Gattuso deve estar de saída depois de nova desilusão
Gattuso deve estar de saída depois de nova desilusão

Velhos conhecidos e um sonho: Itália prepara pós-Gattuso

Italianos falham terceiro Mundial consecutivo e atual selecionador deve estar de saída

Após mais um fracasso da seleção de Itália, a busca por um novo selecionador está em curso, com Roberto Mancini e Antonio Conte a perfilarem-se como os principais candidatos para assumir o comando técnico, de acordo com a Gazzetta dello Sport. A saída de Gennaro Gattuso é praticamente certa, especialmente com a provável demissão de Gravina, presidente da federação. O contrato de Gattuso termina em junho e, já em Marbella com a família, o seu adeus parece iminente.

Gattuso e Buffon tinham um pacto para permanecerem juntos até junho, mas o atual selecionador, conhecido por tomar decisões corajosas, poderá antecipar a sua saída caso não se sinta apoiado. A reconstrução da equipa nacional italiana recairá, assim, sobre um novo líder.

O próximo selecionador, seja quem for, herdará a base de jogadores de Gattuso, embora se espere uma mudança de sistema tático e uma revisão das hierarquias. Nomes como Barella ou Bastoni não têm a titularidade garantida. O foco principal será trabalhar o aspeto mental da equipa, que tem demonstrado fragilidade nos momentos decisivos.

A história recente da Itália é marcada pelo medo em jogos a eliminar. O empate a zero com a Ucrânia, o 1-1 com a Croácia e a derrota com a Suíça são exemplos de jogos onde a equipa sucumbiu à pressão. O confronto com a Bósnia, mesmo com dez jogadores, foi mais um episódio de uma equipa que se defendeu excessivamente. O novo líder terá de incutir uma nova mentalidade e exigir mudanças estruturais no trabalho semanal junto dos clubes e da federação.

Os principais candidatos a suceder a Gattuso

A corrida parece ser a dois, entre Roberto Mancini e Antonio Conte, avança a Gazzetta, sendo que a Sky fala também no nome de Allegri. A relação de Mancini com a federação terminou de forma conturbada, mas com a saída de Gravina o passado deixaria de ser um obstáculo. Um eventual sucessor de Gravina veria com bons olhos o regresso do técnico campeão europeu em 2021. A sua principal vantagem é a flexibilidade para se desvincular do seu atual compromisso no Qatar. A dúvida reside em qual versão de Mancini regressaria: o visionário de 2018 ou o técnico desmotivado da fase final da última passagem.

Por sua vez, Antonio Conte deixou uma imagem positiva em 2016, quando quase alcançou um feito notável com uma das equipas mais modestas dos últimos anos. O seu principal entrave é o contrato com o Nápoles. Embora a sua relação com De Laurentiis não seja a melhor, seria necessário rescindir o vínculo e estar disponível já em junho para os jogos particulares, algo crucial para não atrasar a preparação para a Liga das Nações.

O sonho Guardiola e outras opções

Num cenário mais ambicioso, surge o nome de Pep Guardiola. O técnico espanhol pode estar de saída do Manchester City e poderia ser tentado por um projeto desafiador como o da seleção italiana. No entanto, esta continua a ser uma hipótese remota.

Outras opções de topo são escassas. Allegri é visto como ideal para o cargo, mas o Milan dificilmente libertaria o treinador. Spalletti já teve a sua oportunidade e Gasperini está na Roma. A opção de um treinador estrangeiro não é vista como solução, sendo que a última experiência remonta aos anos 60 com Helenio Herrera. A questão que se coloca é se fará sentido dispensar Gattuso, que já criou um grupo e tem experiência, se não for para contratar um nome de indiscutível calibre.