Jonathan Vaughters (Foto:Imago)
Jonathan Vaughters (Foto:Imago)

Vaughters defende controlos antidoping noturnos: «Teriam poupado 25 anos de drama ao ciclismo»

Diretor-desportivo da Cannondale-EF afirma que autoridades antidoping fazem bem, quando se preocupam com a microdosagem de substâncias como a EPO e a hormona de crescimento

O diretor da equipa Cannondale-EF, Jonathan Vaughters, afirmou que a implementação mais precoce de controlos antidoping durante a noite poderia ter evitado a era do doping sanguíneo no ciclismo e poupado à modalidade «25 anos de drama».

A polémica surgiu após vários ciclistas na Volta a França, incluindo o líder da prova Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard, terem sido acordados de madrugada para controlos surpresa antes da 15.ª etapa, o que gerou queixas sobre a perturbação do descanso.

Vaughters, antigo ciclista profissional que admitiu ter recorrido a substâncias dopantes, defendeu a prática nas redes sociais, argumentando a sua eficácia. «Os testes às 2 da manhã são uma das formas mais eficazes de prevenir a microdosagem de peptídeos (EPO, hGH) e testosterona», escreveu. «Se a UCI [União Ciclista Internacional] nos tivesse testado em 2001 às 2 da manhã? Teríamos sido todos suspensos e poupado 25 anos de drama ao desporto».

As declarações de Vaughters ganham particular relevância devido ao seu passado. Foi colega de equipa de Lance Armstrong na US Postal Service nos anos 90 e, mais tarde, testemunhou na investigação da Agência Antidopagem dos Estados Unidos (USADA) que levou à anulação dos sete títulos do Tour de Armstrong, em 2012.

Após a sua carreira, Vaughters fundou a equipa atualmente conhecida como Cannondale-EF, posicionando-a como uma defensora do ciclismo limpo.

As suas observações contrastam com a reação de alguns dos principais nomes do pelotão. Jonas Vingegaard, testado às 2 da manhã, referiu ter perdido cerca de 40 minutos de sono antes de uma etapa de montanha. Por sua vez, Tadej Pogacar, controlado às 5 da manhã, afirmou ter dormido apenas quatro horas. Já Remco Evenepoel, vencedor da etapa, classificou a prática como «desumana».

A Agência Internacional de Testes (ITA), responsável pelos controlos para a UCI, reconheceu que os testes noturnos podem ser «perturbadores para o descanso e recuperação dos ciclistas», mas sublinhou que, «em circunstâncias limitadas e justificadas», devem ocorrer fora do horário diurno para garantir a sua eficácia.

As autoridades antidoping há muito que se preocupam com a microdosagem de substâncias como a EPO e a hormona de crescimento humano, que podem ser eliminadas do organismo em poucas horas, tornando os testes diurnos e previsíveis mais fáceis de contornar.

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