SC Braga segurou-se à primeira mão para avançar com sofrimento (crónica)
Perante bancadas desérticas na Bulgária (devido às sanções a UEFA impostas aos clubes da Bielorrússia, pelo envolvimento do país na guerra na Ucrânia), o SC Braga assinou uma exibição cinzenta com o Dínamo Minsk, valendo-se da vantagem magra conquistada na primeira mão (1-0) para chegar ao play-off da Conference League.
Perante o bloco médio e compacto dos bielorrussos, os bracarenses sentiram dificuldades em criar perigo na primeira parte, concedendo até espaço para transições rápidas aos 22' e 24', que viram remates perigosos de Vardanyan e Djimet, respetivamente.
A falta de criatividade atacante assolou o SC Braga durante a maior parte do jogo. Víctor Gómez oferecia a ameça habitual quando tinha espaço para cruzar, Pau Víctor atacava a profundidade com muito esforço, enquanto Ricardo Horta vagabundeava entre linhas, com boa chegada à área — assim recebeu uma bola de Victor que atirou (48') ao poste, na melhor oportunidade do SC Braga no encontro.
Ainda no ataque, Dorgeles esteve muito apagado ao longo dos 90 minutos e mais ninguém da equipa titular se chegou à frente para desfazer uma defesa muito bem organizada do Dínamo Minsk.
Diogo Travassos, a jogar a partir da esquerda, não fez uso do pé direito e ainda somou alguns erros. Gabriel Silva substitui-o aos 62' e só aí é que o SC Braga teve alguma imprevisibilidade no ataque. Pelo meio, o VAR reverteu penáltis que foram assinaladas em campo para o SC Braga (57' e 81'), que acabou o jogo a brincar com o fogo.
Sofrer até ao fim
Bernardo Fontes fez (66') uma grande defesa a remate de Leonard Gweth, compensando um erro de Vítor Carvalho. O guardião esteve de novo à altura ao agarrar (69') um remate de Kalinin, antes de Tiknaz terminar (71') um jogo desinspirado ao atirar contra o guarda-redes no coração da área.
O Dínamo Minsk mostrava que podia chegar ao golo e o técnico Shagojko quis dar força à equipa ao terminar o jogo com dois pontas de lança (Lutskovich e Gweth). Carlos Vicens respondeu ao colocar Barisic no lugar de Ricardo Horta, terminando assim o jogo com quatro centrais (ainda Vítor Carvalho, Barcia e Bajrami), demonstrando as dificuldades que a equipa sentiu em segurar o nulo até final. Vicens dissera na antevisão que o SC Braga devia «tentar esquecer o resultado da primeira mão», mas teve de se agarrar a ele para continuar na competição.
Ainda assim, O SC Braga manteve a segurança defensiva e conseguiu o tão desejado apuramento, mas terá certamente que refletir acerca desta exibição apagada.
Nota dos jogadores
Mesmo quando a equipa não tem uma exibição fulgurante, pode sempre virar-se para o seu capitão à procura de soluções. Foi o que Horta tentou oferecer, com muitas diagonais a partir da esquerda para invadir a área adversária — foi assim que acertou no poste. Destacou-se como o elemento mais difícil de marcar para o Dínamo Minsk, assim como o mais esclarecido do SC Braga.
As notas dos jogadores do SC Braga: Bernardo Fontes (6); Lagerbielke (5), Sergio Barcia (5) e Bajrami (6); Víctor Gómez (6), Demir Tiknaz (5), João Moutinho (5) e Mario Dorgeles (4); Diogo Travassos (4), Pau Victor (5) e Ricardo Horta (6). Vítor Carvalho (5), Fran Navarro (4), Gabriel Silva (6), Huseinbasic (5), Barisic (-).
O médio nigeriano conseguiu impor-se desde cedo devido à sua estampa física (1,87 metros de altura), comandando assim o meio-campo ao ganhar vários duelos individuais. Foi igualmente eficaz com a bola nos pés e estava sempre à procura da velocidade dos avançados para lançar ataques perigosos, com os quais o SC Braga sentiu dificuldades em lidar. Foi um verdadeiro farol para a equipa.
As notas dos jogadores do Dínamo Minsk: Shimakovich (6); Gurban (5), Begunov (5), Kalinin (5) e Vakulich; Selyava (4), Zhechko (5) e Abdullahi (6); Djimet (5), Vardanyan (5) e Malashevich (5). Gweth (5), Sokolovskiy (5), Shvetsov (5), Alykulov (5), Lutskovich (-).
Artigo em atualização...