OS dois principais títulos do futebol português estão muito perto de serem alcançados pela melhor equipa nesta época, um FC Porto que não sendo, posição por posição, totalmente equilibrado é ainda assim aquele que apresenta melhores argumentos nos diversos momentos do jogo, fruto da incorporação do talento nutrido na formação, da boa percentagem de acerto no mercado e da versatilidade tática que Conceição acrescenta a si próprio a cada ano. Mesmo a perda necessária do craque da primeira volta, Luis Díaz, não abalou os dragões, que viram um mais evoluído, mas bem menos eficaz Sporting atrasar-se, enquanto mantinham a velocidade de cruzeiro na reta final da temporada, e na qual só destoa o inexplicável fracasso diante de um Lyon que, apesar do talento individual, está longe de ter um processo coletivo consolidado. Nova Liga Europa era não só uma possibilidade como probabilidade alta. A gestão do momento, tenha perdido ou não com os melhores em casa e empatado ao apresentar a segunda linha em França, soou a falta de comparência, sobretudo à segunda mão, quando põe na balança a vantagem controlada no campeonato.
Muito do reequilíbrio interno na próxima temporada dependerá das decisões de verão, especialmente as que envolverem os melhores jogadores e também o técnico, que já mostra há algum tempo merecer liga mais exigente. O sólido FC Porto de hoje parece alguns degraus acima do Sporting e ainda mais de um Benfica em novo momento revolucionário. A continuidade de Amorim garante competitividade, porém o desafio agora é dotar o conjunto de competência tanto no ataque posicional como nas transições, e sair da casca do 3x4x3 e das suas limitações. Se um campeão parte sempre na frente, um campeão assim parte ainda mais, especialmente se tudo se mantiver mais ou menos igual.

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