Gennaro Gattuso, selecionador de Itália
Gennaro Gattuso, selecionador de Itália - Foto: IMAGO

Após objetivo falhado, selecionador de Itália pondera demissão

Seleçã italiana vai falhar o Mundial pela terceira vez consecutiva e Gennaro Gattuso pode abandonar o cargo, mas não depende só de si

O futuro de Gennaro Gattuso como selecionador de Itália está envolto em incerteza, com a possibilidade de o próprio técnico apresentar a demissão antes mesmo de uma decisão do Conselho Federal, avança a La Gazzetta dello Sport. Apesar de ter sido confirmado no cargo por Gravina, o Presidente da Federação, o cenário permanece complexo e a continuidade de Gattuso não está garantida.

Nestes momentos de crise, é comum que o selecionador seja o principal visado. Contudo, a situação atual da seleção italiana tem raízes mais profundas. O próprio presidente federativo, Gravina, que já havia apoiado Mancini após a derrota com a Macedónia do Norte, em 2022, poderá ver-se forçado a sacrificar Gattuso para garantir a sua própria sobrevivência política, garante a mesma fonte.

Conhecido pela sua frontalidade e paixão, Gattuso é um homem que assume as suas responsabilidades e não se esconderá. Embora nunca o admita publicamente, é certo que alguns dos seus jogadores não estiveram à altura do desafio em Zenica com a Bósnia. A este respeito, a entrada tardia de Palestra, que foi o melhor em campo, levanta questões sobre a gestão da equipa, sugerindo que a idade não deveria ser um fator decisivo nas escolhas futuras.

A missão de Gattuso era, desde o início, temporária. Assumiu o comando para recuperar a equipa após uma derrota com a Noruega, mas um novo desaire frente ao mesmo adversário acabou por abalar a confiança do grupo. Esta fragilidade ficou evidente nos jogos contra a Irlanda do Norte e a Bósnia, onde o medo e a ansiedade levaram a oportunidades desperdiçadas.

A atitude da equipa em campo é um dos pontos mais críticos. A Itália demonstrou uma tendência preocupante para recuar e defender a vantagem mínima logo após marcar, uma postura que precisa de ser urgentemente corrigida. Em setembro, a equipa jogava de forma vertical; em março, o seu futebol tornou-se horizontal e previsível. É crucial perceber se esta abordagem defensiva foi uma instrução direta de Gattuso ou um recuo instintivo e culposo dos jogadores.

Nos próximos dias, Gattuso irá refletir sobre o seu futuro, consultando a família e amigos próximos como Gigi Buffon, que foi fundamental na sua nomeação, e Ambrosini. Embora não seja do seu feitio fugir às adversidades, o selecionador poderá optar por se afastar caso sinta que já não é a solução. Uma demissão seria uma forma de tomar controlo de um destino que, neste momento, parece não depender apenas da sua vontade.