Varela foi coelho da Páscoa e ofereceu ovos europeus (crónica)
Não foi há muito tempo que César Peixoto pediu autorização aos seus jogadores para assumir, em praça pública, o objetivo europeu. «Eu vou, eu quero ir à Conference League», disse, no final do empate 2-2, em casa, com o Alverca, a 14 de março, precisamente a meio de uma crise de cinco jornadas sem provar o sabor da vitória.
Mas a Páscoa chegou e, ao fim não de três dias, mas sim de seis jornadas, a ressurreição foi real em Barcelos, tendo o Gil Vicente voltado a triunfar. Em Sexta-Feira Santa, há quem de tudo não coma, mas em Barcelos a fome era tanta que, à capoeira avense, o galo não foi capaz de dizer que não. Apanhando um Aves SAD em estado crítico, os gilistas não perdoaram, igualaram os 45 pontos do Famalicão, regressaram ao 5.º lugar e deram, então, um passo muito importante rumo a essa meta europeia.
Os gilistas entraram fortes, dominantes e Gustavo Varela foi o estreante desta edição da caça aos ovos, fazendo abanar as redes ao minuto 11, com um golaço. Depois de receber uma bola de Murilo, pela direita, Luís Esteves cruzou para o coração da área, onde estava o avançado que matou a bola no meio e, sem deixar cair, disparou para dentro da baliza.
O conjunto minhoto continuou a carregar sobre uma lanterna vermelha já com muito pouco por onde reluzir. Tanto insistiu, tanto insistiu que desencantou o segundo ovo em forma de golo aos 34', mas desta vez por Murilo. A jogada começou num lançamento lateral, com o esférico a sobrar na área para o extremo brasileiro, que até viu o primeiro remate ser defendido por Adriel. No entanto, na recarga, o atacante não perdoou.
Em cima do intervalo o defesa-central Aderllan Santos impediu mais um golo…, mas ali do emblema do concelho de Santo Tirso. Pedro Lima bateu um livre junto à área, em jeito, mas o defesa meteu-se no caminho e impediu o 2-1. Foi a melhor oportunidade dos avenses no encontro inteiro.
Na etapa complementar, os galos continuaram a dominar, souberam controlar o jogo e ainda deu para cumprir a conta que Deus fez e... chegar ao tento número três. Após um cruzamento de Zé Carlos pela direita, houve uma confusão na pequena área. A bola sobraria para Gustavo Varela, que aproveitou para fazer o segundo da conta pessoal.
O Gil Vicente ganhou e sorriu, depois de cinco jogos sem fazê-lo. O Aves SAD, que vinha na mesa senda de resultados, agrava a situação e não é capaz de sair do buraco.
As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Dani Figueira (6); Zé Carlos (6), Espigares (5), Buatu (5) e Konan (5); Facundo Cáseres (6) e Luís Esteves (7); Murilo (7), Santi García (5) e Agustín (5); Gustavo Varela (7); Weverson (5), Zé Carlos Ferreira (4), Martín (5), Joelson (5) e Gil Martins (-)
As notas dos jogadores do Aves SAD (4x3x3): Adriel (4); Mateus Pivô (5), Paulo Vitor (4), Aderllan Santos (4) e Leonardo Rivas (4); Carlos Ponck (4), Gustavo Mendonça (5) e Pedro Lima (6); Tunde Akinsola (5); Tomané (5) e Andre Green (5); Diego Duarte (5), Óscar Perea (5), Kiki Afonso (5), Guilherme Neiva (-) e Nenê (-)
César Peixoto (treinador do Gil Vicente)
Desde início, tivemos confiança e personalidade de assumir que em casa somos superiores. Fizemos três golos, podíamos ter feito mais. Demos uma grande resposta, o futebol não estava a ser justo connosco. Atingimos o nosso primeiro objetivo: os 45 pontos. Agora vamos por mais.
João Correia (treinador-adjunto do Aves SAD)
Tínhamos um plano traçado, a equipa trabalhou bem durante a semana. Entrámos muito mal e acabámos por sofrer cedo. Não soubemos reagir e mostrámos muita passividade, principalmente nos duelos. Na segunda parte, o jogo foi mais dividido, mas não conseguimos marcar e foi o Gil a fazê-lo.