Mourinho dá indicações a Dedic no clássico com o FC Porto no Dragão — Foto: Catarina Morais/Kapta+
Mourinho dá indicações a Dedic no clássico com o FC Porto no Dragão — Foto: Catarina Morais/Kapta+

Valdo considera clássico decisivo e diz que Benfica «não tem margem de erro»

Antigo médio defende que Mourinho «recuperou a alma» da equipa

Na antevisão do clássico com o FC Porto, o antigo médio brasileiro Valdo, que representou o Benfica em duas passagens (1988 a1991 e 1994 a 1996), sublinhou a importância do encontro para as aspirações dos encarnados ao título, afirmando que a equipa «não tem muita margem de manobra».

Em declarações à agência Lusa, o ex-internacional brasileiro foi perentório quanto à necessidade de vitória da equipa da Luz. «O Benfica é vencer, vencer e vencer. No final é que se fazem as contas», declarou, considerando que um triunfo no Estádio da Luz «é um passo importante» na corrida pelo campeonato.

O Benfica, terceiro classificado com 58 pontos, recebe este domingo, às 18 horas, o líder FC Porto, que soma 65 pontos. O jogo, a contar para a 25.ª jornada da I Liga, será arbitrado por João Pinheiro.

Apesar de reconhecer o mérito da liderança portista, Valdo nota que a diferença pontual já foi maior. «O FC Porto lidera de forma incontestável, porque quem fez a campanha que fez merece estar onde está. Mas a vantagem já foi maior e podemos dizer que ainda está tudo em aberto», analisou o antigo jogador.

Valdo acredita que o Benfica, que se encontra «num momento ascendente», é capaz de superar o rival. «O FC Porto vem forte, mas o Benfica também está num momento ascendente e é capaz de bater esta equipa», referiu, apontando Pavlidis, Rafa, Otamendi e Schjelderup como potenciais figuras decisivas no lado encarnado.

Valdo foi duas vezes campeão no Benfica — Foto: Rui Raimundo

O antigo médio elogiou ainda o trabalho de José Mourinho no comando técnico do Benfica, destacando o seu impacto na solidez da equipa. «O impacto de José Mourinho foi muito grande. Ele deu estrutura defensiva à equipa e tornou o Benfica muito mais sólido e consistente», afirmou, acrescentando que o treinador «recuperou a alma do Benfica e também vários jogadores». Segundo Valdo, a equipa «joga olhos nos olhos com qualquer adversário, tanto em Portugal como na Europa».

Refletindo sobre a evolução do futebol, Valdo lamentou a perda de criatividade em detrimento da tática. «Hoje trabalha-se muito mais o lado tático. A evolução tática tornou-se fundamental porque se perdeu um pouco da magia, daquele jogador mais criativo, o chamado número 10», disse, recordando nomes como Chalana, Futre, João Pinto ou Rui Costa. «Hoje existem dois ou três jogadores capazes de decidir um jogo com um momento técnico diferente», sustentou.

Valdo e Fernando Couto num duelo nas Antas, em 1991, onde os encarnados venceram por 2-0 — Foto: A BOLA

Recordando os clássicos da sua era, Valdo destacou a qualidade dos plantéis de ambos os clubes. «Na minha época havia grandes jogadores dos dois lados. O FC Porto tinha Jaime Magalhães, Jaime Pacheco, Domingos, Branco ou Vítor Baía. O Benfica também tinha grandes nomes. Isso tornava o clássico ainda mais especial», explicou. Uma das suas memórias mais marcantes é uma vitória por 2-0 nas Antas, com dois golos de César Brito. «Num deles consegui fazer a assistência e foi um momento importante desse clássico», recordou.