Rafa Silva
Rafa Silva - Foto: IMAGO

Rafa de volta ao Benfica, FC Porto em sentido: a história explica

Atacante tem jeito especial para marcar aos dragões, algo de que poucos poderão gabar-se. Celebrou com todas as camisolas que vestiu em Portugal e foi decisivo para triunfos e conquistas das águias

O FC Porto é, à primeira vista, e para a maior parte dos jogadores da Liga, adversário indesejado, difícil e pouco acessível quando o objetivo é engordar a conta goleadora. Mesmo para os melhores avançados do campeonato, não é propriamente o oponente ideal para uma tarde ou noite de glória.

Não há, na realidade, muitos jogadores que possam gabar-se de ter histórico rico com os azuis e brancos, mas o Benfica tem alguém que muito aprecia duelos com o FC Porto. E não estamos apenas a referir-nos a clássicos, pois Rafa, bem antes de voar com a camisola encarnada, já fazia mossa às defesas portistas. Por clubes mais fortes e menos fortes, no campeonato principal ou na segunda divisão.

Foi com o símbolo do Feirense ao peito que em 2012/13 o avançado internacional português de 32 anos iniciou a carreira profissional. Depois de ter cumprido todas as etapas de formação ao serviço do Alverca, mudou-se para Santa Maria da Feira e foi ali que em apenas duas épocas fez a transição dos juniores para os seniores. E logo nessa temporada de estreia deu nas vistas, com 11 golos em 47 jogos e, claro, um deles ao FC Porto B, na Liga 2. Era apenas um jogo entre equipas de segundo escalão de futebol português, mas Rafa já sentia o gostinho aos golos importantes.

Não se demorou no Feirense e em 2013/14 vestiu a camisola do SC Braga, começando ali a conhecer outro nível competitivo e, ao mesmo tempo, a ser reconhecido. Tornou-se então um dos melhores avançados nacionais e alguém que despertava o temor e o interesse dos grandes, ao ponto de o Benfica ir buscá-lo. Não sem que pelos bracarenses Rafa conseguisse igualmente sentir por uma vez o sabor de um golo ao FC Porto.

Chega a temporada 2016/17 e com ela o Benfica. Transferência importante, por €16,4 milhões, há 10 anos uma maquia raramente vista em negócios em Portugal. Rafa ficaria muitos anos na Luz, nada mais nada menos do que oito e não partiria sem deixar rasto de golos ao FC Porto: três. Dois deles de grande importância, oferecendo triunfos na casa portista e empurrões decisivos para as conquistas dos títulos de campeão com Bruno Lage e Roger Schmidt.

Depois, Rafa foi para o Besiktas, para a capital da Turquia, onde ganhou muito dinheiro e fãs, até ao ponto em que assumiu a vontade de sair e regressar a Portugal. Pelos turcos, sem encontros com o FC Porto, não alimentou o apetite por uma das presas favoritas, mas agora a história é outra. Está outra vez de águia ao peito, está outra vez a jogar e está outra vez a fazer golos, para satisfação de José Mourinho, treinador dos encarnados, que muita força fez para que o atacante pudesse ser reforço das águias na janela de mercado de inverno.

Numa altura em que Pavlidis atravessa um dos piores momentos de forma no Benfica, muito jeito pode dar aos encarnados o facto de Rafa ser arma disponível e ameaçadora em confrontos deste nível de dificuldade. O atacante português ficou em branco em Barcelos, com o Gil Vicente, na última partida, mas ainda estará certamente moralizado pelo golo que permitiu aos benfiquistas sonhar na capital espanhola, no duelo de UEFA Champions League com o Real.