A festa da Seleção Nacional em Baku após derrotar a Roménia    Fotografia CEV
A festa da Seleção Nacional em Baku após derrotar a Roménia Fotografia CEV

Portugal faz história e está nos oitavos de final do Euro feminino

Depois de bater a Espanha, Seleção feminina recupera de duas desvantagens frente à Roménia e soma inédita segunda vitória na fase de grupos na segunda participação num campeonato continental, depois de na estreia apenas ter somado desaires

A Seleção feminina alcançou, esta quinta-feira, um feito inédito ao garantir uma segunda vitória num Europeu e com isso o apuramento para os oitavos de final. A qualificação foi selada com uma vitória por 3-2 sobre a Roménia, num emocionante jogo do Grupo C disputado National Gymnastics Arena, em Baku.

Numa partida que durou 2.53 horas, a equipa lusa demonstrou uma enorme capacidade de superação. Depois de ter estado com a desvantagem de 1-0 e mais tarde por 2-1, Portugal conseguiu dar a volta ao resultado, vencendo com os parciais de 15-25, 26-24, 20-25, 27-25 e 15-13.

Fotografia FPV

Com este triunfo, o segundo nesta edição de de sempre no evento em que apenas participa pela segunda vez, a equipa das quinas assegurou o 4.º lugar do grupo e viaja para Istambul, passando a jogar no Sinan Erdem Sports Hall. Embora a Roménia ainda possa igualar Portugal em pontos, o critério de desempate favorece a formação lusa, que soma duas vitórias contra nenhuma das suas adversárias diretas.

Recorde-se que já na ronda anterior Portugal havia alcançado a primeira vitória de sempre em fases finais de Europeus. ao superar a Espanha por 3-1. Agora, com este apuramento histórico, aguarda pelo seu adversário nos oitavos de final, que será o vencedor do encontro entre a Polónia e a Turquia, agendado para sexta-feira, que decidirá o primeiro lugar do Grupo A.

O encontro decisivo para se manter em competição até começou mal para as cores lusas. A Roménia entrou forte e rapidamente se distanciou no marcador, chegando à vantagem de 10 (12-22). Sem conseguir travar o ataque adversário e com dificuldades no bloco, Portugal cedeu o primeiro parcial por 15-25 em apenas 24m.

A resposta do conjunto de Hugo Silva surgiu no segundo set. Apesar de um início equilibrado, a Roménia voltou a adiantar-se para 17-13. Foi então que a entrada de Margarida Maia injetou nova energia na equipa, que recuperou até ao empate a 22-22. Depois de salvar dois pontos de set, Portugal venceu quatro pontos consecutivos e fechou o parcial por 26-24.

O equilíbrio marcou o terceiro set até ao 17-17, altura em que uma quebra da equipa portuguesa permitiu ao adversário fazer cinco pontos seguidos e fechar com um resultado de 25-20, colocando-se novamente em vantagem na partida.

No quarto set, a Seleção voltou a mostrar capacidade de superação. Num parcial de grande tensão e com várias alternâncias no marcador, as romenas chegaram a ter um ponto de jogo a 24-23. No entanto, Portugal resistiu, mostrou maior frieza nos momentos cruciais e forçou a negra ao vencer por 27-25.

No decisivo quinto set, a Roménia ainda esteve a vencer por 10-8, mas a equipa lusa recuperou para 11-10 e, após um empate a 11-11, ganhou uma vantagem crucial de 13-11 e selou a vitória histórica e a qualificação com 15-13.

Ana Monteiro (20) foi a jogadora portuguesa com mais pontos, seguida por Julia Kavalenka (15), Margarida Maia (15) e Amanda Cavalcanti (10). Do lado romeno, Ioana Maria Baciu (20) foi a mais concretizadora, mas referência ainda para a finalização ofensiva de Rodica Buterez (18) e Sorima Miclaus (17).

Hugo Silva, treinador de Portugal

Hugo Silva, treinador de Portugal:«Já tive várias qualificações para os oitavos de final, mas, sem dúvida que esta é a mais marcante. O feminino deixou aqui uma pegada muito importante para aquilo que é o crescimento que tanto queremos que o voleibol feminino tenha e que está a ter».

«Definitivamente, é perceber que estas atletas têm qualidade. O percurso que fizemos nesta preparação já ia dando indicações de que a equipa estava a praticar um bom voleibol e que éramos capazes de lutar com estas seleções mais rotinadas do que nós».

«Sabíamos que era possível. Sabíamos também que o lado emocional ia pesar muito. Parecíamos uma equipa madura, ao contrário da idade que estas atletas têm. Parecíamos nós a equipa madura contra uma equipa imatura do outro lado, quando era precisamente o contrário.»

«Acho que foi um prémio merecido para elas. Merecem bem estes festejos e esta passagem aos oitavos de final. O voleibol feminino em Portugal está de parabéns.»

«O jogo não fugiu daquilo que estávamos à espera. Todas elas estudaram bem o adversário e sabiam o que tinham de fazer. Obviamente que o lado emocional pesou muito.»

«Foi necessário usar quase todas as jogadoras que tínhamos no banco. Foram muito importantes, todas elas, como vão continuar a ser sempre. Foi uma questão de ajustes, de colocar outras jogadoras e tentar resolver aquilo que não estava a ser possível resolver, mas que sabíamos como resolver.»

«É a equipa. Acho que desde o início disse que esta seleção vale pelo coletivo, nunca pelo lado individual. Foi a vitória do coletivo.»

Ana Figueiras, jogadora de Portugal

- Ana Figueiras, jogadora de Portugal: «É um sentimento em que ainda não dá para acreditar que ganhámos, conseguimos passar e fazer história mais um dia. O grupo está muito feliz.»

«Acho que este Europeu veio trazer uma união e uma energia diferentes ao grupo. Toda a gente acrescenta, toda a gente sabe o seu papel e, se hoje não for uma, amanhã é outra. Acho que se nota que estamos cada vez mais equipa, na verdadeira aceção da palavra. É um ambiente top. Adoramo-nos umas às outras, passamos muito tempo juntas, mas, neste momento, estamos a viver uma altura muito boa e estamos muito felizes com o que conquistámos.»

«Já sabíamos, à partida, que era um grupo difícil e que, se calhar, os primeiros três jogos seriam os mais difíceis. Independentemente de como começássemos o primeiro, depois tínhamos de ganhar os dois últimos, se não vencêssemos o primeiro. É preciso esta mentalidade.»

«Também fomos muito portugueses, que é deixar tudo para a última, deixar todas as decisões para o último jogo.»

«É bom que as pessoas em Portugal apoiem e acreditem em nós, porque vimos muitas manchetes a dizer que estávamos cada vez mais longe das vitórias. Nós provámos que estamos perto e que estamos entre as 16 melhores equipas da Europa.»

A seguir

A iniciar sessão com Google...