustentabilidade. Rodrigo Mora junta-se assim a uma lista de «filhos da casa» como Vitinha, Rúben Neves, Diogo Dalot, Fábio Vieira e Fábio Silva, que «partiram cedo para outras aventuras». Mas deixou uma nota para um possível regresso no futuro: «Caro Rodrigo, o Dragão que te levou até Roma é o mesmo que, um dia, te trará de volta.»
O seu desrespeito pelo FC Porto e, principalmente, pelo treinador do FC Porto, jamais será esquecido
Por fim, o presidente do FC Porto deixou uma mensagem aos críticos: «Não deixem de existir. Também vocês desempenham um papel principal na afirmação do maior Clube português. Obrigam-nos a estar atentos, a explicar melhor, a trabalhar mais e a recordar diariamente que, para o FC Porto, o caminho raramente é simples».
Caro Rodrigo, o Dragão que te levou até Roma é o mesmo que, um dia, te trará de volta.»