Jesus é a primeira escolha de Pedro Proença para o cargo de selecionador (foto: A BOLA)
Jesus é a primeira escolha de Pedro Proença para o cargo de selecionador (foto: A BOLA)

Jesus é o senhor que se segue

Não sabemos como será JJ sem pisar diariamente o relvado, mas é provável que a obsessão pelo detalhe ajudará a compensar o reduzido tempo de trabalho no campo de treino

Dez anos depois da conquista do título europeu, o ambiente em torno da Seleção é de desapontamento, perante a eliminação do Mundial. Depois de ter conseguido dobrar o Cabo das Tormentas do êxito desportivo, em Paris, a equipa das quinas não foi tão conquistadora quanto seria de esperar. É verdade que foram erguidas duas Ligas das Nações na última década, mas a expectativa era mais elevada.

Três Mundiais e dois Europeus depois, a Seleção nem sequer conseguiu chegar a meias-finais, precisamente a meta traçada este ano por Pedro Proença.

O balanço do Mundial 2026 foi mesmo aquém do esperado, e o que desilude não é propriamente a derrota com Espanha, mesmo que seja nos oitavos de final, mas a imagem pálida que a equipa deixou na prova. Diogo Costa foi o único jogador que saiu claramente valorizado — o que diz muito —, e quando é assim a maior desvalorização é a do treinador. Roberto Martínez desiludiu na preparação técnico-tática dos jogos, na gestão dos estatutos e até na comunicação.

Se um grupo que tem alguns dos melhores jogadores do mundo não consegue formar uma das melhores equipas do mundo, então a qualidade não está a ser devidamente potenciada. É verdade que ficou patente a falta de uma identidade coletiva, até em comparação com a seleção espanhola (que já teve isso mais vincado), mas essa realidade não desculpa a pobre dinâmica da equipa das quinas, que até tem vários grupos de jogadores que partilham clube. Esse debate é pertinente, mas quem conhece o futebol português não pode esperar consensos alargados, mesmo que o assunto seja mais para treinadores do que para dirigentes.

Também ninguém estará realisticamente à espera que a escolha de Jorge Jesus para selecionador venha agarrada a um projeto de fundo que chegue à formação. O plano é potenciar o talento que existe, e rapidamente. Não há quem possa garantir resultados, mas a contratação consegue reunir considerável consenso, embora mostre pouca coerência no perfil, tendo em conta que há um ano o alvo era José Mourinho.

Será curioso perceber como será JJ sem pisar o relvado todos os dias, mas a exigência e o cuidado com o detalhe vão ajudar a compensar a falta de treinos.

Veremos também qual será a posição sobre Bernardo Silva (e do próprio jogador), e se a passagem pelo Al Nassr não foi estágio também para gerir o capitão Cristiano Ronaldo na Seleção.

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